Fobia: O que é e como pode atrapalhar sua vida

13 de dezembro, 2019

Todo mundo tem medo de algo e pode se sentir ansioso e desconfortável diante disso, como quem não consegue ir a lugares altos. Entretanto, por mais que sejam semelhantes, o medo e a fobia são diferentes.

A fobia é um medo intenso de forma obsessiva e persistente de um determinado objeto ou situação, causando prejuízo considerável na vida de quem sofre com o problema. Isso porque quem sofre desse transtorno evita estar em determinada situação ou ter contato com o objeto por acreditar que aquilo é ameaçador.

Já o medo é uma emoção importante e necessária para a nossa sobrevivência. Ele evita que os seres humanos se coloquem em situações de risco. Sendo assim, é um método de proteção natural e saudável do organismo.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o Brasil é o país com mais pessoas ansiosas e estressadas da América Latina. Cerca de 26 milhões de brasileiros sofrem com o Transtorno de Ansiedade Social, mais conhecido como Fobia Social.

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O que pode causar fobia?

Ainda não se sabe todas as causas que levam ao desenvolvimento deste transtorno. Porém, fobias têm uma ligação direta com traumas e acontecimentos negativos do passado, pois a maioria dos problemas são desencadeados por dificuldades que o indivíduo enfrentou ao longo da sua trajetória de vida. Existem situações que abalam de maneira intensa, podendo gerar ao longo do tempo uma angústia que irá persistir e que pode evoluir para o quadro fóbico.

“Outra causa pode esta relacionada a casos onde a pessoa tenha uma predisposição a este transtorno fóbico por ser genético, ou seja, membros da família que possuem um desajuste de substâncias hormonais podendo influenciar nas respostas cerebrais, aumentando assim a probabilidade de fobias no indivíduo” explica a psicóloga Priscila Fialho Dias, da clínica Maia.

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Quais são os sintomas?

  • Sintomas físicos de ansiedade, como coração acelerado, tremores, sensação de falta de ar, mãos frias e suadas, boca seca, tontura, náuseas, calafrios, alteração no sono, tensões musculares etc;
  • Medo exagerado e persistente;
  • Evitar ao máximo a exposição a certas situações ou objetos;
  • Sensação de perda de controle mesmo sabendo que aquele perigo não é real. 

Tipos de fobias mais comuns

  • Tripofobia: Consiste no medo exagerado de imagens ou objetos que tenham buracos ou padrões desiguais, como favos de mel, morangos, crustáceos, conjuntos de buracos na pele, madeira, plantas ou esponjas, por exemplo.
  • Agorafobia: Medo de lugares e situações que possam causar pânico com sensação de aprisionamento e até constrangimento, levando a tremores e ataques de pânico. A pessoa tem medo de ficar sozinha em casa, de estar em multidões, de esperar em filas e lugares fechados como elevadores, lojas pequenas, cinemas.
  • Claustrofobia: É o medo de espaços limitados ou lotados, como multidões, assim como se sentir desconfortável ao usar roupas justas, joias e tudo que cause sensação de sufocamento.
  • Aracnofobia: Conhecido como o medo de aranhas. Quem sofre dessa fobia apresenta uma ansiedade aguda e altera seu comportamento frente ao animal ou até mesmo quando vê a imagem através de uma tela. 
  • Coulrofobia: É o medo de palhaços. Quem sofre, se sente sensibilizado e desconfortável com a presença do personagem ou até mesmo o ato de pensar em palhaços pode se tornar intolerável. Os sintomas mais comuns são: falta de ar, respiração acelerada, crises de ansiedade, aumento dos batimentos cardíacos, sudorese, enjoos e boca seca.
  • Acrofobia: O medo exagerado de alturas. Mesmo que não seja tão alto quanto parece, pode causar pânico. O problema pode acarretar também vertigem, incapacidade de confiar no próprio equilíbrio, sintomas de ansiedade e espera-se que rapidamente busque um local considerado seguro. 

Existe tratamento?

Assim como outros tipos de transtornos, para a fobia também existe tratamento. Para a pessoa ser diagnosticada com uma fobia, ela deverá se enquadrar em determinados critérios do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5). Manual utilizado por psicólogos e psiquiatras.

Segundo a psicóloga, o especialista tem como objetivo reduzir os sintomas e desconfortos para que o paciente possa ter uma melhor qualidade de vida. Como por exemplo:

  • Ajudara controlar o medo;
  • Trabalhar com técnicas para amenizar a ansiedade;
  •  Aprender a controlar os sintomas;
  • Aplicar técnicas de enfrentamento da situação que lhe causa pânico, podendo assim ressignificar aquela situação ou objeto que traz sofrimento;
  •  Mudanças comportamentais.

“O psiquiatra auxiliará com medicamentos para reduzir a ansiedade, podendo ajudar na terapia durante as exposições para enfrentamento. Embora essas medicações não sejam específicas para o tratamento de fobias, elas diminuem sentimentos desconfortáveis melhorando a qualidade de vida do indivíduo” conclui a psicóloga.

Portanto, se você perceber que tem algum medo, e ele está desproporcional e atrapalhando sua qualidade de vida, ou conhece alguém que esteja passando por isso, é importante buscar a ajuda de um profissional.

Fonte: Priscila Fialho Dias, psicóloga da Clínica Maia.

Sobre o autor

Julia Moraes
Julia Moraes
Jornalista e repórter da Vitat. Especialista em fitness, saúde mental e emocional.