Poliomielite: o que é, sintomas e como prevenir a paralisia infantil

28 de julho, 2022

Você provavelmente já ouviu falar em poliomielite, certo? A doença foi considerada erradicada no Brasil em 1994 pela Organização Mundial de Saúde. Logo, ela é tida como uma condição rara e que pode ser evitada com a vacinação correta – embora o país venha sofrendo com a queda da cobertura vacinal contra a enfermidade.

O que é a poliomielite?

De acordo com a infectologista Luciana Campos, a poliomielite, também conhecida como pólio ou paralisia infantil, é uma doença infectocontagiosa viral aguda. Como a denominação dá a entender, ela é causada por um vírus que mora no intestino, chamado de poliovírus (sorotipos 1, 2 e 3).

Embora seja uma doença que possa atingir pessoas de todas as idades, ela é vista com mais frequência entre crianças menores de quatro anos.

Os principais sintomas da doença

Geralmente, ao estar infectado pelo poliovírus, o paciente tende a não ter nenhum sintoma ou, ao apresentar indícios da doença, eles são brandos. Além disso, os sinais da poliomielite costumam ser semelhantes aos de outras enfermidades virais e até mesmo quadros respiratórios, como gripe.

Portanto, os principais sintomas da doença, citados pelo Ministério da Saúde, são:

Geralmente, o vírus fica incubado de sete a 12 dias, ou seja, é esse tempo que demora entre o contágio e o aparecimento dos primeiros sintomas da doença.

A versão mais grave da poliomielite

Cerca de 1% dos pacientes ainda pode desenvolver a forma paralítica da doença. Isso ocorre porque o vírus, que se instala no intestino, começa a se multiplicar e, então, penetra no organismo. Ao cair na corrente sanguínea, encaminha-se até o cérebro, onde ataca o sistema nervoso e destrói os neurônios motores. Como resultado, o paciente acaba desenvolvendo paralisia cerebral flácida.

De acordo com Luciana, suspeita-se do quadro quando o paciente perde força muscular subitamente. Em outras palavras, ele não consegue manter os músculos contraídos.

“A poliomielite acomete principalmente membros inferiores, de forma assimétrica (atingindo apenas um dos membros), ocasionando flacidez muscular, sensibilidade preservada e ausência de reflexos do segmento acometido”, detalha a especialista.  

Leia mais: Imunização: afinal, por que devemos seguir o esquema vacinal?

Como é a transmissão dessa doença?

Em suma, transmite-se o poliovírus de duas formas. A primeira e mais comum é a via oral-fecal, em que a infecção ocorre por meio de objetos, alimentos e água contaminados com fezes de doentes ou portadores da doença.

A segunda é a via oral-oral, que é quando a pessoa desenvolve a poliomielite após entrar em contato com gotículas de secreções da orofaringe de quem já estava infectado. Isso pode acontecer caso esse alguém fale, tussa ou espirre próximo de terceiros.

A transmissão pelo vírus vacinal

Recentemente, os Estados Unidos confirmaram um caso de pólio no país após quase dez anos sem presença da enfermidade no território norte-americano. O contágio aconteceu por meio da transmissão pelo vírus vacinal.

Isso não significa que o imunizante contra a poliomielite é capaz de causar a doença. O que acontece é que a vacina em gotinhas tem o vírus atenuando que tende a ser eliminado pelas fezes de quem foi protegido contra a enfermidade.

Assim, em regiões em que as taxas de imunização são baixas, esse vírus começa a sofrer mutações. Como resultado, pessoas começam a ser infectadas. Portanto, rompe-se este ciclo de contágio apenas por meio da vacinação em massa.

Leia mais: Vacina da poliomielite: afinal, para que serve, quem deve tomar e em qual idade?

Existe tratamento para poliomielite?

A pólio, como outras doenças virais, não possui um tratamento específico. Assim, o que deve ser feito é a imunização da população para evitar a disseminação da doença. Além disso, outra medida social fundamental é garantir o saneamento básico no país para, então, evitar a contaminação pelo vírus por via oral-fecal, por exemplo.

Cronograma vacinal contra a doença

Portanto, para se proteger contra a poliomielite, o pequeno deve começar a preencher seu calendário vacinal a partir dos dois meses. Depois, ele recebe a segunda dose aos quatro meses e a terceira aos seis meses. Nestes casos, o imunizante utilizado é o injetável. “Ele é composto pelo vírus inativado e age contra os sorotipos 1, 2 e 3. Inclusive, ele é administrado via intramuscular”, detalha Dra. Luciana.

Já os dois reforços devem ser feitos com a vacina oral bivalente, ou seja, em gotinhas, de acordo com o Ministério da Saúde. “Ela é composto pelo vírus da pólio tipos 1 e 3 enfraquecidos”, completa a infectologista.

Além das duas citadas, há também a vacina pentavalente, constituída pela DTPa (tríplice bacteriana) + pólio (VIP) + Hib (contra hemófilos), que também garante a proteção contra o vírus.

Leia mais: Poliomielite nos Estados Unidos: país detecta doença após quase 10 anos

O risco de retorno da poliomielite no Brasil

Embora o país tenha recebido o certificado de livre da pólio em 1994, há o risco da enfermidade retorna devido a baixa taxa de vacinação contra a doença altamente contagiosa. Para se ter noção, o Brasil não cumpre a meta de 95% da população estar imunizada desde 2015.

De acordo com o Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI), apenas 75% do público elegível receberam as três doses recomendadas aos dois, quatro e seis meses de vida, em 2021. Já a cobertura em relação as doses de reforço é ainda menor: apenas 52% das crianças foram imunizadas contra a pólio.

“Enquanto a poliomielite existir em qualquer lugar do planeta (como no Afeganistão, Paquistão e Nigéria), há o risco de importação da doença. É um vírus perigoso e de alta transmissibilidade, mais transmissível do que o Sars-CoV-2, por exemplo. Estamos com sinal vermelho no Brasil por conta da baixa cobertura vacinal, e é urgente se fazer algo. Não podemos esperar acontecer a tragédia da reintrodução do vírus para tomar providências”, declara Fernando Verani, epidemiologista da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz).

Outro perigo em relação a falta de imunização contra a pólio é a possível transformação viral, de acordo com o virologista Edson Elias, chefe do Laboratório de Enterovírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). “Quando a população está com baixa cobertura vacinal, há o risco de mutação do vírus, ao ser transmitido de pessoa para pessoa, tornando-se uma cepa agressiva”, pontua o especialista.

Fonte: Luciana Campos, médica infectologista do Grupo Sabin Medicina Diagnóstica.

Referências:

Ministério da Saúde

Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)

Portal Fiocruz

Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)

Sobre o autor

Redação
Todos os textos assinados pela nossa equipe editorial, nutricional e educadores físicos.