Poliomielite nos Estados Unidos: país detecta doença após quase 10 anos

22 de julho, 2022

Com o avanço do movimento antivacina que assola o mundo nos últimos anos, a população tem se deparado com doenças, até então controladas, retornando. É o que mostra o caso confirmado de poliomielite nos Estados Unidos após quase dez anos sem a presença da enfermidade na população norte-americana. A informação foi confirmada pelo Departamento de Saúde do Estado de Nova York, na última quinta-feira (21).

De acordo com a nota sobre o assunto, detectou-se a doença no Condado de Rockland, subúrbio da cidade. Estima-se que a pessoa infectada tenha sido contaminada fora do país. Assim, embora a enfermidade não tenha surgido nos Estados Unidos desde 1979, ela já tinha entrado em território norte-americano, por meio de viajantes, em outros momentos. A última vez foi em 1993, a 30 anos atrás.

Sabe-se também que a poliomielite, no fim de 1940, causou uma série de deficiências em cerca de 35 mil estadunidenses anualmente. O cenário começou a mudar a partir da década de 50, quando a vacina contra a doença infecto-contagiosa foi criada. Ainda que isso tenho permitido que países erradicassem a enfermidade, casos esporádicos ainda são observados, como aconteceu no Reino Unido em junho deste ano.

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Poliomielite nos Estados Unidos: o que é, sintomas, transmissão e prevenção

O que é a poliomielite?

A poliomielite é uma doença infecto-contagiosa viral aguda, causada pelo poliovírus dos tipos 1, 2 e 3. Em torno de 1% dos contaminados pode acabar desenvolvendo paralisia infantil em decorrência da enfermidade. De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), “em geral, ela se manifesta nos membros inferiores de forma assimétrica, ou seja, ocorre apenas em um dos membros. Além disso, as principais características são a perda da força muscular e dos reflexos, com manutenção da sensibilidade no membro atingido”.

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Principais sintomas

Os principais indicativos da poliomielite, segundo o Ministério da Saúde, são:

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Transmissão da doença

O contágio da poliomielite acontece de pessoa para pessoa de duas formas. Na primeira, ele pode ser via oral-fecal, com objetos, alimentos e água contaminados com as fezes de quem tem a enfermidade. Na segunda, ele é via oral-oral, ou seja, infecta-se por meio de gotículas de secreções da orofaringe, como falar, tossir ou espirrar.

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Prevenção contra a poliomielite

Em suma, a doença infecto-contagiosa só é prevenida por meio do esquema vacinal completo contra a poliomielite. A princípio, no Brasil, a criança deve receber três doses injetáveis, aos dois, quatro e seis meses de vida. Depois, adicionam-se mais duas de reforço com a vacina oral bivalente (gotinhas)

Embora a vacina esteja disponível ao redor do país, observa-se uma queda da imunização contra a doença. Isso, por sua vez, aumenta o risco de retorno da enfermidade no Brasil. De acordo com o Instituto de Estados para Políticas de Saúde (IEPS), com dados do Tabnet/Datasus, 98,3% do público infantil estavam protegidos contra a poliomielite em 2015. No entanto, em 2020, esse número caiu para 75,9%.

Por fim, a poliomielite é a terceira vacina menos aderida pela população. Em primeiro lugar, está a imunização contra a BCG e em segundo contra a Hepatite A.

Referências:

Ministério da Saúde

Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)

Conselho Regional de Enfermagem de Tocantis (Coren – TO)