Narguilé: Tudo o que você precisa saber sobre o equipamento

17 de setembro, 2021

O consumo do narguilé se popularizou entre os jovens há alguns anos, mas parece nunca ter saído de moda. Contudo, especialistas alertam para o uso do aparelho, que é composto por um recipiente grande (onde fica a água) ligado a uma espécie de “grelha” (onde é colocado o carvão e o fumo) e a mangueiras (por onde a pessoa inala a fumaça).

Pesquisas já conseguiram identificar aproximadamente 300 produtos químicos no narguilé — desses, 23 são potencialmente cancerígenos. Num primeiro momento, esse número parece bem menor do que o apresentado pelo cigarro (que concentra 4700 substâncias tóxicas), mas, dependendo da frequência e da quantidade consumida do produto, ele também pode ser fatal.

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A cirurgiã vascular Fátima El Hajj e o cirurgião torácico Marcello Scatena esclarecem as dúvidas mais frequentes sobre o uso do narguilé:

O narguilé é uma droga capaz de causar dependência?

Sim. Apesar de ser divulgado aos jovens como uma alternativa mais saudável ao cigarro, os produtos encontrados no mercado podem conter tabaco, o que acabaria estimulando o uso e a dependência.

Além disso, mesmo as essências que não possuem tabaco são adocicadas com melaço (vindo da cana-de-açúcar) que, se aquecido, gera altos níveis de moléculas cancerígenas. De acordo com os especialistas, pelos danos futuros que o narguilé é capaz de causar, ele deve ser considerado uma droga lícita.

Que males o narguilé pode causar à saúde do fumante?

  • Baixa oxigenação do sangue;
  • Aumento da pressão arterial;
  • Maior propensão a infecções do trato respiratório;
  • Maior propensão a quadros de trombose.

A longo prazo, o narguilé também aumenta os riscos de aterosclerose (endurecimento e espessamento das paredes arteriais), enfisema pulmonar, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), impotência sexual e vários tipos de cânceres — pulmão, boca, laringe e estômago, por exemplo.

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É verdade que uma única sessão com o aparelho pode causar danos à saúde?

Sim. De acordo com os especialistas, uma hora inalando a fumaça do narguilé equivale a aproximadamente 100 tragadas de cigarro.

Ou seja, a frequência e a quantidade potencializam, sim, os riscos. Contudo, menores quantidades também podem ser extremamente prejudiciais para pessoas com propensão a certas doenças.

Quais são as toxinas presentes na fumaça?

As nitrosamidas específicas do tabaco, hidrocarbonetos aromáticos, aldeídos voláteis, benzeno, óxido nítrico e metais pesados (arsênico, cromo e chumbo). Além disso, o uso do carvão como mecanismo de combustão eleva em muito os níveis de monóxido de carbono e a geração do carcinógeno HAP2.

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O uso compartilhado também está relacionado à transmissão de doenças?

Sim, principalmente HPV e Herpes Vírus. E em tempos de pandemia, onde todos são aconselhados a não compartilhar objetos de uso individual, pode transmitir doenças virais (coronavírus, por exemplo), fúngicas e bacterianas.

Fontes: Fátima El Hajj, cirurgiã vascular; e Marcello Scatena, cirurgião torácico.

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