Risco de transtornos alimentares entre jovens aumenta na pandemia

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17 de Setembro, 2021
Risco de transtornos alimentares entre jovens aumenta na pandemia

As limitações impostas pela Covid-19, como o fechamento das escolas e o cancelamento das atividades de lazer e esportiva, por exemplo, foram apontadas como fatores de risco para o desenvolvimento de transtornos alimentares — principalmente entre adolescentes e jovens adultos.

É o que diz um estudo da Escola de Medicina da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos. Assim, os pesquisadores descobriram que, no hospital ligado à instituição, o número de internações desse grupo por doenças graves decorrentes de transtornos alimentares dobrou durante os primeiros 12 meses da pandemia.

Dessa maneira, os resultados do estudo foram publicados no periódico Pediatrics, da Academia Americana de Pediatria. Ao longo do período, o hospital registrou 125 hospitalizações do tipo de pacientes com idades entre 10 e 23 anos. Entre 2017 e 2019, foram em média 56 internações por ano.

Por meio de um comunicado à imprensa, os pesquisadores afirmaram que a pandemia impactou negativamente a saúde mental de adolescentes e jovens devido às mudanças e interrupções na vida cotidiana e à sensação de perda de controle.

Genética, influências sociais e fatores psicológicos, como baixa autoestima e sintomas depressivos, aumentam ainda mais o risco de transtornos alimentares nessa faixa etária.

A Agência Einstein conversou com Rogéria Taragano, psicóloga clínica e colaboradora do Programa de Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq-HCFMUSP). Leia a entrevista a seguir:

De que forma a pandemia pode favorecer o desenvolvimento de transtornos alimentares?

Rogéria Taragano: A pandemia cria condições que aumentam o risco para o desenvolvimento dos transtornos alimentares, sobretudo para pessoas que já apresentem alguma sensibilidade. Isso porque ela impôs o isolamento social por um período muito longo. Tem uma série de fatores de estresse que aumentaram também, como medo do contágio, inseguranças, excesso de tempo dentro de casa e um convívio muito próximo com familiares que pode trazer conflitos. São condições psicológicas que funcionam como gatilho.

O longo período de isolamento piorou ainda mais as condições psicológicas?

O distanciamento restringiu fatores considerados de proteção, que ajudam nas estratégias de tratamento, que são convívio social, estudar, trabalhar e fazer atividades de lazer. Tudo isso ficou comprometido com o confinamento. Além disso, durante o isolamento, as pessoas ficaram por muito tempo expostas às notícias negativas da cobertura da mídia e acompanhando as mídias sociais, o que ajudou a aumentar o estresse.

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Quais são as possíveis consequências dos transtornos alimentares?

O que observamos no contexto clínico é que houve uma piora da psicopatologia dos transtornos alimentares. Os quadros são ligados, por exemplo, a sintomas de depressão, pânico, ansiedade e abuso de substâncias como álcool e ilícitas. Além disso, as pessoas estocaram alimento para evitar sair de casa. E o excesso de comida muitas vezes desencadeia compulsão. A pessoa consome grande quantidade de alimento em pouco tempo. Isso faz com que ela se sinta culpada e use de comportamentos compensatórios, como vômito autoinduzido e uso de laxantes e diuréticos. Isso para lidar com a culpa que ela sente quando acabou de consumir algo que considera que não deveria.

O quadro é mais comum entre adolescentes?

Sim. Tende a aparecer com mais frequência nos adolescentes e adultos jovens. Isso já é uma característica dos quadros de transtornos alimentares, como anorexia, bulimia e compulsão alimentar.

(Fonte: Agência Einstein)

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