Inflamação da gengiva pode contribuir para a proliferação do coronavírus

Saúde
18 de Janeiro, 2022
Inflamação da gengiva pode contribuir para a proliferação do coronavírus

O cuidado com a saúde bucal deve ser rotineiro e respeitar algumas etapas: escovação, uso do fio dental e enxaguante bucal, por exemplo. Por outro lado, casos de descuido aumentam o risco de gengivite. E apesar de a inflamação da gengiva ser relativamente simples de tratar e prevenir, ela não deve ser negligenciada, uma vez que pode contribuir para a proliferação do coronavírus. Entenda:

Inflamação da gengiva e coronavírus

Também conhecida como inflamação gengival, a gengivite é bastante frequente. E pode ser facilmente identificada quando o indivíduo tem sangramento sem motivo aparente na gengiva, dores, alteração de cor da região, mau hálito e até inchaço. Todos são indicativos de que algo não está bem.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 90% da população sofre com gengivite. E, em tempos de pandemia, é necessário dar ainda mais atenção à higiene bucal. Pois, a detecção do vírus Sars-Cov-2 na gengiva pode contribuir para o agravamento do quadro de saúde do paciente em tratamento.

Isso acontece porque o fluído gengival (substância liberada pela gengiva para proteção dos dentes), quando infectado, pode aumentar a chance de disseminação do vírus, que pode ser inalado e atingir os pulmões, principalmente entre os pacientes que utilizam aparelhos de ventilação.

“A gengivite pode evoluir para periodontite, atingindo os tecidos de sustentação e até levando à perda de dentes. Essa inflamação gera uma reação do organismo que tem potencial de favorecer doenças como diabetes, hipertensão, alterações cardiovasculares e pulmonares (asma, pneumonia e a doença pulmonar obstrutiva crônica, por exemplo), assim como pode significar ou colaborar para um pior prognóstico do paciente em caso de Covid-19”, comenta a cirurgiã-dentista Luciana Scaff Vianna.

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Outras consequências da gengivite

Também prevalente na saúde bucal é a retração gengival, que consiste na mudança de posição da gengiva por conta da perda dos tecidos de sustentação, causando a exposição da raiz do dente. Estima-se que metade da população do planeta com idade entre 18 e 65 anos apresente ao menos um dente com esse recuo. Outro dado que chama a atenção é que uma a cada três pessoas com mais de 30 anos apresenta ao menos dois dentes comprometidos pela retração. Os dados foram divulgados no Journal of Dentistry.

“A recessão ou retração pode afetar uma ou várias faces dos dentes. Quando na parte anterior [na frente] compromete a estética, pois é mais visível no sorriso e na fala. E quanto maior a extensão e o número de faces atingidas, pior o tratamento. Além disso, a exposição das raízes pode causar sensibilidade, gerando prejuízos na alimentação e maior risco de cáries”, frisa a cirurgiã-dentista.

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Inflamação da gengiva e coronavírus: Como prenevir

O tratamento da retração gengival dependerá da situação na qual o tecido se encontra. Desse modo, a condição pode ser apenas controlada por meio da escovação ou da raspagem subgengival (para a retirada do tártaro).

Contudo, em alguns casos, quando a doença está mais avançada, é necessário fazer uma cirurgia para a reconstrução do tecido. Ou, então, um preenchimento do volume gengival.

A recessão gengival e a gengivite, em suas fases iniciais, nem sempre são perceptíveis, por isso, é recomendado consultar um cirurgião-dentista periodicamente. Assim, o especialista pode indicar a melhor forma de controlar o problema. O diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento podem representar uma melhor eficiência no resultado sem grandes transtornos ao paciente.

Fonte: Luciana Scaff Vianna, cirurgiã-dentista membro da Câmara Técnica de Periodontia do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP).

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