Homens são os principais transmissores da Covid-19, sugere estudo

27 de agosto, 2021

Os homens são mais propensos a apresentar quadros graves de Covid-19 e a morrer em decorrência da doença. Além disso, são mais primeiramente infectados e, consequentemente, podem ser os principais transmissores do SARS-CoV-2. É o que sugere um estudo feito por pesquisadores do Centro de Estudos do Genoma Humano e de Células-Tronco (CEGH-CEL). Ele teve como base em um levantamento epidemiológico que envolveu 1.744 casais brasileiros.

Os resultados do trabalho foram divulgados na plataforma medRxiv, em artigo ainda sem revisão por pares.

“Essa constatação corrobora e está em consonância com descobertas feitas em estudos recentes que realizamos. Isso porque eles já indicavam que homens podem transmitir mais o novo coronavírus”, diz à Agência FAPESP Mayana Zatz, professora do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) e coordenadora do CEGH-CEL.

Leia também: Percepção do tempo mudou durante COVID-19, diz estudo

Homens transmitem mais a Covid-19

Um estudo publicado no início de agosto por pesquisadores do Centro na revista Diagnostics, com base em um exame de detecção do SARS-CoV-2 pela saliva desenvolvido no CEGH-CEL, apontou que os homens apresentam uma carga do vírus no fluido cerca de dez vezes maior do que mulheres, particularmente até os 48 anos de idade. No entanto, essa diferença de carga viral não foi detectada em testes com amostras nasofaríngeas, apontaram os autores do estudo, coordenado pela professora Maria Rita Passos-Bueno.

“Como o vírus é transmitido principalmente por gotículas de saliva, deduzimos que isso explicaria por que os homens transmitem mais vírus do que as mulheres”, diz Zatz.

Além disso, a pesquisadora começou a ouvir relatos de casais em que a mulher foi infectada pelo novo SARS-CoV-2 e apresentou sintomas leves ou moderados. Enquanto o homem permaneceu assintomático. Contudo, alguns meses depois, o cônjuge também foi infectado após o contato com pacientes do sexo masculino. O que reforçou a teoria de que homens transmitem mais o novo coronavírus.

Leia também: 82% dos pacientes de covid-19 têm falta de vitamina D, diz estudo

Como funcionou o estudo

A fim de avaliar a hipótese, os pesquisadores do CEGH-CEL começaram a coletar, entre julho de 2020 e julho de 2021, dados. Por meio de e-mails e questionários, os cientistas levantaram dados de mais de 2 mil casais, com média de 45 anos de idade até então não vacinados contra a Covid-19, em que pelo menos um dos cônjuges foi infectado, diagnosticado e apresentou sintomas da doença.

Além disso, foi analisada a transmissão em mais de mil casais que moraram juntos durante o período da infecção sem adotar medidas de proteção. O objetivo era eliminar a influência de vieses comportamentais, como o fato de os homens serem mais relutantes em usar máscaras e respeitar o distanciamento.

Desse modo, os casais foram distribuídos em grupos concordantes – em que ambos os parceiros foram infectados. Ou, então, discordantes – em que um dos cônjuges permaneceu assintomático, apesar do contato próximo com o infectado.

Como resultado, a combinação dos dados coletados mostrou que os homens foram os primeiros ou únicos infectados na maioria dos casos, tanto entre os casais concordantes como nos discordantes.

“Vimos que os homens foram infectados primeiro muito mais do que as mulheres, tanto no caso dos casais concordantes como nos discordantes. No total, 946 homens foram infectados primeiro em comparação com 660 mulheres”, afirma Zatz.

Leia também: Covid-19: Quase 20% dos pacientes têm doenças mentais depois

Por que os homens foram mais infectados pela Covid-19?

Os pesquisadores também analisaram o material genético de casais em que apenas um dos cônjuges foi infectado pelo SARS-CoV-2, embora ambos tenham sido expostos, com o objetivo de entender por que algumas pessoas são naturalmente resistentes à infecção.

Resultados preliminares do estudo, também publicados na plataforma medRxiv, indicaram que variantes genômicas mais frequentes nos parceiros suscetíveis levariam à produção de moléculas que inibem a ativação das células de defesa conhecidas como exterminadoras naturais ou NK.

Leia também: Academias estão entre os lugares com maior chance de transmissão da Covid-19

(Fonte: Agência Fapesp)

Sobre o autor

Redação
Redação
Todos os textos assinados pela nossa equipe editorial, nutricional e educadores físicos.