Estrogênio baixo ou alto: O que fazer quando o hormônio está desequilibrado

21 de agosto, 2021

O estrogênio é o hormônio sexual feminino. É produzido pelos ovários e responsável por desenvolver características como crescimento das mamas e pelos pubianos. Além disso, tem papel importante no ciclo menstrual e interfere em questões como saúde óssea, vascular e reprodução. Seus níveis são maiores na adolescência e sua produção continua em menor quantidade até a menopausa.

A maior parte das mulheres não tem problemas com relação às taxas de estrogênio, especialmente se menstruam regularmente, explica Janayne Oliveira, ginecologista, obstetra e especialista em menopausa e sexologia do Hospital Anchieta de Brasília. Em alguns casos, contudo, pode haver aumento ou diminuição do hormônio no organismo, o que traz sintomas e requer acompanhamento médico.

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Quando o estrogênio está alto

Em quantidades excessivas, o estrogênio pode causar algumas consequências, além de representar risco à saúde. “Isso pode ser causado pela síndrome dos ovários policísticos, tumores nos ovários, câncer da glândula adrenal, síndrome de excesso de aromatase ou, então, pelo uso de alguns medicamentos”, explica Janayne.

Como consequência, ocorre ganho de peso, ciclo menstrual irregular, dificuldade de engravidar, inchaço das mamas, irritabilidade, sintomas de TPM mais intensos, alteração do sono, maior risco de nódulos mamários e câncer de mama e de endométrio, bem como maior chance de episódios de trombose. Geralmente, mede-se o estrogênio através de exames de sangue, embora também seja possível testar através da urina, saliva e até via líquido amniótico.

Quando o estrogênio está baixo

Por outro lado, a deficiência nos níveis de estrogênio pode ter diferentes causas, porém a mais comum é a chegada da menopausa, quando a mulher para de ovular. Nessa situação, a baixa produção pode acarretar sintomas nada agradáveis.

A médica explica, por exemplo, que, antes da menopausa, a mulher passa por um período de transição chamado climatério, caracterizado por ciclos menstruais irregulares e marcantes flutuações hormonais, muitas vezes acompanhadas por fogachos (ondas de calor), suores noturnos, secura vaginal, alterações do humor e sono, perda de elasticidade da pele e resistência dos ossos, causando grande impacto para a saúde no longo prazo.

“Podemos diagnosticar a menopausa depois de 12 meses consecutivos sem menstruar e dosagem de FSH (hormônio folículo-estimulante) maior ou igual a 30UI/ml. Nesse momento, os ovários param de liberar óvulos e param de produzir os hormônios estrogênio e progesterona. Desse modo, a menopausa acontece, geralmente entre 45 e 55 anos. A média de idade é 51 anos”, detalha Janayne, que também avisa que pode acontecer, ainda que raramente, a menopausa precoce em algumas mulheres, ou seja, antes dos 40 anos.

Quando o estrogênio para de ser produzido pelos ovários (menopausa), geralmente recomenda-se a terapia de reposição hormonal (TH) para alívio dos sintomas físicos e prevenção das consequências clínicas de deficiência estrogênica. “É especialmente indicada para mulheres sintomáticas abaixo dos 60 anos e com menos de 10 anos de menopausa. Isso porque a terapia hormonal é efetiva para prevenir a perda de massa óssea e as fraturas por fragilidade. No caso de mulheres com insuficiência ovariana prematura, há maior morbidade e mortalidade em decorrência do hipoestrogenismo prolongado.”

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Quando não é indicada a terapia hormonal

Existem algumas contraindicações para a terapia de reposição hormonal. Entre elas, quando a mulher tem câncer de mama ou endométrio ou lesão precursora para o câncer de mama. Além disso, outros fatores considerados são: doença trombótica ou tromboembólica venosa, doença coronariana, doença cerebrovascular, doença hepática descompensada, sangramento vaginal de causa desconhecida, porfiria, lúpus eritematoso sistêmico com elevado risco tromboembólico e meningioma.

Há ainda outras condições que devem ser avaliadas pelo médico antes de uma terapia de reposição hormonal. Entre elas: hipertensão ou diabetes descompensados e melanoma. Em casos em que não é recomendável aplicar a reposição, também há alternativas não hormonais. “São uma boa opção para muitas mulheres, mas apenas o ginecologista pode avaliar caso a caso. Antes de fazer qualquer exame, ouço a queixa da paciente, avalio os sintomas e depois faço uma investigação para entender o que acontece e buscar o melhor tratamento”, finaliza a médica.

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Fonte: Janayne Oliveira, ginecologista, obstetra e especialista em menopausa e sexologia do Hospital Anchieta de Brasília.

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