Atividade física vigorosa e risco de morte: qual a relação?

Bem-estar Movimento
14 de Dezembro, 2022
Monike Lourenço Dias Rodrigues
Revisado por
Médica • CRM-GO 9414
Atividade física vigorosa e risco de morte: qual a relação?

Os benefícios que a prática de exercícios pode gerar para a saúde geral do corpo é um tema bastante estudado pela ciência. E recentemente, pesquisadores ingleses publicaram uma pesquisa inédita cujo objetivo foi investigar a quantidade mínima de atividade física necessária para reduzir o risco de morte — incluindo aquelas causadas por complicações cardiovasculares e câncer.

O artigo consta no European Heart Journal. Para a análise, foram selecionadas 71.893 pessoas de ambos os sexos e com idades entre 55 e 67 anos (média de 62,5 anos). Elas tiveram seus tempos semanais de atividade física vigorosa (AFV) medidos por meio de um acelerômetro de pulso durante um mínimo de 16 horas por dia.

Para entendermos melhor o conceito, uma atividade física pode ser classificada como leve, moderada ou intensa/vigorosa, a depender da percepção de quem a realiza. “Pode ser usada uma escala simples, de 0 a 10, sendo 10 o máximo de esforço que o indivíduo julga possível, e acima de 7 a atividade física e considerada vigorosa”, explica a médica endocrinologista Dra Monike Lourenço Dias Rodrigues, da Vitat.

De acordo com a especialista, estudos mais recentes, como o citado, usam wearables com algoritmos que calculam a frequência cardíaca e a curva de aceleração dos batimentos. Desse modo, é possível obter uma análise mais assertiva da intensidade do esforço feito pelos participantes durante os exercícios.

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Atividade física vigorosa e risco de morte: resultados do estudo

No decorrer de um período médio de 5,9 anos, o índice de mortalidade do grupo que não praticou atividade física foi de 4,2%. Já entre aqueles que realizaram até 10 minutos por semana de exercícios vigorosos, esse índice caiu para 2,1%.

E as taxas de mortalidade diminuíram ainda mais conforme os tempos de atividade física vigorosa aumentaram: no grupo que praticou entre 10 e 30 minutos de AFV, esse número diminuiu para 1,8%. Entre 30 e 60 minutos semanais, foi de 1,5%. Os mais ativos, com AFV acima de 60 min/semana, apresentaram índice de mortalidade de 1,1%.

Além disso, os pesquisadores concluíram que apenas 15 minutos de AFV por semana já são capazes de reduzir o risco de morte por complicações cardiovasculares. Por outro lado, quando o assunto é diminuir as chances de morte por câncer, seriam necessários no mínimo 19 minutos de AFV por semana.

Pesquisas anteriores já haviam demonstrado que cerca de 75 a 150 minutos de exercícios físicos vigorosos por semana já poderiam trazer uma série de benefícios à saúde — incluindo uma menor taxa de mortalidade. Esta é, inclusive, a recomendação oficial da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Mas a médica da Vitat explica que o diferencial deste trabalho em questão é justamente o uso do acelerômetro, que torna os dados bem mais precisos. “A quantificação do exercício em vários estudos prévios foi acessada por questionários, e as respostas dos pacientes podem ser imprecisas”, diz.

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Quais os outros benefícios que a prática de esportes pode trazer?

A Dra Monike Lourenço conta que, durante o esforço físico, o gasto energético dos nossos músculos pode aumentar em até 50 vezes. Essa aceleração do metabolismo, então, é acompanhada por aumentos na frequência respiratória (ou seja, trocamos oxigênio e gás carbônico com muito mais rapidez), nos batimentos cardíacos e por adaptações na circulação sanguínea — tudo isso para prover o combustível necessário para os músculos.

Entretanto, todo o organismo sai ganhando, “já que o processo não fica limitado ao músculo. Toda a nossa circulação, em especial a microcirculação (os vasos sanguíneos mais finos, presentes em todos os tecidos), recebe benefícios das adaptações advindas das atividades físicas”, complementa a endocrinologista.

Há, também, a liberação de hormônios que mobilizam estoques de glicogênio e gordura (adrenalina, cortisol, hormônio de crescimento e glucagon) e de hormônios relacionados ao bem-estar (endorfinas), além da redução dos níveis de insulina.

Assim, surgem inúmeras vantagens para o corpo. A Dra cita as principais:

  • Redução do risco de morte por doenças cardíacas;
  • Redução dos níveis de pressão arterial e de colesterol;
  • Controle da glicemia em pessoas com diabetes;
  • Perda e controle de peso;
  • Redução dos níveis de estresse, ansiedade, depressão e insônia;
  • Melhora da massa óssea, reduzindo osteoporose e risco de fraturas;
  • Redução do risco de demência;
  • Prevenção de colelitíase (pedras na vesícula);
  • Redução dos riscos de câncer, como mama e próstata.

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