Dieta para gota: O que comer e o que evitar

7 de dezembro, 2021

Você já ouviu falar na gota? Trata-se de uma doença caracterizada por dor intensa, vermelhidão e sensibilidade nas articulações, muito conhecida por atacar o dedão do pé. Infelizmente, não há uma cura definitiva para a condição, mas mudanças no estilo de vida, como uma alimentação saudável, podem ajudar a prevenir os quadros. Veja, então, qual a dieta ideal para quem tem gota:

O que é a gota?

A gota, como já dito anteriormente, é uma doença caracterizada pela inflamação de uma ou mais articulações. Ela acontece quando há um excesso de ácido úrico no sangue do paciente, que acaba cristalizando em um composto denominado monourato de sódio e vai sendo depositado nas articulações.

O acúmulo desses cristais, por sua vez, gera surtos de artrite aguda nada confortáveis — que geralmente acontecem de repente e à noite. Vale lembrar, entretanto, que apenas 20% das pessoas com ácido úrico elevado na corrente sanguínea vão desenvolver a gota, sendo os homens os mais acometidos.

As causas da doença variam. Ela pode ser o resultado de uma malformação congênita das estruturas responsáveis por eliminar o ácido úrico pelos rins; ou, então, ser gerada por outro tipo de deficiência no organismo que faz com que ele produza muito ácido úrico. Por fim, alguns medicamentos também contribuem para a gota.

Leia também: Ácido úrico alto: O que significa, sintomas e o que comer

Sintomas

Um dos primeiros sintomas é o inchaço no dedão do pé, que costuma doer muito. Ele pode durar alguns dias, desaparecer por completo e voltar alguns meses ou até anos depois — o que faz com que muita gente não procure o médico.

Com o tempo e sem o tratamento correto, os intervalos entre as crises começam a diminuir e os incômodos tornam-se mais intensos. Confira outros sinais do problema:

  • Dores locais nas articulações, no dedão do pé, no joelho, no pé e no tornozelo;
  • Inchaço;
  • Vermelhidão;
  • Sensibilidade ou rigidez no local;
  • Presença de nódulos.

Tratamento

Infelizmente, não há cura para a gota. Contudo, anti-inflamatórios podem aliviar a dor durante as crises, e mudanças no estilo de vida e outros medicamentos ajudam a prevenir o acúmulo de ácido úrico nas articulações. Uma dieta adequada, aliás, é essencial para melhorar a gota. Saiba mais:

Dieta para gota: O que evitar

Antes de tudo, vale entender o que exatamente é essa substância que, quando em excesso, causa a dor aguda.

De acordo com o médico José Carlos Souto, diretor-presidente da Associação Brasileira Low Carb (ABLC), o ácido úrico é um subproduto do metabolismo das purinas, compostos formados por bases nitrogenadas (ou seja, proteínas) presentes no DNA de seres humanos, animais e vegetais. Por isso, as purinas geralmente estão concentradas em alimentos como carnes e frutos do mar. Parte do ácido úrico é eliminado pelos rins através da urina, enquanto o restante permanece circulando pela corrente sanguínea.

Uma dieta rica em açúcares, carboidratos refinados e alguns tipos de proteínas (principalmente as ricas em gorduras saturadas) pode alavancar as taxas dessa substância no sangue. Assim como as bebidas alcoólicas, tanto pelo aumento da produção de urato quanto pela redução da sua eliminação. Por isso, esses alimentos geralmente não são indicados para quem tem gota. Veja mais exemplos para passar longe:

  • Carne vermelha em excesso (principalmente as gordurosas);
  • Marisco, mexilhão, cavala, sardinha, arenque e outros peixes;
  • Drinks, cerveja e vinho;
  • Miúdos: fígado, moela e rins;
  • Refrigerantes e sucos industrializados;
  • Bolachas, biscoitos e doces;
  • Alimentos ultraprocessados e embutidos (salsicha, mortadela, bacon, peito de peru)
  • Frutas muito doces ou muito maduras.

Leia também: Alimentos que ajudam a controlar o ácido úrico

Dieta para gota: O que comer

Estudos têm mostrado que a dieta low carb (isto é, baixa em carboidratos) pode ajudar os pacientes com a condição. Uma pesquisa apresentada em um congresso da American College of Rheumatology, por exemplo, descobriu isso ao testar 74 pacientes com sobrepeso ou com obesidade.

Na pesquisa, os voluntários tiveram que adotar a dieta Atkins (com altas quantidades de proteínas e poucos carboidratos) durante seis meses. Como resultado, todos eles tiveram uma diminuição do nível de ácido úrico no organismo.

A dieta low carb pode ser uma boa ideia para melhorar os sintomas de gota por dois motivos principais. Primeiro porque a estratégia alimentar reduz a ingestão dos carboidratos refinados. Ademais, o cardápio pode diminuir o acúmulo de gordura visceral (entre os órgãos) e reduzir a inflamação crônica do organismo, amenizando, desse modo, as dores.

Então, mesmo sendo uma prática alimentar na qual as proteínas estão até mais presentes, a dieta low carb favorece o emagrecimento. “Assim, com o passar do tempo, os níveis de ácido úrico tendem a se reduzir e a gota tende a desaparecer”, afirma Souto.

No mais, pacientes com o problema são incentivados a adotar um cardápio natural, rico em alimentos in natura e em proteínas magras (ovo, frango sem pele e queijos brancos, por exemplo). Além disso, também é recomendado priorizar alimentos diuréticos, como melancia, pepino, salsão e alho.

Fonte: José Carlos Souto, médico e diretor-presidente da Associação Brasileira Low Carb (ABLC).

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