Chá 50 ervas: Emagrecedor aparentemente inofensivo pode causar falência do fígado

4 de fevereiro, 2022

Recentemente, uma enfermeira de 42 anos, Edmara Silva, precisou ser internada às pressas depois de ingerir um produto conhecido como 50 ervas, espécie de chá emagrecedor. Ela foi diagnosticada com hepatite fulminante e perdeu o fígado.

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Edmara, que não tinha doenças prévias, chegou a passar por um transplante, mas seu corpo rejeitou o novo órgão. Agora, ela espera na UTI por um novo doador. Entenda melhor:

50 ervas emagrecedor: Possíveis efeitos colaterais

O produto, dito como natural, não é aprovado pela Anvisa, mas é vendido na internet e pode ser adquirido com facilidade por menos de cem reais. Na composição, são encontradas ervas como chá verde, carqueja e mata verde. Ingredientes aparentemente inofensivos, mas que podem comprometer o fígado.

De acordo com a gastroenterologista Amanda Morêto, há uma falsa noção de que essas substâncias não precisam de orientação médica e que, portanto, podem ser consumidas livremente. O mesmo acontece com os anabolizantes.

“É importante entender que nem tudo que é natural, faz bem. E o consumo cada vez mais corriqueiro e indiscriminado dessas substâncias pode alterar as enzimas do fígado e causar lesões hepáticas — por exemplo, uma hepatite”, explica Morêto.

Entre as ervas que se mostram danosas ao fígado se ingeridas de forma exagerada, a médica aponta chá verde, carqueja (duas plantas presentes no 50 ervas emagrecedor), sene, cáscara sagrada e chá de cavalinha. “Já todos os anabolizantes, além de terem o uso proibido pelo CFM (Conselho Federal de Medicina), podem causar dano hepático”, ressalta.

Ainda segundo ela, a maioria dos pacientes que faz uso dessas substâncias é assintomática, ou seja, não apresenta sintomas. Desse modo, as consequências só são notadas em alterações laboratoriais. “Porém, em casos mais extremos, podem ocorrer pele amarelada, fadiga, dor no corpo, febre, náusea, vômito e fezes esbranquiçadas. Esses sintomas indicam uma hepatite aguda, que pode ser grave”, diz.

Existe tratamento?

A gastroenterologista ressalta a importância da orientação médica antes de ingerir quaisquer tipos de ervas. Destaca ainda que o tratamento para os problemas gerados pelo uso indiscriminado dessas substâncias consiste unicamente na retirada dos produtos da rotina. “Muitas vezes, entretanto, isso pode não resolver os danos hepáticos, indicando uma lesão mais crônica irreversível e levando, a longo prazo, à cirrose.”

Fonte: Amanda Morêto, médica gastroenterologista da GastroVita Araraquara e do Hospital Estadual de Américo Brasiliense. É professora da Universidade de Araraquara (Uniara).

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