Hepatite crônica: Entenda o que é, causas e tratamentos

6 de agosto, 2021

A hepatite crônica é definida como uma inflamação do fígado que dura pelo menos seis meses e que pode acometer a pessoa por anos. É menos frequente que a hepatite viral aguda e pode causar sintomas muito leves em boa parte dos pacientes, passando quase despercebida. Há casos, porém, em que os sintomas são mais graves, chegando a causar deterioração do fígado e cirrose por conta da inflamação contínua.

Entre as causas mais comuns da doença estão os vírus da hepatite B e C, alto consumo de álcool e alguns medicamentos tomados por longo período, como isoniazida, nitrofurantoína e metildopa. Para se ter ideia, a hepatite B costuma se tornar crônica em até 90% dos casos de recém-nascidos infectados e entre 25% e 50% das crianças. Já a hepatite C torna crônicos ao menos 75% dos casos. No caso do álcool, a doença costuma estar relacionada ao excesso de consumo de bebida por anos.

“As hepatites B e C são as principais causas de cirrose no Brasil e no mundo. A cirrose, por sua vez, está atrelada à alta morbidade e mortalidade, além de agregar um custo significativo ao sistema público e privado de saúde por conta do tratamento. Com a detecção precoce, é possível curar boa parte dos casos ou prevenir a evolução para a cirrose”, explica o médico infectologista e CEO da Hilab, Bernardo Almeida.

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Como se proteger da hepatite crônica

A prevenção da hepatite crônica requer atenção às causas mais comuns da doença. Isso significa fugir do consumo excessivo de álcool, tomar medicamentos apenas sob acompanhamento médico e evitar o contágio pelas hepatites B e C.

No caso da hepatite B, trata-se na maior parte das vezes de uma infecção sexualmente transmissível, mas pode ser transmitida por outras formas, como hemocomponentes, compartilhamento de material cortante não esterilizado ou da mãe para o filho. “A prevenção mais efetiva é através da vacinação, que atualmente está contemplada no programa nacional de vacinação (PNI). Além disso, é essencial o uso de preservativos, esterilização de material cortante, avaliação de hemocomponentes antes da transfusão e procedimentos durante a gestação/parto que evitam a transmissão materno-fetal”, informa o infectologista.

“Já a hepatite C é transmitida por mecanismos muito semelhantes, porém não há vacina para esse vírus, impossibilitando a prevenção dessa forma. Mas valem os métodos de prevenção das demais formas descritas para a hepatite B”, conclui.

Sintomas e detecção da doença

A hepatite crônica muitas vezes não é percebida até que danos sérios ao fígado tenham ocorrido. Em cerca de 30% das pessoas acometidas pela doença, não há características de distúrbio hepático até que se note a presença de cirrose. Ainda assim, vale atentar para sintomas como fadiga excessiva e mal-estar, icterícia e falta de apetite.

Alguns exames ajudam a detectar os vírus de hepatite B e C e oferecem resultados rápidos. “Há teste sorológico para a hepatite B (anti-Hbs) e hepatite C (anti-HCV), além do teste de antígeno para a detecção da hepatite B (HbsAg). Todos eles são tradicionalmente utilizados para rastreamento, cujos resultados podem sair em 15 minutos.”

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Tratamento

Quanto antes detectada a hepatite crônica, mais rápido o acompanhamento começa para que os sintomas não se agravem. O tratamento varia de paciente para paciente, dependendo do estágio da doença e das lesões no fígado. Dependendo do caso, podem ser usados medicamentos para diminuir a inflamação, assim como retrovirais. Em casos graves, pode até haver até a recomendação de transplante de fígado.

Fonte: Bernardo Almeida, médico infectologista e CEO da Hilab.

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