Como tirar e armazenar o leite materno com segurança?

Gravidez e maternidade Saúde
11 de Julho, 2024
Como tirar e armazenar o leite materno com segurança?

Recomendada de maneira exclusiva até os seis meses de vida do bebê – e até os dois anos de forma complementar –, a amamentação traz inúmeros benefícios para a saúde do pequeno e para o vínculo entre a criança e a mãe. Em algumas situações, no entanto, é necessário tirar o leite materno e armazená-lo para momentos futuros. Esse processo pede alguns cuidados de higiene a fim de evitar contaminações. Entenda melhor:

Afinal, por que tirar o leite materno?

Fazer a retirada com certa frequência do leite materno pode ser vantajoso por diversos motivos:

1 – Estimula a produção do leite

A Dra Carolina Curci, médica ginecologista e obstetra, explica que as mamas das recém-mamães funcionam mais como uma fábrica de leite do que como apenas um estoque do líquido. Desse modo, quanto mais estiverem ativas e forem estimuladas, mais leite elas irão produzir. Uma das formas de fazer isso é com a chamada ordenha.

2 – Alivia desconfortos nas mamas

O ingurgitamento mamário (também conhecido como leite empedrado) acontece quando há uma retenção prolongada de grandes quantidades de leite nos seios. Esse líquido, quando acumulado, torna-se mais viscoso do que o normal, provocando desconfortos como inchaço, dores, vermelhidão e até mastite (infecção das glândulas mamárias).

Tirar o leite materno com frequência ajuda a evitar o problema, além de tornar a região do mamilo e da aréola mais macia, facilitando as mamadas pelo bebê e prevenindo rachaduras e sangramentos potencializados pela pega incorreta.

3 – É uma ótima estratégia para momentos como o retorno ao trabalho

As mulheres que precisam se ausentar por longos períodos (como em casos de retorno ao trabalho) veem no armazenamento do leite uma ferramenta que facilita (e muito) a rotina. Assim, quem estiver cuidando do pequeno enquanto a mãe está fora pode oferecer o alimento nas situações de fome.

Além disso, outra função importante da ordenha é auxiliar em momentos de dificuldade na amamentação. “Se o bebezinho não estiver conseguindo mamar, ou for prematuro, esse é um modo de ajudar o seu filho a se alimentar e a ingerir o melhor alimento que existe para ele, que é o leite materno”, complementa a especialista.

4 – Permite a doação

Se a sua produção de leite for mais do que suficiente para nutrir o seu bebê, o líquido excedente pode contribuir para a nutrição e a saúde de outras crianças! Diversos hospitais (públicos e privados) contam com bancos de leite que recebem doações frequentes.

O alimento doado é oferecido a bebês hospitalizados, geralmente aqueles que nasceram prematuros e com baixo peso.

Leia também: Desafios do puerpério: nasce um filho, surge uma mãe

Como tirar o leite materno? Cuidados com os seios e com a higiene

Carolina Curci afirma que o principal cuidado que a mulher deve ter na hora de extrair o leite é com relação à higiene. “Se você tiver condições financeiras, use uma máscara para que não caiam gotículas de saliva enquanto você está fazendo a retirada”, recomenda.

Outro conselho da médica é utilizar toucas na cabeça para evitar que fios de cabelo e outras secreções (como suor e descamação do couro cabeludo) contaminem o líquido. “E lave as mãos e os antebraços (até a altura do cotovelo) antes de realizar o procedimento.”

Para a ordenha, você pode optar pelo método manual (com as mãos), ou contar com a ajuda de bombas (manuais ou elétricas). “A diferença entre eles está mais na parte física, porque a bombinha faz essa função de aperto nas mamas, cabendo a você apenas segurar o aparelho”, explica.

Se a extração for manual, tenha suavidade na hora de pressionar os mamilos. “Você não precisa colocar muita força para não machucar e não fazer fissura. No caso da bombinha, é só posicionar corretamente na hora de acoplar a bomba com o bico.”

Confira outras dicas importantes retiradas do site da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP):

  • Lave as mamas apenas com água – e seque-as com uma toalha limpa;
  • Escolha um lugar confortável, limpo e tranquilo;
  • Massageie um pouco a mama com as pontas dos dedos antes de começar;
  • Despreze os primeiros jatos de leite – por ficarem mais próximos ao ambiente externo, pode haver risco de contaminação;
  • Evite conversar durante o processo.

Leia também: Grávida pode comer sushi?

Armazenamento e congelamento

Por fim, o correto armazenamento do leite materno também faz toda a diferença na hora de garantir mais segurança ao pequeno. Carolina Curci indica recipientes de vidro hermeticamente fechados, previamente esterilizados em banho-maria e secos de boca para baixo em papéis-toalha limpos.

“Hoje, a gente sabe que existem produtos que facilitam a vida, como os saquinhos que já vêm com espaços para você escrever a data e o horário da retirada. Na hora de armazenar, coloque na parte central da geladeira. Você pode congelar em até, no máximo, 12 horas – sempre mantendo refrigerado”, diz a médica.

De acordo com a SBP, leite humano ordenhado congelado pode ser estocado por um período máximo de 15 dias a partir da data da coleta, se for mantido em temperatura máxima de -3 °C. Já depois de descongelado, ele pode ficar na geladeira, em temperatura máxima de 5 °C, por até 12 horas.

Fonte/referência: Dra Carolina Curci, médica ginecologista e obstetra; e Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Sobre o autor

Redação
Todos os textos assinados pela nossa equipe editorial, nutricional e educadores físicos.

Leia também:

Ozempic, Wegovy e Mounjaro
Saúde

Ozempic, Wegovy e Mounjaro: endocrinologista explica diferenças

Como as chamadas "canetas emagrecedoras" atuam contra o diabetes e obesidade?

Mulher grávida ao lado de um médico, que está olhando uma prancheta, explicando as doenças mais comuns na gravidez
Gravidez e maternidade Saúde

7 doenças mais comuns na gravidez e como identificá-las

As alterações da gravidez podem enfraquecer o sistema imunológico da mulher, tornando-a mais propensa a doenças e infecções comuns no período

Creatina na menopausa
Alimentação Bem-estar Saúde

Creatina na menopausa: suplemento ameniza efeitos e promove bem-estar

A suplementação surge como uma alternativa promissora para combater os efeitos negativos da menopausa e promover o bem-estar feminino