Queloide: o que é, sintomas, tratamentos e causas

3 de agosto, 2022

Após um corte, machucado, cirurgia ou queimadura, algumas pessoas sofrem uma reação da pele que atrapalha a formação de um novo tecido. Essa manifestação que não cura a ferida e desenvolve um crescimento anormal de um tecido é chamada de queloide

Entenda melhor sobre essa cicatriz que possui várias causas, inclusive predisposição genética. Confira a seguir!

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O que é queloide?

Para explicar o que é queloide, nós conversamos com a Dra. Leandra d’Orsi Metsavaht, médica dermatologista e representante da SBD – Sociedade Brasileira de Dermatologia. De acordo com a especialista, trata-se de uma cicatriz que não para de crescer e ultrapassa os limites da cicatriz cirúrgica, muitas vezes formando um nódulo doloroso. 

O crescimento anormal de tecido cicatricial se forma no local de um traumatismo, corte ou cirurgia de pele. Felizmente, é uma alteração benigna, ou seja, não causa nenhum risco à saúde, ocasionando a perda dos mecanismos de controle que normalmente regulam o equilíbrio do reparo e regeneração de tecidos.

O que causa essa reação na pele?

Segundo a dermatologista, o queloide pode surgir desde pequenos traumas, como um corte ou uma espinha, até após uma cirurgia, por exemplo. Além disso, existem outras causas que explicam o surgimento do queloide, como a predisposição genética. Além disso, estudos médicos apontam que pessoas com pigmentação mais escura, pessoas negras e asiáticas são mais propensas a desenvolver esse tipo de cicatriz.

Apesar de o queloide ser mais comum em afro descendentes e asiáticos, a representante da SBD informa que qualquer pessoa pode desenvolver esse problema. Aliás, a idade média para o seu aparecimento é entre 10 a 30 anos, portanto, pessoas em extrema idade raramente desenvolvem essa cicatriz que cria uma saliência espessa na pele.

Quais os sintomas?

De acordo com a Dra. Leandra d’Orsi Metsavaht, os principais sintomas de um queloide são dor, ardor e coceira leve. Algumas pessoas podem até sentir uma sensação de queimação ao redor da cicatriz. Além disso, alguns sintomas dependem do local afetado, que podem causar a limitação do movimento ou dor na movimentação.

Esse tipo de cicatriz possui um relevo, similar a um calombo, e pode mudar a tonalidade da pele no local infectado pelo queloide para os tons vermelhos ou castanhos. Normalmente, os sintomas desse problema são leves, mas existem casos que podem ser mais sérios, como o aumento da dor e muita sensibilidade no local. 

Como é o diagnóstico de queloide?

A especialista informa que o diagnóstico de queloide é realizado através do exame clínico pelo médico. Dessa forma, durante a consulta médica, o profissional pode realizar o diagnóstico de queloide por meio da observação da lesão. É muito comum o especialista não conseguir diferenciar o queloide de uma cicatriz hipertrófica, um tipo de cicatriz que fica um pouco endurecida, mais alta ou grossa. No entanto, ao contrário dos queloides, a hipertrófica não se limita à área da cicatriz e pode não regredir com o tempo.

Quais os tratamentos para o queloide? 

As pessoas precisam ter alguns cuidados especiais para evitar o desenvolvimento do queloide, que pode surgir após cortes, cirurgia, acne, tatuagens, marcas de vacinas e colocação de piercings no nariz e na orelha, por exemplo.

Segundo a dermatologista consultada, os possíveis tratamentos para esse tipo de cicatrização são: 

  • Géis;
  • Placas de silicone;
  • Curativo hidrocoloide;
  • Infiltrações de medicamentos;
  • Lasers;
  • Peelings;
  • Microagulhamento;
  • Criocirurgia;
  • Nova cirurgia.

Também é possível aplicar uma injeção de corticoide diretamente no tecido da cicatriz para diminuir a inflamação local, tornando a cicatriz mais plana. Geralmente, o médico pode recomendar aplicar esse tipo de injeção em 3 sessões com intervalo de 4 a 6 semanas entre cada uma.

Como prevenir o queloide? 

É possível prevenir o queloide se a pessoa observar e cuidar dos processos de cicatrização de pequenos machucados, feridas, perfurações no corpo e cicatrizes cirúrgicas. “A técnica cirúrgica é muito importante, respeitando as linhas de tensão da pele, utilizando a sutura e o fio adequado, removendo os pontos dentro do tempo correto”, detalha a dermatologista.

Além disso, a Dra. Leandra d’Orsi Metsavaht lembra que caso o paciente tenha histórico familiar ou pessoal de queloide, é necessário ponderar se a cirurgia realmente é fundamental. “Lasers e infiltrações com medicamentos podem ser avaliados pelo médico dermatologista para melhorar cicatrizes”, aconselha. 

O que fazer para o queloide não crescer? 

Infelizmente, o queloide pode crescer sobre a pele de maneira desordenada como se fosse um tumor de cicatriz, mas benigno. A recomendação da especialista é procurar um dermatologista o mais rápido possível para realizar um diagnóstico e iniciar algum tipo de tratamento. Entre as especialidades que podem diagnosticar um queloide estão os médicos da clínica médica e dermatologia.

Pode estourar o queloide? 

Existem alguns mitos populares sobre a perfuração do queloide, mas a dermatologista não recomenda estourar: “mas pode sair uma secreção esbranquiçada de forma espontânea”. Quando o local de uma cicatriz está infeccionado, o inchaço se espalha por toda a região, gerando muita dor e eventualmente liberação de pus.

A pele com a cicatriz de queloide pode pegar sol?

O ideal é não expor o queloide à radiação do sol e usar filtro solar para evitar o escurecimento do local. Além disso, também é importante usar um produto de amplo espectro e com FPS 30, no mínimo. Inclusive, dependendo da parte do corpo com a cicatriz, é essencial usar barreiras físicas, como chapéus, óculos escuros e roupas com proteção UV.

Quais possíveis complicações? 

Segundo a Dra. Leandra d’Orsi Metsavaht, as complicações mais comuns em quem tem queloide são dor e desconforto local e estético, afetando a qualidade de vida do paciente. “Lembrando que se o queloide atingir uma articulação, pode afetar a mobilidade da mesma”, reforça a especialista.

Afinal, queloide tem cura? 

Por fim, a dermatologista conta que o queloide não tem cura, mas é possível melhorar os sintomas com tratamento que podem durar alguns meses. Apesar de algumas cicatrizes queloidianas reduzirem lentamente ao longo dos anos, elas podem voltar a aparecer. Portanto, a melhor saída é sempre tratar o problema com um médico especialista para diminuir a dor e o incômodo físico e mental.

Fonte: Dra. Leandra d’Orsi Metsavaht, médica dermatologista e representante da SBD – Sociedade Brasileira de Dermatologia.

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