Cicatriz hipertrófica: o que é, como surge, tratamentos e cuidados

1 de agosto, 2022

Após um corte, machucado ou queimadura, a reação da pele pode ser observada por dois jeitos: se forma um novo tecido e a ferida é curada ou caso sofra alterações que podem originar uma cicatriz hipertrófica. Neste artigo, vamos falar tudo sobre esse segundo tipo! Confira a seguir:

O que é cicatriz hipertrófica?

Para explicar o que é a cicatriz hipertrófica, nós conversamos com o Dr. Juliano Pereira, cirurgião plástico e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

Segundo o especialista, a cicatriz hipertrófica é aquela que está elevada em relação à pele normal e que pode acontecer de duas formas: ou após uma cicatriz cirúrgica, em que um corte é provocado, ou em decorrência de qualquer outro processo cicatricial.

Geralmente, essas cicatrizes são altas e grossas, por vezes escuras, e causam certa preocupação em muitas pessoas. Isso porque quem possui uma cicatriz hipertrófica não sabe que é possível ela aparecer após um simples corte ou uma cirurgia que precisava ser feita.

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Como surge este tipo de cicatriz?

As cicatrizes hipertróficas surgem após um corte provocado por uma cirurgia ou um machucado mais profundo, como citado acima. No entanto, muitos podem não saber como elas se formam e, por isso, nós explicaremos a seguir. 

Esse tipo de cicatriz é causado pelo desordenamento de colágeno durante o processo de cicatrização da ferida, então pode surgir em qualquer indivíduo ou região do corpo. 

Sendo assim, durante o processo de regeneração da pele, há a necessidade de reparação das fibras de colágeno, que são responsáveis pela resistência e flexibilidade. Logo, nesse período, o nosso corpo passa a produzir a fibra, mas a produção desordenada de colágeno causa as cicatrizes hipertróficas.

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A cicatriz hipertrófica coça?

De acordo com o cirurgião plástico consultado, a cicatriz hipertrófica pode coçar, sim. Porém, ela varia de caso para caso. 

Em algumas pessoas com esse tipo de cicatriz não é comum coçar. No entanto, o prurido (coceira) pode estar relacionado ao ressecamento da cicatriz e pode ser evitado com hidratantes comuns ou siliconados.

Além de coçar, alguns pacientes com cicatriz hipertrófica também podem reclamar de dor, vermelhidão na região e mudança da tonalidade da pele, tornando-se mais escura.

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Quais cuidados são necessários com este tipo de cicatriz?

Para o membro titular da SBCP, os cuidados em relação a cicatriz hipertrófica são: 

  1. Tratamento local com pomadas cicatrizantes; 
  2. Curativo com fitas de silicone; 
  3. Uso de betaterapia (tratamento realizado com uma placa metálica radioativa);
  4. Realização de ressecção cirúrgica da cicatriz.

Nesse último caso, se a pessoa com a cicatriz hipertrófica optar pela ressecção cirúrgica, é importante saber que irá trocar uma cicatriz por outra. Isso porque a técnica remove cirurgicamente parte de um tecido, estrutura ou órgão.

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Como posso identificar uma cicatriz hipertrófica?

De acordo com o Dr. Juliano, deve-se observar um padrão elevado para identificar esse tipo de cicatriz. “Portanto, o paciente precisa passar o dedo por cima da cicatriz e sentir se está mais elevada e um pouquinho mais alargada”, ensina o especialista. 

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Quais são os principais tratamentos?

Além dos principais tratamentos para a cicatriz hipertrófica, como as fitas de silicone, pomadas e injeções com corticoides, também existe a possibilidade da realização de uma cirurgia plástica.

No entanto, especificamente à cirurgia plástica, o especialista consultado informa que a cicatriz hipertrófica pode atrapalhar bastante no resultado. “Então, nós precisamos fazer as prevenções adequadas, como a betaterapia. No caso da cicatriz hipertrófica de cesárea também. Mas quando ela é um cordão fibroso e está muito grave, pode-se aplicar injeção de corticoide para melhorar”, lembra o médico.

No entanto, o padrão ouro de tratamento é a ressecção cirúrgica, segundo o Dr. Juliano Pereira: “já que vai trocar uma cicatriz pela outra e, então, podemos utilizar ou não a betaterapia após essa nova intervenção”.

Qual pomada deve ser usada para esta cicatriz?

Existem algumas opções no mercado, como a contractubex, que podem funcionar dependendo da intensidade da cicatrização hipertrófica e se usadas de forma correta. 

Afinal, essas pomadas possuem corticoides em suas composições, derivado sintético do hormônio corticossuprarrenal, capaz de impedir a proliferação irregular do colágeno, ou seja, inibir o crescimento das cicatrizes.

No entanto, um especialista deve indicar esse tratamento, já que o seu uso precisa de algumas considerações como não ter a região exposta pelo sol.

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Afinal, existe alguma forma de prevenção?

Uma alternativa é realizada pela intervenção fisioterapêutica, que contribui na prevenção da ocorrência e também com o tratamento da cicatriz hipertrófica. Existem técnicas específicas para restaurar a mobilidade tecidual e diminuir as tensões ao redor da cicatriz e, consequentemente, contribuir para que esse tipo de cicatriz não apareça.

Portanto, nesse caso, é necessário buscar o tratamento e as orientações de um fisioterapeuta.

Outros tipos de cicatrizes semelhantes à hipertrófica

Além da cicatriz hipertrófica, existem outros tipos de cicatrizes que muitas vezes são confundidas entre si. Saiba a diferença entre elas: 

  • Cicatriz hipertrófica: para não restarem dúvidas, ela ocorre quando o corpo produz colágeno de forma desorganizada e deixa uma marca mais elevada em relação à pele ao redor.
  • Atrófica: também conhecida como cicatriz deprimida, ela surge quando acontece o desenvolvimento de um tecido cicatricial com aparência afundada em relação à pele circundante. Nesse caso, há perda de estruturas que oferecem apoio e firmeza à pele. 
  • Queloides: muito confundida com a cicatriz hipertrófica, a queloide se estende além dos limites da cicatriz e não regride com o tempo. Ela é mais comum no ombro, tórax e orelha.
  • Normotrófica: acontece quando a pele recupera a aparência de antes do ferimento, comum em machucados leves. Em suma, a pele volta quase 100% a ser o que era antes.

Fonte: Dr. Juliano Pereira, cirurgião plástico e membro titular da SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica).

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