Cirurgia ortognática: tudo sobre o procedimento e quando fazer

6 de junho, 2022

Muitas pessoas sofrem distúrbios variados na mordida, articulações e respiração devido à anatomia do maxilar. No entanto, algumas disfunções influenciam também na estética facial, o que pode abalar a autoestima. Dessa forma, a cirurgia ortognática torna-se uma alternativa para melhorar a qualidade de vida em todos os aspectos. A seguir, veja como funciona e em quais casos a intervenção é indicada.

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O que é a cirurgia ortognática?

De acordo com a cirurgiã-dentista Fernanda Oliani Marur, a cirurgia ortognática é uma técnica útil para reparar alterações de crescimento ósseo das arcadas superior e inferior do rosto, chamadas anomalias dentofaciais. “Como resultado, a pessoa obtém melhorias na condição respiratória, fonatória, na eficiência da mastigação e a transformação do perfil facial”, pontua.

Classes de ortognática

Embora proporcione ótimos resultados na aparência estética e funcional, a cirurgia ortognática precisa de recomendação médica. Para isso, o dentista se baseia em três tipos de classes ortognáticas, que ajudam a identificar o nível de alteração de cada pessoa. “Essa classificação serve basicamente para mostrar como as arcadas dentárias se relacionam uma com a outra e definir o tipo da intervenção cirúrgica”, explica a especialista.

Cirurgia ortognática classe I

É a menos complexa de todas. Segundo Fernanda, esse tipo aponta o posicionamento correto da maxila e da mandíbula, com dentes e mordida alinhados. “Mas, ainda assim, esse paciente pode apresentar pequenas deformidades nos ossos da face. Em alguns casos, a cirurgia nem é necessária. A não ser que o profissional e o paciente cheguem à conclusão de que os aspectos facial e funcional são significativos e demandam mudanças”, comenta.

Classe II

Ocorre quando a arcada dentária superior está à frente da mandíbula, resultante do desenvolvimento maior da maxila em relação à mandíbula. Em outras palavras, é o maxilar de cima muito à frente dos dentes de baixo, dando a impressão de retração do queixo.

Classe III

Nessa situação, mandíbula e arcada dentária inferior estão à frente da maxila. Logo, é o oposto da classe II: o indivíduo apresenta o queixo muito pronunciado em relação à parte superior da arcada.

Quando a cirurgia ortognática é indicada?

cirurgia ortognática

No próprio consultório, o dentista verifica alguns pontos, como dificuldade para fechar os lábios, encaixe inadequado dos dentes, “sorriso torto” (exemplo acima) e o posicionamento do maxilar — se o queixo está muito à frente ou atrás e outras deformidades. Em conjunto, o profissional pede exames de imagem para fechar o diagnóstico condizente com o perfil da pessoa. Com essas informações, é possível indicar a cirurgia, que inspira alguns cuidados prévios. É importante ressaltar que esse procedimento geralmente é feito em adultos, em casos que só o uso de aparelho ortodôntico não é o suficiente, pois a estrutura óssea está formada. “Mas em algumas situações recomendamos o aparelho antes da cirurgia, pois ele serve de tratamento preparatório”, acrescenta a dentista.

Como é feita

O procedimento é realizado em centro cirúrgico, com uso de anestesia geral. A princípio, a cirurgia dura entre 3 e 4 horas. Nesse período, o cirurgião realiza cortes no interior da boca para reposicionar o maxilar com o auxílio de fraturas e placas de titânio que firmam esse realinhamento.

Qual o profissional que faz a cirurgia?

Normalmente, é um cirurgião dentista com experiência em cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial. Porém, um cirurgião plástico também pode participar do procedimento, sobretudo se envolver uma segunda intervenção, como a rinoplastia. Afinal, algumas mudanças na mandíbula podem interferir na posição do nariz.

Exames e cuidados antes e depois do procedimento

Assim como em toda cirurgia, os exames pré-operatórios são fundamentais para garantir a segurança do indivíduo ou detectar possíveis imprevistos de saúde. Nessa lista, estão:

  • Exames de sangue (coagulograma e hemograma).
  • Urina e função renal.
  • Risco cirúrgico.
  • Eletrocardiograma.
  • Radiografia tomografia da face.

Após a cirurgia, o paciente fica internado por um ou dois dias até receber alta. Apesar de não deixar cicatrizes superficiais, o trauma cirúrgico é delicado. “Inchaço, dor, dificuldade na fala e ao engolir e sensação de formigamento na face são reações esperadas. Também há queixas de coágulos no nariz, da utilização dos elásticos que auxiliam na manutenção do posicionamento cirúrgico, além da dificuldade na higienização dos dentes”, relata Fernanda.

Outro desconforto é a alimentação completamente pastosa por até 60 dias, já que é difícil mastigar corretamente nesse período sem sentir dor. Por sua vez, é possível retornar às atividades do dia a dia, como trabalhar e dirigir, após 15 dias. Todavia, a recomendação varia de acordo com a conduta de cada profissional. Portanto, respeite todas as orientações e os horários dos medicamentos prescritos.

Complicações da cirurgia ortognática

Mesmo com a segurança do ambiente cirúrgico, às vezes há risco de complicações. Por exemplo, infecções, hemorragias, reações ao medicamentos são situações pouco comuns, mas acontecem e a equipe médica precisa monitorar e controlar o quadro.

Dá para fazer a cirurgia de forma gratuita?

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece o tratamento sem custos, desde que haja comprovação de malformações funcionais. Caso seja estritamente estética, o procedimento não tem cobertura gratuita. Em contrapartida, alguns planos de saúde cobrem o serviço ou dão a possibilidade de reembolso, dependendo do tipo de convênio.

Fonte: Fernanda Oliani Marur, cirurgiã-dentista e consultora técnica da Oral Sin.