Manchas na pele negra: causas, cuidados e tratamentos

21 de março, 2022

As manchas na pele negra após machucados ou inflamações (acne e foliculite, por exemplo) são bem comuns por causa da maior concentração de melatonina. “Assim como o melasma”, explica a dermatologista Lilia Guadanhim, de São Paulo, doutora pela Unifesp e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). O melasma é uma alteração na coloração da pele que atinge mais mulheres do que homens.

Manchas na pele negra

A cicatrização leva a melanina, que é a proteína que dá cor à pele e a protege contra os raios solares, a “cair” para as camadas mais profundas da pele. Por isso, a pele negra possui maior tendência a ter manchas depois de qualquer problema.

“O escurecimento de áreas como axila, virilha e região cervical também é comum nesses pacientes. E pode ser constitucional ou relacionado a irritações ou alterações no metabolismo do açúcar”, diz a médica. Segundo ela, o tratamento varia conforme o tipo de mancha.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (Regional Rio de Janeiro) elenca que a prevenção pode incluir o uso de antioxidantes, como a vitamina C, e de produtos à base de ácidos glicólico e kójico.

O tratamento pode ser com peeling químico, microagulhamento e laser. Ele pode até depender de avaliação individual, mas a dermatologista Lilia é categórica: o filtro solar é para todas. O produto controla a produção de melanina e previne a formação de manchas.

“O uso de filtro solar é importante em qualquer pessoa acima dos 6 meses de idade. A recomendação do Consenso Brasileiro de Fotoproteção é que os filtros tenham fator de proteção solar (FPS) mínimo de 30 e amplo espectro, incluindo proteção contra radiação UVA”, alerta a especialista.

“Vale ressaltar que, na população negra, é especialmente interessante o uso de filtros com cor. Isso porque os produtos acrescentam proteção contra luz visível (claridade do sol) e são importantes para a prevenção e o tratamento de manchas”, destaca Lilia.

Oleosidade

A pele negra também tem mais tendência à acne. O que pode piorar o quadro de manchas, principalmente se a pessoa tem a mania de tentar remover cravos e espinhas com as unhas. Esse hábito, além de levar bactérias ao rosto, pode provocar ferimentos. Por isso, é importante controlar o excesso de oleosidade com produtos específicos, recomendados pelo dermatologista.

Quando as manchas na pele negra são sinal de alerta máximo?

O câncer de pele é o mais frequente no Brasil. Embora tanto o não melanoma quanto o melanoma (mais agressivo) sejam mais raros entre as pessoas de pele negra, os casos ainda podem aparecer. “Não estão totalmente protegidos do sol e podem, sim, desenvolver cânceres de pele como melanoma e carcinoma espinocelular”, diz Lilia.

Nas pessoas de pele negra, o câncer de pele melanoma é mais em comum em áreas mais claras, como palmas das mãos e plantas dos pés. “O melanoma é mais raro, mas também muito mais agressivo, então, é necessário ter atenção.”

As lesões cancerosas do tipo melanoma podem surgir na pele normal ou a partir de uma lesão pigmentada, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). “A manifestação da doença na pele normal se dá após o aparecimento de uma pinta escura de bordas irregulares, acompanhada de coceira e descamação. Em casos de uma lesão pigmentada pré-existente, ocorrem aumento no tamanho, alteração na coloração e mudanças na forma da lesão, que passa a apresentar bordas irregulares”, alerta a entidade.

Já o do tipo não melanoma, bastante ligado ao sol e por isso mais comum no rosto, pescoço e orelhas, apresenta-se com manchas que coçam, ardem, descascam ou sangram e feridas que não cicatrizam.

Visita ao médico é essencial

Mesmo sem qualquer sintoma, a recomendação é visitar o dermatologista com frequência e seguir as recomendações para prevenir manchas na pele e tratar qualquer problema mais sério – em qualquer caso, a detecção precoce proporciona um tratamento mais tranquilo e menos invasivo. Além disso, o filtro solar deve se tornar um aliado de sempre, com várias reaplicações ao longo do dia.

Fontes: Lilia Guadanhim, de São Paulo, doutora pela Unifesp e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD); Instituto Nacional do Câncer (INCA) e Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional Rio de Janeiro.

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