Endometriose e sintomas intestinais: como alimentação influencia a questão

Alimentação Bem-estar
18 de Agosto, 2022
Endometriose e sintomas intestinais: como alimentação influencia a questão

Se você convive com a endometriose, já deve ter escutado que a alimentação pode influenciar os sintomas da condição – é o caso de alguns incômodos intestinais, por exemplo, que geralmente surgem nas pacientes. Entenda melhor a seguir:

O que é a endometriose?

De acordo com a médica ginecologista Dra Vanderléa Coelho, a endometriose acontece quando as células da camada interna do útero (chamada de endométrio) crescem além do órgão e vão se multiplicar em outros locais, como intestino, em torno da bexiga, nas alças intestinais, nos ovários ou até em toda a região pélvica.

“O problema é que o corpo reage. O nosso organismo percebe que aquelas células não deveriam estar lá, provocando uma reação inflamatória”, diz a especialista. Isso gera consequências nada agradáveis, como:

  • Cólica forte;
  • Dor na relação sexual;
  • Além disso, menstruação alterada (fluxo intenso e irregular);
  • Mudanças no padrão da micção (xixi);
  • Humor inconstante;
  • Constipação e gases;
  • Por fim, dores no ciático, no pé e no ombro.

Com diferentes graus de evolução e complicação, a doença pode evoluir para quadros de infertilidade. “Vale ressaltar que esses sintomas podem passar sem diagnóstico correto quando a endometriose não está no radar da mulher ou do profissional de saúde. Por isso, é preciso estar alerta”, ressalta a especialista.

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Endometriose, alimentação e sintomas intestinais: relações

Os alimentos têm um papel muito importante na diminuição da inflamação do corpo e, consequentemente, no alívio dos sintomas da endometriose. Contudo e infelizmente, o contrário também é válido: aqueles itens considerados pró-inflamatórios, isto é, que estimulam a inflamação, podem piorar o quadro.

A médica cita o exemplo da dieta rica em carboidratos refinados, como açúcares, pães, massas e biscoitos. “Os açúcares e os carboidratos refinados causam uma inflamação crônica sistêmica no organismo. Ou seja, quanto maior a ingestão desses itens, maiores as chances de desenvolver e piorar a endometriose.”

Em algumas pessoas, o glúten presente no trigo e a proteína do leite de vaca também geram sintomas intestinais. “Eles chegam ao nosso intestino agredindo a membrana intestinal, permitindo, desse modo, que o nosso corpo passe a absorver várias substâncias impróprias, tais como metais pesados e elementos tóxicos da alimentação, piorando a resposta inflamatória”, explica a Dra Vanderléa Coelho.

Mas é claro que essa questão varia de pessoa para pessoa. “Cada mulher vai responder de uma forma, umas vão tolerar mais, e outras menos. Isso é a individualidade biológica”, complementa.

Além disso, ela destaca a relação entre a endometriose e o estresse. “Com a sobrecarga mental e de tarefas que as mulheres vivem atualmente, desde muito jovens, o estresse e a ansiedade colaboram para o avanço da endometriose com a redução do sistema imune.”

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Os carboidratos fermentáveis também contribuem para a questão?

De maneira geral, não. “Os fermentáveis dependem da reação de cada corpo, ou seja, da capacidade de fermentação de cada um”, explica a médica.

Esses carboidratos podem ser de difícil digestão para algumas pessoas (monossacarídeos, dissacarídeos, oligossacarídeos e polióis). Assim, esses alimentos, apesar de nutritivos, têm uma característica osmótica (absorvem água) e fermentativa, piorando sintomas de gases e estufamento.

Por fim, a Dra dá algumas dicas para lidar com o problema:

  • Foque sempre em um estilo de vida saudável;
  • Gerencie seu estresse;
  • Invista em um sono de boa qualidade, pois dormir bem é fundamental para o reparo celular do organismo;
  • Exercite-se de maneira regular;
  • Por fim, adote uma alimentação equilibrada, com boas proteínas, boas gorduras e bons carboidratos.

Contudo, caso tenha algum dos sintomas citados acima, converse com seu médico para uma avaliação direcionada.

Fonte: Dra Vanderléa Coelho, médica ginecologista e autora do livro “Viva sem sofrer na menopausa”, da Editora Pandorga.

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