Como funciona o cardápio da pessoa com diabetes?

25 de março, 2022

A preocupação com a alimentação equilibrada é importante para todas as pessoas. Contudo, o cardápio de quem convive com condições como o diabetes pede alguns cuidados específicos a mais. Entenda tudo sobre:

Como funciona o cardápio de quem tem diabetes?

Primeiramente, é preciso destacar: pacientes com a condição precisam realizar o acompanhamento médico e/ou nutricional, principalmente se fizerem uso de alguma medicação para controlar a glicemia (nível de glicose, ou açúcar, no sangue).

Em linhas gerais, o ideal é apostar em um cardápio mais natural possível. “Com menos produtos refinados, industrializados e empacotados. Ao passo que a prioridade deve ser consumir ingredientes naturais e integrais”, explica a nutricionista Dayse Paravidino. Por isso, preparar a própria comida em casa e com antecedência facilita muito.

Ademais, a pessoa com diabetes precisa estar atenta à carga de carboidratos dos alimentos a fim de evitar excessos. Isso porque o açúcar não é o único capaz de promover picos de glicose na corrente sanguínea, sabia? Alguns itens fontes do macronutriente (principalmente os refinados, como massas, arroz branco, pães e biscoitos) são rapidamente transformados em glicose ao serem ingeridos, e podem atrapalhar o controle da glicemia.

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O que priorizar e o que evitar

Desse modo, vale apostar em alimentos naturais e integrais, que contêm mais fibras, assim como carnes magras, leite e derivados (com moderação), ovos e frutas de menor índice glicêmico (IG).

Por outro lado, a nutricionista recomenda diminuir:

  • Gorduras extraídas de sementes (soja, milho, algodão);
  • Bolos;
  • Pães;
  • Biscoitos;
  • Refrigerantes e bebidas industrializadas;
  • Sucos em pó;
  • Guloseimas.

Cardápio para diabetes: de quanto em quanto tempo comer?

“O número de refeições por dia varia de acordo com a disponibilidade, o paladar, o objetivo e a circunstância do indivíduo. Entretanto, sobretudo para indivíduos que usam medicação, fracionar mais vezes as refeições poderá ser interessante”, afirma Dayse Paravidino.

E para quem treina?

Para quem tem diabetes tipo 1, é importante fazer o equilíbrio entre o consumo alimentar e a insulina administrada (aplicada) para manter a glicemia dentro do ideal. E quando a atividade física entra na rotina — o que é sempre recomendado pelos médicos —, é preciso elaborar o que ingerir antes, durante e depois do treino.

A nutricionista Maristela Bassi Strufaldi, do Instituto Correndo pelo Diabetes (CPD), explica que a alimentação antes do treino tem a função de fornecer energia para garantir a execução do exercício (rendimento/performance), e isso vale para qualquer pessoa. Já a refeição pós-treino tem o objetivo de restabelecer a função muscular e promover a recuperação energética.

“Para quem tem diabetes tipo 1, é preciso um cuidado extra: a monitorização da glicemia pré, durante e pós-treino para adequar o esquema medicamentoso conforme o plano alimentar. Mas isso é individual, não é receita de bolo”, salienta a especialista.

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O que comer antes, durante e depois do treino

Segundo a nutricionista do CPD, o melhor alimento para se exercitar antes do treino é aquele que contém carboidrato de boa qualidade, uma vez que favorece o combustível para a atividade física. Cereais integrais como aveia, granola, pão integral e batata-doce são alguns exemplos.

Para o pós-treino, a indicação fica sendo a proteína, que tem uma oferta importante de nutrientes para a reconstrução muscular. Mas, segundo Maristela, tudo vai depender do tipo do exercício, da intensidade e do tempo desse treino, além da meta glicêmica para iniciar a atividade física. As orientações devem ser sempre individualizadas.

Fontes: Dayse Paravidino, nutricionista, membro da Associação Brasileira de Nutrição (ASBRAN) e da Associação Brasileira de Nutrição Materno Infantil (ASBRANMI); e Maristela Bassi Strufaldi, do Instituto Correndo pelo Diabetes (CPD), organização sem fins lucrativos que tem como objetivo promover a saúde integral e a qualidade de vida das pessoas com diabetes e outras doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs).

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