Como os alimentos ultraprocessados afetam a nossa saúde mental?

Na correria do dia a dia, é muito tentador apostar em lanchinhos rápidos e prontos para economizar tempo. O problema é que esses alimentos ultraprocessados podem afetar a nossa saúde — tanto física, quanto mental. Entenda melhor a relação:

O que são alimentos ultraprocessados?

De acordo com Adiel Rios, mestre em psiquiatria e pesquisador da área, “alimentos ultraprocessados são aqueles que passam por técnicas e processamentos com altas quantidades de sódio, açúcar, gorduras, corantes, conservantes e outras substâncias que realçam o sabor e os tornam mais atrativos ao paladar.”

No entanto, o prazer de consumi-los geralmente tem um preço alto: são ingredientes pobres em nutrientes essenciais, como vitaminas, sais minerais, água e fibras. Além disso, podem prejudicar processos que sinalizam o apetite e a saciedade, estimulando o indivíduo a ingeri-los em excesso.

O especialista dá alguns exemplos: enlatados, embutidos, congelados, sorvetes, preparações instantâneas, refrigerantes, salgadinhos, frituras, doces, gelatinas industrializadas, refrescos em pó, temperos prontos, margarinas, iogurtes industrializados, bolachas recheadas, achocolatados, entre outros.

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Impactos dos alimentos ultraprocessados na saúde mental

As principais doenças relacionadas a uma dieta rica em ultraprocessados são as cardiovasculares, os diversos tipos de câncer, a obesidade, a hipertensão e o diabetes tipo 2.

“No entanto, ela não impacta apenas a saúde física, mas também a mental. Segundo um estudo do Center of Epidemiologic Studies Depression, o aumento de 10% no consumo desses alimentos foi associado a um risco 21% maior de sintomas depressivos”, alerta o psiquiatra.

Eixo intestino-cérebro

Outro ponto importante destacado pelo pesquisador é a ligação entre o cérebro e o intestino. “A relação entre o consumo de alimentos ultraprocessados e a depressão pode ser explicada pelo efeito de alguns componentes usados ou produzidos durante o processamento industrial, já que aditivos destes alimentos ou as moléculas resultantes do aquecimento podem causar alterações na microbiota intestinal, que, sabidamente, interfere na função cerebral”, explica.

Isso ocorre porque a microbiota intestinal é responsável pela produção de neurotransmissores, como serotonina e dopamina, que regulam processos como aprendizagem, memória, prazer e bem-estar.

Um estudo publicado na revista Nature, aliás, mostrou que altos níveis de estresse podem alterar a composição das bactérias intestinais. Desse modo, elas podem influenciar no aparecimento de transtornos psiquiátricos.

“Dentro desta lógica, fica evidente que mudanças significativas na dieta são fortes aliadas no combate às doenças psiquiátricas. Seja na prevenção ou na recuperação”, finaliza Adiel Rios.

Fonte: Dr Adiel Rios, mestre em psiquiatria pela UNIFESP e pesquisador no Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP.

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