Alimentos que pioram a disidrose: saiba quais evitar
O surgimento de bolinhas que causam bastante coceira nas mãos e nos pés é o principal indicativo do quadro de disidrose. As erupções costumam deixar a pele avermelhada, além de causarem ardência. O desenvolvimento do eczema não tem uma causa específica. Na verdade, ele pode aparecer por conta de estresse, sensibilidade ao níquel, alergias, doenças dermatológicas ou, então, pelo uso de determinados medicamentos. Seja qual for a causa, para aliviar os sintomas, é necessário adotar um tratamento multidisciplinar. Ou seja, além do uso de cremes e corticoides, por exemplo, é preciso prestar atenção em outros fatores, como a alimentação. Isso porque existem alimentos que pioram a disidrose e podem servir como gatilho para crises.
De acordo com o médico dermatologista Vinicius de Alencar da Rocha, existe uma relação bastante estreita entre a alimentação e as dermatites. Alergias alimentares têm, inclusive, associações diretas com dermatite atópica. Nesses casos, alimentos podem piorar lesões antigas ou influenciar o surgimento de novas feridas.
“A piora da disidrose também é associada ao consumo de alimentos contendo níquel e cobalto, mesmo em pacientes que não apresentam teste de contato positivo para alergia a essas substâncias”, afirma.
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Quais alimentos pioram a disidrose?
Pessoas com o eczema costumam ter uma baixa tolerância a alimentos ricos em cobalto e níquel. Vinicius cita alguns exemplos de alimentos que pioram a disidrose.
Alta concentração de sais de cobalto:
- Nozes;
- Vegetais folhosos;
- Cereais;
- Chocolates;
- Fígado de boi;
- Peixes.
Ricos em níquel:
- Chás;
- Café;
- Alimentos enlatados;
- Alguns tipos de peixe (Por exemplo: atum, salmão e cavala);
- Banana;
- Maçã;
- Frutas cítricas;
- Cebola;
- Alho;
- Chocolate;
- Nozes;
- Aveia;
- Soja;
- Por fim, amêndoas.
“Não se sabe ao certo o mecanismo de ação para a piora. Entretanto, existem evidências de que os íons dos metais agem ativando as células de defesa do nosso corpo, os linfócitos, que são os responsáveis pelo desencadeamento da resposta inflamatória que leva às lesões”, esclarece.
Priorizar dieta anti-inflamatória
Segundo o dermatologista, não existem alimentos isolados que auxiliam na melhora do quadro de disidrose. Entretanto, a adoção de uma dieta anti-inflamatória pode ajudar a aliviar dermatites em geral. “Isso ocorre porque os radicais livres de oxigênio presentes na pele causam a inflamação. Portanto, uma dieta rica em alimentos antioxidantes é uma alternativa na redução da inflamação”, conta.
Dentre os alimentos com ação anti-inflamatória, o médico destaca, sobretudo:
Além disso, o profissional ressalta a importância de consumir uma grande quantidade de frutas. Afinal, as vitaminas e flavonoides presentes nelas ajudam a diminuir a inflamação da pele.
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Relações com a disidrose e comportamentos que pioram o quadro
Vinicius ressalta que o excesso de suor já foi muito associado a uma piora do quadro, mas tal relação já foi refutada. Entretanto, o surgimento do eczema é mais frequente nos meses quentes.
“Além disso, a disidrose é relacionada com outras doenças de pele, por exemplo, a dermatite atópica e a dermatite de contato alérgica, especialmente a cosméticos que contenham o componente Bálsamo do Peru e alergia à borracha”, completa. Doenças infecciosas, como infecções de pele por fungos e HIV, também têm relação com o surgimento das lesões.
Outros comportamentos, ainda, estão associados a uma piora do quadro. Por exemplo:
- Tabagismo;
- Uso prolongado de luvas de proteção;
- Exposição a agentes irritantes nas mãos (por exemplo: excesso de água, detergentes, produtos de limpeza);
- Situações de estresse emocional.
Como cuidar?
Além de cuidar da alimentação, é importante adotar outros hábitos para lidar melhor com a disidrose. De acordo com o médico, a melhor forma de evitar as crises é por meio do afastamento de possíveis desencadeantes. “Isto é, cessar o tabagismo, ter acompanhamento psicológico nos casos de ansiedade e estresse e diminuir contato com produtos químicos ou utilizar equipamentos de proteção”.
O profissional ainda comenta a importância de hidratar bem as mãos com produtos adequados. Dessa forma, é possível reparar a barreira cutânea e acalmar a pele inflamada.
Geralmente, há a recomendação do uso de pomadas de corticoides. Em casos mais graves, por outro lado, pode ser necessário entrar com medicamentos, fototerapia ou toxina botulínica.
Por fim, Vinicius reforça que a disidrose não é uma doença para qual existe cura, mas, sim, tratamento. “Ela é uma doença crônica e recidivante e alguns casos podem ser de difícil manejo. Portanto, é fundamental o papel do dermatologista no diagnóstico correto e na instituição da terapêutica adequada ao paciente”, diz.
Fonte: Vinicius de Alencar da Rocha, médico dermatologista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e Associação Médica Brasileira (AMB), formado pela Universidade de São Paulo, pós-graduado em Dermatologia pela Associação Pele Saudável (APS) e Professor do Curso de Pós-Graduação em Dermatologia das Faculdades BWS