Sífilis terciária: o que é, sintomas, causas e tratamento

Saúde
17 de Janeiro, 2023
Sífilis terciária: o que é, sintomas, causas e tratamento

Você já deve ter ouvido falar sobre a sífilis, mas você conhece a sífilis terciária? Esse é o último e mais grave estágio da doença que ocorre quando a bactéria começa a afetar o cérebro, o coração e os ossos, gerando graves lesões no organismo. Por isso, neste artigo, falaremos mais sobre ela. Confira abaixo:

O que é a sífilis?

Antes de explicar o que é sífilis terciária, precisamos falar sobre a sífilis. De acordo com o Dr Durval Costa, infectologista do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), a sífilis é causada por uma bactéria, o Treponema pallidum. Além disso, essa doença é classificada de duas formas. São elas:

  • Por tempo: nesse caso, pode ser recente (aquela com menos de um ano de evolução) ou tardia (aquela com mais de um ano de evolução);
  • Por evolução da doença: nesse caso, ela pode ser primária e secundária (com lesões na genitália, no ânus, na boca ou nos dedos), ou terciária (com quadros mais graves, como cegueira, paralisia, etc).

Quais os tipos de sífilis?

A sífilis é categorizada em alguns tipos: primária, secundária, sífilis latente, terciária e congênita. Veja a explicação sobre cada uma delas, de acordo com o infectologista:

  • Sífilis primária: ocorre por inoculação direta da bactéria no local, por contato;
  • Sífilis secundária: ocorre algumas semanas após a lesão inicial e leva a lesões de pele com prurido e descamação. Muitas vezes, confunde-se com alguma alergia, sendo predominante nas palmas das mãos e nas plantas dos pés;
  • Sífilis latente: o paciente passa dos estágios primário e secundário sem perceber e cuidar dos sintomas, então a doença entra em um estágio assintomático. O tempo de duração varia em cada caso;
  • Sífilis terciária: esta ocorre após muitos anos da infecção inicial, podendo acometer o cérebro, grandes artérias e o coração. Ademais, podem acontecer lesões crônicas nos ossos, na pele e no rosto;
  • Sífilis congênita: aquela onde a grávida transmite ao bebê ainda durante a gravidez. Assim, pode fazer com que a criança tenha já ao nascimento deficiência mental, irritabilidade fácil, problemas na audição e lesões na pele.

O que é a sífilis terciária?

O médico do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) informa que a sífilis terciária é uma infecção que ocorre pela bactéria causadora da sífilis depois de muitos anos da infecção inicial — geralmente após 20 a 40 anos.

“A sífilis terciária acomete órgãos e estruturas importantes do corpo, como ossos, cérebro e grandes vasos sanguíneos (artérias). Ademais, gera lesões crônicas de pele”, complementa.

Além disso, importante lembrar que essa doença acontece quando a sífilis não recebe o tratamento adequado em sua fase inicial. Assim, a bactéria causadora da sífilis tem tempo para causar inflamações crônicas durante anos.

Transmissão da sífilis terciária

A sífilis terciária é uma doença que ocorre muitos anos depois da infecção inicial. “Nessa fase, a quantidade de bactérias presentes no sangue é muito pequena para transmissão via contato com sangue, apesar de possível”, lembra o Dr Durval Costa.

Entretanto, se existirem lesões de pele nessa fase, lesões chamadas de goma sifilítica, esse tipo de lesão pode estar repleta de bactérias e transmitir a sífilis.

Da mesma forma, muitos pacientes fazem infecções de repetição por sífilis e podem ter a doença em estágios diferentes.

A relação sexual, por exemplo, é a principal forma de transmissão de sífilis primária e secundária.

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Sintomas da sífilis terciária

Existem alguns sintomas da sífilis terciária que nosso especialista cita. “Se a doença estiver no cérebro, pode levar a alterações na visão (uveíte por sífilis) e inflamações em artérias do cérebro, causando vasculites (que vão parecer um derrame, acidente vascular encefálico), convulsões e redução de memória.”

O médico também lembra que em casos mais graves, pode haver alterações de equilíbrio e dificuldade de andar, com quadro conhecido como tabes dorsalis.

Aliás, quando as lesões são em grandes artérias do corpo, como na aorta, a inflamação é chamada de arterite, e pode levar a aneurisma destes vasos, por exemplo.

Diagnóstico da sífilis terciária

As alterações clínicas neurológicas descritas são o passo inicial para desconfiar da sífilis terciária, mas não fazem o diagnóstico sozinhas, segundo o infectologista.

“A partir das alterações clínicas descritas, o passo seguinte é identificar que a pessoa já teve contato com a sífilis em algum momento da vida. Isso é feito por exames de sangue sorológicos, como o VDRL, FTA-ABS e TPHA”, acrescenta.

Além dos sintomas e dos exames positivos, o paciente precisa se lembrar se já fez tratamento de sífilis em nenhum momento, indicando que a bactéria teve tempo para causar a sífilis terciária depois de muitos anos.

Exames para o diagnóstico da sífilis

O diagnóstico se dá através da alteração clínica sugestiva de sífilis associado à presença dos marcadores de infecção pela sífilis no sangue (VDRL, TPHA ou FTA-ABS).

“Quando a suspeita for de sífilis no cérebro, a pesquisa desses marcadores pode ainda ser feita no líquido que corre entre o cérebro e a calota craniana, chamado popularmente de liquor, um líquido cérebro espinhal”, ensina o Dr Durval Costa.

Tratamento da sífilis terciária

O tratamento da infecção é feito com antibióticos que consigam matar a bactéria causadora da doença, o Treponema pallidum.

“Para infecção no sistema nervoso central, por exemplo, o medicamento de escolha é uma penicilina, a penicilina cristalina, com internação e uso intravenoso por no mínimo 14 dias”, informa o especialista.

Como saber se a pessoa tem sífilis terciária?

O passo inicial é fazer a sorologia para sífilis: “qualquer pessoa que já tenha tido relações sexuais desprotegidas (sem uso de preservativo) na vida, é vulnerável a ter tido contato com a sífilis”, alerta o médico consultado.

Como a lesão da sífilis primária não dói, não coça e não arde, esta úlcera não é vista por muitos, e a bactéria não é tratada logo na infecção primária, o que curaria a doença.

“Por isso, é recomendável que pessoas expostas se testem sempre para identificar a fase inicial da doença e para não adoecer depois de 20 ou 40 anos”, recomenda.

Além disso, pessoas com alterações neurológicas como as descritas e que estejam em investigação da causa também devem investigar a sífilis como uma das causas da alteração neurológica, a fim de excluir esta doença como causa do quadro.

Possíveis sequelas de uma pessoa com sífilis

Existem algumas sequelas de uma pessoa com sífilis que podem ocorrer por conta da inflamação que a doença causa em órgãos importantes do corpo.

“Pode ocorrer uveíte (a infecção no olho pela sífilis terciária), redução da visão e até cegueira. Se a inflamação for ao cérebro, pode ainda ocorrer perda de memória permanente, tonturas e desequilíbrio pelo resto da vida do paciente”, comenta o infectologista.

Ainda podem ocorrer aneurismas como sequela em grandes artérias, como a aorta, que só serão resolvidos com cirurgia, mesmo após tratamento da sífilis.

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Sífilis terciária tem cura?

Felizmente, o tratamento correto da sífilis terciária com os antibióticos indicados cura a bactéria, impedindo que a doença continue realizando novas lesões. “Mas as sequelas podem ficar pelo resto da vida”, lembra o Dr Durval Costa.

Prevenção contra a sífilis terciária

A sífilis terciária só acontece se a pessoa já pegou a sífilis primária e não tratou adequadamente. Por isso, a principal forma de transmissão da sífilis é por relação sexual desprotegida.

A principal forma de se proteger, segundo o especialista, é usar preservativo nas relações, mesmo no sexo oral, quando a sífilis também pode ser transmitida.

“Também durante a gestação, é importante que a grávida se teste para sífilis, pois o tratamento correto impede a transmissão para o bebê ainda na barriga da mãe. Já os pacientes que descobrem que já estão com sífilis primária ou secundária, o tratamento precoce impede que a doença progrida e cause a sífilis terciária depois de muitos anos”, reforça.

Por fim, o infectologista diz ser muito importante testar e tratar precocemente a sífilis, já que esta é a melhor forma de evitar uma doença que apareceria após muitos anos sem tratamento.

Fonte: Dr Durval Costa, infectologista do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).

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