A partir de qual idade a criança pode comer açúcar?

Uma dieta balanceada é essencial para o bem-estar em todas as fases da vida. Por isso, fazer o filho ter uma alimentação mais saudável deve ser alvo de preocupação dos pais. Nesse sentido, muitos pais devem se perguntar a partir de que idade crianças podem comer açúcar.

Primeiramente, o consumo de açúcar por parte dos pequenos deve ser bastante controlado e, antes dos dois anos de idade, é totalmente contraindicado, afirma a nutricionista Bel Fagundes, de São Paulo. Isso também vale para o consumo de mel, pois ele aumenta o risco de botulismo intestinal.

Durante a infância, quando o organismo está crescendo e se desenvolvendo, a alimentação tem um papel ainda mais importante. Também, os hábitos alimentares da idade adulta estão relacionados com os do período infantil. Portanto, a promoção de comportamentos alimentares saudáveis deve ser incentivada logo nos primeiros anos, para que permaneçam ao longo dos anos.

Açúcar adicionado x frutose: Qual é melhor para as crianças?

O açúcar adicionado artificialmente e a frutose – açúcar das frutas – são ambos açúcares. Porém, são muito diferentes entre si. Sendo assim, eles também são recebidos pelo corpo da criança de maneiras distintas.

Por isso, os açúcares naturais, como é o caso da frutose presente naturalmente nas frutas, são bem-vindos e podem ser consumidos mesmo antes dos dois anos de idade.

Sendo assim, os açúcares naturais, a exemplo da frutose, são melhores para a saúde da criança.

Alguns alimentos ricos em frutose e que podem fazer parte da dieta dos pequenos são:

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O açúcar prejudica mais as crianças que os adultos?

Sim. O consumo de açúcar prejudica muito mais as crianças do que os adultos. Em resumo, as crianças passam por uma fase chamada “período de mil dias”. Essa fase se estende desde o momento da concepção até os dois anos de idade. Ou seja, nessa fase da infância a saúde da criança corre maior risco. Por isso, alimentos ricos em açúcar não devem fazer parte da introdução alimentar.

A introdução alimentar se dá quando os alimentos sólidos começam a fazer parte da alimentação do bebê, que antes se baseava apenas no leite materno ou na fórmula infantil. Ou seja, esse é o nome que se dá ao começo da alimentação sólida.

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Malefícios do açúcar para as crianças

Paladar viciado

Se o consumo de açúcar acontecer antes dos dois anos de idade, torna-se maior o risco de seu paladar ficar “viciado”. Ou seja, pode provocar a maior recusa por alimentos saudáveis e naturais.

Por isso, a recomendação de evitar o consumo de açúcar antes dos dois anos de idade também é suportada pela Associação Americana do Coração. Ainda, a mesma associação também considera que o consumo de açúcar dos 2 anos de idade até os 18 não deve ser maior que 25 gramas diários.

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Piora no desenvolvimento cognitivo

Alimentos açucarados na infância podem afetar negativamente o desenvolvimento cognitivo. De acordo com um estudo do The American Journal of Clinical Nutrition, os filhos de mulheres que consumiam grande quantidade de açúcar durante a amamentação tiveram pior desenvolvimento cognitivo nos primeiros anos de vida.

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Maior risco de doenças e ganho de peso

Ainda, os alimentos ricos em açúcar aumentam o risco de desenvolver doenças como a pressão alta, a obesidade e diabetes de tipo 2. Além disso, podem causar o acúmulo de gordura no fígado, no abdômen e no coração. Ainda mais, as cáries nos dentes podem se tornar um problema durante a infância.

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Alimentos ricos em açúcar para evitar

Sendo assim, consumir açúcar antes dos dois anos ou em excesso durante a infância não são boas ideias. Por isso, é preciso evitar alimentos e bebidas como, por exemplo:

  • Sucos de caixinha – substitua-os por água
  • Doces e bolos
  • Biscoitos e bolachas
  • Papinha artificial para bebês
  • Chocolate ao leite
  • Creme de avelã
  • Refrigerantes – substitua-os por água

Em contrapartida, é aconselhável o consumo de frutas, legumes, verduras, grãos integrais, cereais e boas fontes de proteína. Esses alimentos contêm algumas das vitaminas mais importantes para as crianças, como a vitamina A, a vitamina C, a vitamina D e a vitamina K.

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Sobre o autor

Nathália Lopes
Estagiária de Jornalismo