Maternidade na real: desafios, maravilhas e imperfeições

1 de agosto, 2022

Por mais que uma pessoa se prepare para a maternidade com livros e diversos conteúdos sobre o tema, na vida real ela acaba aprendendo muita coisa na prática. Afinal, ser mãe envolve além de maravilhas, também desafios e imperfeições, e ter uma rede de apoio segura e forte pode ajudar a mulher a passar por essa fase com muito mais facilidade.

Por isso, no quinto episódio da terceira temporada do podcast De bem com você, da Vitat, Cris Dias conversa com a Dra Blenda Marcelletti de Oliveira sobre gestação, mudanças no corpo e puerpério. Um papo entre mães e feito para mães! Não perca:

Conheça a convidada

maternidade na real

Dra Blenda Marcelletti de Oliveira é psicoterapeuta, doutora em psicologia pela PUC-SP e autora do livro Fazendo as Pazes com a Ansiedade, da Companhia Editora Nacional.

Maternidade na real: puerpério

O nascimento de um filho geralmente traz muita alegria para a família. É natural, então, que os holofotes se voltem para o novo integrante, que necessita de cuidados especiais. Contudo, a nova mamãe passa por tantas transformações que também deve receber atenção. A fase é chamada de puerpério, e é tão importante que pode definir os próximos anos da mulher.

De acordo com a psicóloga, o puerpério começa no momento em que o bebê sai da placenta da mulher, e dura aproximadamente 60 dias — quando o corpo da mãe vai, aos poucos, voltando para o estado de pré-gravidez. “Os órgãos vão retornando aos seus lugares e tamanhos, e há alterações hormonais”, complementa.

Além disso, ocorrem mudanças psicológicas e emocionais importantes. “É aí que nasce a relação entre a mãe e o bebê, que já vinha sendo construída durante toda a gravidez (que muitos especialistas chamam de puerpério perinatal). Mas a mulher pode ficar mais sensível, propensa ao choro e irritada — o que tem relação com a privação do sono também”, afirma a especialista.

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Maternidade na real: mudanças por meio do tempo

O conceito de maternidade mudou muito de uns tempos para cá. Antigamente, por exemplo, as mulheres costumavam ter mais filhos, mas essa quantidade diminuiu por conta de fatores como a entrada delas no mercado de trabalho, mais acesso aos métodos contraceptivos e melhores condições de vida.

Além disso, a psicoterapeuta conta que, antigamente, ser mãe era considerado algo natural para as mulheres, e a questão era muito romantizada. “Ninguém podia ter dúvidas se queria ou não o bebê, não podia ficar irritada quando a criança chorava… Era um nível de exigência muito grande, o que deixava as mães se sentindo culpadas.”

E aí, quadros como baby blues e depressão pós-parto acabavam sendo mascarados por conta disso. “São condições diferentes. Baby blues diz respeito ao sentimento de tristeza após o nascimento, em que a mãe fica perdida e não sabe exatamente como irá cuidar do bebê”, explica Blenda Marcelletti.

Já a depressão pós-parto é um quadro psicológico mais complexo. Segundo dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), ela acomete 25% das mães brasileiras, o que resulta em uma proporção de que uma a cada quatro figuras maternas apresentarão o transtorno psiquiátrico.

Ele é um quadro multifatorial e que, a princípio, manuais e códigos internacionais de saúde mental tendem a determiná-lo quando os sintomas se estendem desde a quarta semana depois do nascimento do bebê até o sexto mês. Mas isso não quer dizer que haja consenso entre os especialistas, já que pode durar mais, dependendo da pessoa.

Desmistificando a maternidade na vida real

Apesar de ser algo que traz muitas coisas boas, a maternidade também traz lutos, segundo a profissional. Isso porque a mulher deixa de ser filha, e passa a ser mãe — e precisa rever muitos hábitos e costumes da própria rotina.

“Há mulheres que não têm condições de serem mães, e aí precisam de assistência dos avós, dos companheiros e de amigos e familiares para que elas possam ter o suporte emocional para cuidar da criança.”

Mas, no geral, todas as mulheres que se tornam mães necessitam de uma rede de apoio segura. “Às vezes, é difícil para a própria mãe reconhecer que precisa de ajuda. Por isso, quem está à sua volta deve ficar sempre atento aos sinais e buscar ampará-la”, finaliza a especialista.

Leia também: Qual a diferença entre baby blues e depressão pós-parto?

Sobre o De Bem Com Você

No podcast da Vitat, Cris Dias conduz conversas descomplicadas com especialistas e convidados para você descobrir como ficar de bem com você. A cada semana, um episódio novo será lançado. Confira os outros temas aqui!

E tem para todos os gostos: os bate-papos também ficarão disponíveis nas plataformas de áudio Spotify, Deezer, Google e Apple.

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