Esgotamento mental: evite hábitos que podem drenar sua energia

27 de julho, 2022

Você já parou para pensar porque mesmo dormindo bem, praticando exercício físico e se alimentando corretamente, ainda sentimos esgotamento mental? A resposta pode estar em pequenas atitudes no nosso dia a dia, como assistir séries e filmes, excesso de demandas e sentimentos que não sabemos lidar. Vamos entender melhor sobre o assunto.

Principais causas do esgotamento

Antes de analisarmos os possíveis fatores que estão presentes no nosso cotidiano, é importante fazer um check up para ver como está a saúde como um todo. De acordo com a psiquiatra Luciane Ikeda, diversos fatores podem levar ao esgotamento emocional. “Esse ‘cansaço’ pode ter vários motivos, como até mesmo diminuição dos hormônios da tireoide”, explica.

Outro ponto que precisa ser avaliado é o sono. Pessoas que apresentam apneia do sono costumam passar o dia com sonolência e cansaço, por exemplo. Além disso, precisa investigar se a pessoa apresenta quadros de doenças, como a depressão, que costuma causar uma sensação de cansaço persistente.

Sintomas do esgotamento mental

A psicóloga Deise Cristina conta que muitas vezes essas pessoas até dormem bem, mas acordam com a sensação de que não conseguiram descansar. Além disso, outros sintomas podem incluir:

  • Problemas de memória
  • Perda de interesse em atividades que costumava gostar
  • Isolamento social
  • Dor de cabeça
  • Dor de estômago
  • Problemas intestinais
  • Dores no corpo

“Esse esgotamento acaba somatizando problemas físicos. A pessoa começa a sentir tudo isso, em decorrência de sentimentos de incapacidade de resolver seus próprios problemas”, explica a especialista. “E isso interfere na saúde, bem-estar e relacionamentos.”

Para isso, diante de qualquer sintoma é sempre importante procurar um médico para avaliar esses fatores. Mas descartada qualquer alteração no corpo, por que mesmo com a “vida boa” continuamos esgotados? A resposta é que talvez a vida não seja tão boa assim. Vamos entender melhor.

Gatilhos que podem nos levar ao esgotamento emocional

Diante disso, é importante ficar em alerta sobre os possíveis gatilhos e situações no nosso dia a dia que podem afetar nossa energia e, consequentemente, a nossa saúde emocional. Confira alguns.

Séries e filmes

Muitas vezes recorremos às séries, filmes e à televisão para descansar e relaxar a mente depois de um dia de trabalho. Mas esse simples hábito entra na lista de atividades que mais causam cansaço mental. “Por sermos humanos e empáticos, ou seja, capazes de sentir emoções e racionalizar, temos tendência a ressoar com o que vimos, ou seja, ao ver algo triste, sentimos tristeza. Ao ver uma comédia, sentimos alegria”, conta a psiquiatra. E o mesmo acontece quando temos conhecimento de um crime chocante: nos sentimos mal e nos colocamos no lugar da pessoa.

Contudo, o ideal é entender quais conteúdos te afetam mais ou menos e dosar a frequência que você os consome. Além disso, outra boa dica é conversar sobre as situações para externalizar as emoções.

Excesso de demandas

A psiquiatra nos lembra que, em grande parte, o esgotamento surge a partir de muitos compromissos que assumimos ou coisas que temos que lidar diariamente. “Uma dica é não assumir tantas tarefas ao mesmo tempo”, conta. “Temos de entender nossos limites, mas também respeitá-los.”

Ter uma boa organização de tarefas estabelecendo prioridades é um bom caminho. Contudo, a especialista também destaca que vale a pena refletir sobre o que fazemos e como fazemos. “Temos de repensar se o que fazemos nos dá prazer ou são sempre custosas. E avaliar a nossa personalidade: tem pessoas que preferem o dia cheio de atividades, outras não”, conta. Encontrar esse equilíbrio é fundamental, além é claro de ter momentos de lazer.

Leia mais: Desvalorizar o tempo de lazer pode prejudicar a saúde mental

Sentimentos que não sabemos lidar

Outro ponto que precisamos ficar atentos é as emoções. “Muitas vezes nos dedicamos a resolver problemas dos outros, e acabamos absorvendo coisas que não são nossas”, conta a psicóloga. Colocar limites e entender que podemos ajudar, mas sem deixar de nos preservar, é uma boa saída.

Muitas vezes, pequenos incômodos e conflitos no dia a dia podem passar despercebidos, mas nos afetam e nos deixam chateados. Isso pode ser acumulativo e com o tempo podemos ser um baú de sentimentos, que não sabemos lidar bem. O resultado? Não só nosso emocional fica afetado, mas podemos até sentir sinais no corpo.

Consequências e como prevenir do esgotamento

Contudo, se não tratado corretamente e de forma precoce, o esgotamento mental pode levar a condições mais graves de saúde como a síndrome do pânico, quadros de ansiedade, depressão, entre outros. Por isso, a prevenção é sempre o melhor caminho.

Além de observar os sentimentos e os sintomas, as especialistas destacam alguns cuidados que podem nos ajudar a evitar o esgotamento, entre eles: tirar tempo para cuidar de si, da autoestima e, principalmente, desenvolver uma inteligência emocional. “Isso vai te ajudar a entender seus limites e principalmente a impô-los. Isso evita que pessoas abusem da sua capacidade de ajuda”, conta Deise.

Nessa jornada, buscar apoio de um psicólogo é fundamental. “Precisamos entender que o esgotamento precisa ser tratado e não pode ser negligenciado”, faz o alerta a psicóloga.

Fontes: Luciane Ikeda, médica psiquiatra no Hospital Albert Sabin e Deise Cristina Gomes, psicóloga forense e especialista em ansiedade e depressão.

Sobre o autor

Beatriz Libonati
Jornalista e repórter da Vitat. Especialista em diabetes e obesidade.