Dor na lombar: o que é, causas, sintomas e tratamento

10 de maio, 2022

Apesar de muitas pessoas sentirem dor na lombar, na maioria das vezes, essa questão é ignorada. No entanto, não podemos normalizar esse tipo de dor, já que não é natural senti-la constantemente. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 80% da população mundial já teve ou sente dor na coluna lombar. Por isso, saiba quais são os sintomas, as causas e o tratamento adequado para o quadro.

O que é dor na lombar? 

Marcelo Amato, neurocirurgião especialista em endoscopia de coluna explica que a essa dor acomete a parte inferior das costas, acima dos glúteos: “Acredita-se que todo mundo já teve, tem ou terá dor na região lombar em algum momento da vida”, comenta. Essa dor também é chamada de lombalgia, na maioria das vezes, não é grave, podendo ser resultado de uma má postura ou esforços repetitivos, por exemplo.

No entanto, o ideal é procurar um especialista em coluna para investigar a dor, principalmente se for frequente e sem nenhum motivo antecedente.

Causas

Existem diversas causas para esse tipo de desconforto na região lombar. Porém, o profissional explica que essa dor é multifatorial, não tendo uma causa específica. “O mais comum é a dor lombar ser secundária a vícios posturais ou sobrecarga da coluna, ou seja, o mau uso da coluna lombar”, complementa.

De acordo com Marcelo, além de má postura e esforço repetitivo, essa dor pode levar a problemas mais sérios como hérnias de discos e artrose, podendo causar piora ou outro tipo de dor lombar. Existem também causas específicas mais raras, como, por exemplo: 

  • Tumores;
  • Fraturas;
  • Inflamações;
  • Infecções.

O envelhecimento, sedentarismo, erros de postura, excesso de peso, perda de massa muscular, inflamação do nervo ciático e cálculo renal também podem ser a causa da dor lombar. Além disso, o cigarro tem sua parcela de culpa no desconforto na lombar, já que contribui para degenerar os discos da coluna vertebral. 

Tipos de dor na lombar 

Segundo o especialista, existem várias formas de classificar a dor lombar. “A mais comum é pela duração da dor: aguda, subaguda e crônica”, pontua.

  1. Dor lombar aguda: provoca uma dor intensa e súbita, mas desaparece pouco depois. Normalmente, ela aparece após um esforço físico. Pode ter uma duração inferior a 4 semanas.
  2. Dor lombar subaguda: quando a dor na lombar permanece por 4 a 12 semanas.
  3. Dor lombar crônica: apesar de ser menos intensa, ela pode persistir e durar por 3 meses ou até uma vida toda. 

A dor na lombar crônica é mais comum em pessoas acima dos 50 anos, mas pode ocorrer em todas as idades. Ela é multifatorial, causa limitações nos movimentos, queixas de travamento na coluna e costuma indicar um problema mais grave.  

Sintomas

Os sintomas da dor lombar podem variar com o tipo de dor (aguda, subaguda ou crônica). Além disso, as queixas também diferem de acordo com o estilo de vida do paciente e de outros problemas clínicos que podem estar causando os sintomas. 

“Dor em região inferior das costas pode vir associada à dificuldade de movimentação da coluna e também aos sintomas neurológicos como dormência, formigamento ou perda de força nos membros inferiores”, informa.

Podemos também indicar outros sintomas:

  • Dor intensa e aguda;
  • Sensação persistente de queimação ou ‘choque’ na região lombar;
  • Dor se agrava com os movimentos, como ao sentar, levantar objetos ou inclinar o corpo;
  • Irradiação ocasional da dor para os glúteos e/ou coxas, até os joelhos e pernas;
  • Coluna travada por conta da incapacidade de ficar de pé ou de se movimentar livremente;
  • Antecedentes de fatores psicológicos e laborais estressantes;
  • Antecedente de lesão mecânica ou histórico de trauma (com ou sem fratura).

Cuidados

Existem alguns cuidados que ajudam a diminuir o incômodo “Em geral, uma boa postura para as atividades do dia a dia, exercícios físicos regulares, controle do peso com dieta saudável e sono restaurador, são medidas que podem evitar a dor na região da lombar”, sugere o especialista em coluna.

Portanto, procure se alongar diariamente, corrigir a má postura, evite carregar muito peso, procure a melhor posição para dormir, escolha um colchão mais apropriado e compre um travesseiro ortopédico. 

Alguns exames são mais propícios para diagnosticar dor na coluna. De acordo com o neurocirurgião, o diagnóstico de dor lombar é clínico. “Utilizam-se exames de imagem como a ressonância magnética, que podem ajudar a identificar as causas da dor lombar ou se há alguma doença mais grave causando o problema”, esclarece.

Tratamentos de dor na lombar

Para o alívio da dor, alguns tratamentos podem ajudar. No entanto, o profissional recomenda a prevenção contra as dores lombares sem causa específica. “Após a resolução da dor aguda com medicamentos ou fisioterapia, deve-se iniciar uma fase de reabilitação com reeducação postural, exercícios físicos e hábitos de vida saudáveis”, indica.

De acordo com o médico, é importante individualizar os exercícios para cada caso: “por exemplo, se o paciente estiver com uma hérnia de disco, provavelmente, haverá risco em realizar exercícios com carga axial ou flexão/rotação da coluna lombar”.

No entanto, se o problema for tensão muscular, então o recomendado é fazer exercícios de alongamento e relaxamento da musculatura lombar, glúteos e membros inferiores.

Existem exercícios físicos que ajudam a fortalecer a musculatura e ter uma boa postura para evitar a dor na lombar, porém, alguns não são recomendados.

“Os exercícios também dependem do que está causando a dor. Para problemas nos discos intervertebrais, a flexão/rotação ou carga axial devem ser evitados”, alerta o neurocirurgião. 

Além disso, se o paciente estiver com artrose avançada causando compressão dos nervos da coluna, esses mesmos exercícios de flexão lombar podem até trazer alívio da dor, mas a extensão lombar pode piorar os sintomas.

Quando devo me preocupar?

Se a dor na lombar não passar: o que pode ser? “Quando há algum sinal de alerta, como dor forte que não melhora com analgésicos simples, dor que irradia para as pernas, presença de algum sintoma neurológico como formigamento, dormência ou perda de força nas pernas ou nos pés, o paciente deve procurar um médico imediatamente”, finaliza o especialista. 

Fonte: Marcelo Amato, neurocirurgião especialista em endoscopia de coluna e cirurgia minimamente invasiva de coluna.

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