Bolsa rota: o que é, por que acontece e o que deve ser feito

Entre as intercorrências que podem acontecer durante a gestação, está a bolsa rota, também conhecida como amniorrexe. De acordo com Geraldo Caldeira, ginecologista e obstetra, este é o nome dado para quando a membrana (formada pelo âmnio e cório) que protege o bebê e mantém o líquido amniótico dentro da cavidade uterina se rompe, sem que a grávida esteja em trabalho de parto.

O fenômeno é facilmente percebido porque uma grande quantidade de líquido começa a ser expelido pela gestante. Assim, neste momento, ela deve recorrer ao hospital imediatamente.  

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Por que a bolsa rota acontece?

Ainda de acordo com o Dr. Geraldo, a bolsa rota tende a acontecer principalmente devido a dois motivos. “Por exemplo, quando alguma bactéria, que estava na vagina, consegue entrar no colo do útero e produz uma irritação no âmnio, levando a sua ruptura”, detalha o obstetra.

A outra justificativa para o fenômeno é caso o colo do útero tenha algum tipo de dilatação. Isso, por sua vez, permite que a bolsa amniótica saia de dentro do útero e chegue até a vagina. Ali, a flora vaginal a contamina e, consequentemente, há a ruptura do âmnio.

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A bolsa estourou. E agora?

O perigo da bolsa rota não está no rompimento da membrana em si, mas quando ela acontece. Quem explica melhor sobre o assunto é o ginecologista e obstetra Carlos Moraes, especialista em perinatologia pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Albert Einstein.

“A bolsa amniótica tem a função de proteger o bebê. Logo, quando ela se rompe e eventualmente a paciente não entra em trabalho de parto, o feto deixa de ter essa defesa. Assim, algumas bactérias que já estão no ambiente vaginal e colo do útero podem subir e infectar o pequeno e a cavidade amniótica”, esclarece o médico.

Logo, o modo de agir quando a bolsa rompe varia conforme a idade gestacional da mulher. Segundo Geraldo, caso a grávida viva o episódio de bolsa rota com mais de 34 semanas, a orientação é interná-la e fazer o parto. A via de nascimento do bebê pode ser tanto cesárea quanto vaginal. “Neste caso, é feita a antibiótico terapia para não ter risco de infecção do bebê por meio da bactéria Streptococcus, que pode levar a óbito fetal”, detalha o médico.

Já se a amniorrexe acontecer antes das 34 semanas, a gestante deve ser internada para controle. Neste período, ela será submetida a uma série de exames, como o de hemograma, urina, PCR, VHS e passa pela antibiótico terapia também. Tudo isso é realizado para que se estenda o período de gravidez o máximo possível. Em outras palavras, o mais perto das 34 semanas de gestação.

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É possível prevenir a bolsa rota?  

Segundo Carlos, não há nada que possa ser feito diretamente para evitar a ruptura prematura da membrana que envolve a bolsa amniótica. Portanto, o cuidado primordial continua sendo um pré-natal cauteloso para que, diante de qualquer sinal do fenômeno, o obstetra possa agir da forma mais segura tanto para mãe quanto para o bebê.

Isso, inclusive, dialoga com a orientação de Geraldo sobre a importância de se agir rápido diante da suspeita de uma infecção vaginal, por exemplo. “Neste caso, deve-se fazer um exame de secreção vaginal para tratar a eventual bactéria patogênica que a gestante tenha. Além disso, tem que verificar se o colo do útero não está aberto para que não haja o deslocamento da bolsa para vagina”, indica o especialista.

Fontes: Dr. Geraldo Caldeira, ginecologista e obstetra, membro da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH) e médico do Serviço de Reprodução Humana do Hospital e Maternidade Santa Joana; e Dr. Carlos Moraes, ginecologista e obstetra pela Santa Casa/SP, membro da FEBRASGO e especialista em Perinatologia pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Albert Einstein, e em Infertilidade Conjugal e Ultrassom em Ginecologia e Obstetrícia pela FEBRASGO, além de médico nos hospitais Albert Einstein, São Luiz e Pro Matre.