Incontinência urinária: o que é, causas, tratamento e cuidados

15 de julho, 2022

A incontinência urinária ainda é um assunto tratado como tabu, pois pode constranger as pessoas e causar transtornos. Por essa razão, a perda involuntária de xixi não pode ser ignorada e necessita de cuidados médicos e no dia a dia. Afinal, é mais comum do que pensamos: 1 em cada 4 pessoas no Brasil acima dos 40 anos sofrem com a condição.

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O que é a incontinência urinária?

Em algum momento da vida, todo mundo já fez xixi nas roupas após segurar a vontade por muito tempo, ou quando éramos crianças aprendendo a usar o banheiro na hora certa. No entanto, quando a perda incontrolável de urina torna-se rotina, trata-se de algum tipo de incontinência, cujas causas são variadas — e vão de casos simples a mais complexos, como um grave distúrbio neurológico.

Mulheres são as mais afetadas

O problema atinge duas vezes mais as mulheres que os homens. Embora seja considerada de baixa gravidade, pode comprometer a vida social até de jovens adultas. De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, a incontinência atinge 72% das mulheres pelo mundo. Além disso, cerca de 20% dos casos de incontinência são em mulheres adultas; em idosas pode chegar a 50%.

Tipos

Segundo Carlos Machado, nefrologista e clínico geral especialista em medicina preventiva, a perda involuntária de xixi possui tipos variados, classificados de acordo com as causas. São eles:

Incontinência urinária por estresse

Quando a pessoa tem o escape urinário pelo excesso de pressão na bexiga. Normalmente, as causas são por esforços ou gestos simples, como tossir, dar risada, levantar peso, espirrar e atividades físicas mais intensas.

De impulso

O desejo intenso e súbito seguido da micção inesperada é provocada por uma série de doenças. Por exemplo, infecção urinária, que impede a pessoa de esvaziar a bexiga completamente; distúrbios neurológicos que tiram a autonomia sobre algumas funções fisiológicas do corpo; diabetes e alguns tipos de câncer, como o de próstata e bexiga.

Por excesso de fluxo

Ocorre quando ingerimos muito líquido e, como resultado, a bexiga se enche rapidamente e há dificuldade de gerenciar a contração do órgão. Nesse caso, não há uma causa patológica, mas ocasional. No entanto, deve ser evitada para não se tornar um problema recorrente.

Incontinência urinária funcional

Mais comum entre pessoas com algum tipo de limitação física ou mental. “Por exemplo, ela pode acontecer com uma pessoa idosa que possui artrite avançada, que apresenta mais dificuldade de se locomover e isso prejudica as necessidades fisiológicas”, explica Machado.

Outras causas

Há ainda a incontinência mista, que é a junção de dois ou mais perfis de incontinência urinária. Além dos tipos citados anteriormente, existem outros motivos para o surgimento do problema:

  • Uso de medicamentos.
  • Envelhecimento.
  • Flacidez da bexiga e do assoalho pélvico.
  • Gravidez e parto normal.
  • Cirurgias como a de retirada de câncer de próstata e histerectomia.
  • Prisão de ventre (forçar a saída das fezes impacta a contração do assoalho pélvico).
  • Alimentação inadequada (ingestão excessiva de líquidos e diuréticos, por exemplo).

Diagnóstico da incontinência urinária

Antes de mais nada, é importante buscar ajuda médica logo no início da suspeita. Afinal, o problema pode estar associado a uma infecção ou a um quadro mais severo. A princípio, clínicos gerais, ginecologistas e urologistas são os especialistas mais indicados para a consulta. Durante a conversa, o médico fará uma análise do seu estilo de vida: há quanto tempo está sofrendo o desconforto, rotina, histórico de doenças na família, cirurgias recentes etc.

Para complementar o diagnóstico, o profissional exige alguns exames, como o de urina, medição residual pós-miccional, ultrassom e pede que você faça um “diário da bexiga”. Ou seja, anotar por uma semana a quantidade de água, as vezes que vai ao banheiro, e em quais momentos houve episódios de incontinência. Além disso, o médico avalia a presença de outros sintomas e pode pedir outros testes específicos para se aprofundar na origem.

Existe tratamento?

Boa parte dos casos de infecção urinária têm solução, mas dependem da causa para o tratamento direcionado. Logo, se for uma infecção urinária, o uso de antibióticos e outros fármacos será fundamental; se o diagnóstico acusar flacidez na bexiga ou nos músculos pélvicos, pode ser o caso de uma intervenção cirúrgica ou fisioterapia. Por outro lado, há pessoas que não conseguem se livrar da incontinência urinária. Situações mais delicadas, como doenças debilitantes e degenerativas, sequelas de um câncer ou cirurgia podem atrapalhar a autonomia sobre a vontade de urinar. Portanto, consulte seu médico sobre as possibilidades e prognóstico.

Cuidados para quem tem incontinência urinária

Se você está ou possui familiares em tratamento ou com quadro crônico de incontinência, veja alternativas e cuidados para ter mais qualidade de vida:

Roupas íntimas descartáveis ou fraldas geriátricas

Atualmente, existe uma série de soluções absorventes para essa finalidade que oferecem discrição, conforto e segurança. Com o uso de fraldas específicas, é possível retomar a confiança em atividades do dia a dia sem se preocupar com os riscos de sujar a roupa ou de enfrentar situações embaraçosas.

Mantenha a região sempre limpa e seca

Aderir à utilização das fraldas ajuda esse hábito, principalmente se a incontinência urinária for muito frequente. Trocar o produto periodicamente, higienizar a área íntima e reforçar a secagem previnem o aparecimento de infecções e irritações na pele.

Não segure a vontade de ir ao banheiro por muito tempo

De acordo com o médico Carlos Machado, este conselho vale até para quem não convive com a incontinência. “Desde criança, precisamos nos condicionar a ir ao banheiro a cada três ou quatro horas e beber água para repor a perda de líquidos”, recomenda. Dessa forma, a bexiga trabalha no momento certo e não fica extremamente cheia. E, claro, se a vontade de fazer xixi surgir antes do tempo, é importante respeitá-la.

Fortalecer o assoalho pélvico

Já falamos dele aqui: o assoalho pélvico é um conjunto de músculos e ligamentos que fica na região genital, anal e urinária. Ele sustenta a bexiga, o útero, o reto e a próstata nos homens, dando estabilidade e mantendo a continência urinária. É possível realizar a fisioterapia pélvica e alguns exercícios que estimulam a área.

Fonte: Carlos Machado, nefrologista e clínico geral especialista em Medicina Preventiva – CRM/SP 41937 RQE 10659.