Crianças com atraso na linguagem devido à pandemia: o que fazer?

Muitas são as consequências da covid-19. Os sintomas físicos são notados rapidamente. Muita gente, por exemplo, perde o paladar ou sofre com lapsos de memória após a infecção. No entanto, muitas consequências só serão descobertas a longo prazo. Uma delas é o atraso na linguagem. Devido à pandemia, muitas crianças estão demorando a falar.

A falta de estimulação adequada em relação à linguagem oral tem sido percebida em menores de três anos, principalmente na faixa etária de 0 a 3 anos, que são aquelas nascidas desde o início da pandemia. Saiba o que você pode fazer para reverter essa situação.

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As causas do atraso na linguagem das crianças

O atraso na linguagem das crianças tem como principal causa o distanciamento social, já que a suspensão das aulas e, consequentemente, a diminuição das atividades e recreações infantis, afeta diretamente o desenvolvimento da linguagem e da fala. Na maior parte das vezes, os pais estão trabalhando, diminuindo ainda mais a possibilidade da criança ser estimulada e ter conversas em um ambiente linguístico enriquecedor.

Além disso, durante o período de isolamento, as crianças foram privadas de diversos estímulos que ocorriam no dia a dia, desde um passeio, uma ida ao mercado e de brincadeiras em parquinhos, além da falta de convívio com outras da mesma idade, nas escolas e creches. Essas atividades ampliam o vocabulário e favorecem a elaboração de histórias.

Por outro lado, o uso exagerado dos dispositivos eletrônicos, como celular, tablet e TV, também é apontado pelos especialistas como um agravante para o atraso na linguagem. Lembrando que a Sociedade Brasileira de Pediatria preconiza a não exposição de menores de dois anos às telas, mesmo que passivamente. Entre dois a cinco anos, o tempo de uso deve ser, no máximo, uma hora por dia, sempre com supervisão e, para todas as idades, nada de telas durante as refeições e desconectar uma a duas horas antes de dormir. 

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Quando é normal começar a falar?

A linguagem começa a se desenvolver por meio da observação, repetições, expressões faciais, gesticulação, sons e pela interação. Dessa forma, especialistas explicam que com um ano, a criança tem que falar pelo menos duas palavras. Ao completar dezoito meses, tem que falar três palavras. Aos dois anos de idade, é importante que a criança seja capaz de formar uma frase simples. Dessa forma, ela tem que falar frases compreensíveis. Se isso não acontece, é um sinal de alerta. Lembrando que nos três primeiros anos de vida o cérebro tem a plasticidade neuronal máxima, por isso, é o momento mais propício para o aprendizado.

Quando é preciso se preocupar com o atraso na linguagem

As famílias devem se atentar aos sinais que podem indicar atraso na linguagem e na fala, como alterações auditivas, motoras e neurológicas. Outros sinais podem ser a falta de expressão de sons antes do 1 ano de vida do bebê, como “papá e mamã”, ausência de imitação, repetição e de contato visual.

Do mesmo modo, crianças que não ouvem também apresentam dificuldades na diferenciação e compreensão de sons e, consequentemente, não reproduzem o que estão ouvindo ou não se comunicam de maneira efetiva. Dessa forma, tais sinais indicam que é preciso buscar a avaliação de profissionais que farão o diagnóstico e recomendações.

Dicas para estimular a fala

Diante da rotina corrida e pouco tempo no ambiente familiar, atitudes como entregar objetos sem a solicitação oral impossibilita o diálogo, priva a troca linguística e sua evolução. A boa notícia é que é possível incentivar a linguagem e a fala nas atividades do dia a dia, como às refeições, no banho e até na hora de dormir, antes mesmo de apresentar qualquer dificuldade. Confira algumas dicas:

  • Organizar atividades recreativas com crianças da mesma faixa etária, incentivando o relacionamento social, como passeios e atividades ao ar livre;
  • Tornar as tarefas da casa lúdicas. Permitir, por exemplo, que a criança acompanhe o preparo das refeições, nomeie os ingredientes do preparo, questionando cores, formas e tamanhos;
  • Brincar de empilhar e encaixar objetos. Jogar bola e boliche, por exemplo, são momentos que permitem a troca entre os participantes;
  • Estimular o contato visual dos bebês: chamar a atenção para a boca para ensinar como pronunciar determinadas palavras; reproduzir sons de animais ou meios de transportes e dar sempre significado ao que foi dito;
  • As cantigas são excelentes formas de interação e motivação;
  • Esconde-esconde é uma das atividades preferidas desde os primeiros meses e ajudam o avanço;
  • Na hora do banho, citar as partes do corpo e estimular cantigas;
  • Contar histórias e a leitura de livros não apenas na hora de dormir, mas também em outros momentos, explorando vozes e a criatividade, mostrando figuras.

Já existem pesquisas que mostram que, se os pais não demorarem para levar o filho a uma fonoaudióloga, essa criança vai se desenvolver normalmente. Por isso, é importante que pais e professores se mantenham atentos aos sinais de atraso no desenvolvimento da fala. Assim, é possível procurar ajuda de um especialista o quanto antes.

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Fonte: UOL

Sobre o autor

Fernanda Lima
Fernanda Lima
Jornalista e Subeditora da Vitat. Especialista em saúde