Síndrome de transfusão feto-fetal: Entenda a condição rara entre gestantes

Embora seja rara, a síndrome de transfusão feto-fetal (STFF) oferece riscos para a mãe e os bebês. Também chamada de síndrome de transfusão de gêmeos, a anomalia ocorre durante a gestação de gêmeos idênticos, que dividem uma única placenta.

Assim, a placenta é responsável pela troca de fluidos e nutrientes para os fetos. Com a existência de apenas um órgão, os bebês acabam dividindo a circulação da placenta. Desse modo, como consequência, o sangue flui de forma desequilibrada entre eles, que transfundem o sangue de um para o outro.

Um dos bebês, chamado de receptor, recebe muito mais sangue do que o seu irmão, que é o doador. O primeiro pode desenvolver pressão alta e problemas como insuficiência cardíaca; já o segundo, por outro lado, tem menos sangue e fica gravemente anêmico. Mas para ambos, a condição pode ser fatal se não for diagnosticada e tratada precocemente.

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Diagnóstico da síndrome de transfusão feto-fetal

A gestante precisa comparecer às consultas pré-natal com assiduidade, sempre com um obstetra de confiança. isso porque possíveis anomalias geralmente são identificadas durante o ultrassom ou por meio de exames específicos. Além disso, o primeiro sinal da síndrome pode ser a diferença do volume de líquido amniótico entre as bolsas, que se manifesta no segundo trimestre da gravidez.

Contudo, lembre-se: quaisquer sintomas e desconfortos também devem ser compartilhados para auxiliar o profissional a diagnosticar o problema.

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Tratamento da STFF

O tratamento depende do estágio e da gravidade da síndrome. Quando há descompensação entre os bebês, indica-se a cirurgia intrauterina, chamada de fotocoagulação fetoscópica seletiva a laser (SFLP). O método se assemelha a uma videolaparoscopia e o laser é usado para “cauterizar” e interromper o fluxo entre os vasos comunicantes dos bebês, que dividem a mesma placenta.

Quando não há intervenção, a taxa de óbito de pelo menos um gêmeo chega a 70%, com danos neurológicos nos sobreviventes em 25 a 100% dos casos. Atualmente, é consenso mundial que a cirurgia endoscópica com ablação vascular placentária por laser deve ser empregada como tratamento para a STFF grave.

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Fonte: Flávia do Vale, médica obstetra e coordenadora da maternidade do Hospital IcaraÍ em parceria com a Perinatal, sócia-fundadora da clínica Plena Ultrassonografia e médica ginecologista obstetra especialista em medicina fetal e ultrassonografia, com mestrado em ciências médicas pela UFF.

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