Retinopatia da prematuridade: o que é, causas e como tratar

A retinopatia da prematuridade (ROP) é uma condição que atinge a retina de bebês prematuros e pode provocar a cegueira. De acordo com a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP), o risco da doença é maior em bebês que nascem com peso abaixo de 1.500 gramas ou antes de completarem 32 semanas de gestação.

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Diagnóstico da ROP

O exame de fundo de olho é o mais preciso para identificar a retinopatia da prematuridade. Nele, o médico avalia se há um crescimento anormal de vasos sanguíneos na área da retina, que é a principal característica da doença.

A princípio, o mapeamento da retina é realizado quando o bebê nasce com menos de 1.500 gramas ou antes da 32ª semana; ou em casos que a criança possui uma situação de saúde delicada. Em ambos os cenários, o exame é feito na primeira semana ou logo após o nascimento do bebê. Além disso, se o bebê for prematuro, mas está saudável e acima dos indicadores, a avaliação é feita por volta de suas 4 semanas de vida.  

Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), uma alternativa ao exame do fundo de olho é a triagem com fotos tiradas por uma câmera digital grande angular. Essas imagens devem ser feitas por um profissional técnico com suporte da enfermaria neonatal, e enviadas ao oftalmologista para análise e laudo.

Sintomas

Normalmente os sinais físicos não são vistos a olho nu, cabendo exclusivamente a um especialista a observação adequada. Por essa razão, assim que o bebê nasce no contexto prematuro, a equipe médica é minuciosa no monitoramento de sua saúde, incluindo a visão. No entanto, é importante acompanhar os reflexos do bebê no dia a dia e conversar com o pediatra ou oftalmologista se houver suspeita de baixa visão.

Causas da retinopatia da prematuridade

A principal razão que favorece o desenvolvimento da retinopatia é o nível de prematuridade do bebê. Quanto menor a idade da gestação, maiores as chances de agravamento da condição, sobretudo se estiver associada a outras complicações. Por exemplo, anemia, baixo ganho de peso, problemas respiratórios e de saúde em geral favorecem a progressão da retinopatia para um quadro mais grave.

Complicações

No Brasil, a retinopatia da prematuridade é uma das grandes responsáveis pela cegueira em bebês e crianças, segundo cartilha da Fiocruz em parceria com o Ministério da Saúde. Os motivos são diversos, mas a falta de tratamento adequado pode ser a principal razão.

Em geral, a maioria dos bebês com retinopatia consegue enxergar normalmente, pois o quadro se estabiliza sem prejudicar a retina. Entretanto, pode haver complicações se o estado de saúde do prematuro for delicado. Como resultado, a ROP pode seguir com a proliferação excessiva dos vasos sanguíneos, que ocasionam o descolamento ou afastamento da retina da parede ocular. Nesses casos, o bebê pode sofrer uma hemorragia intraocular e perder a visão parcial ou totalmente.

Tratamento da retinopatia da prematuridade

O diagnóstico nas primeiras semanas de vida do bebê e o monitoramento frequente da condição são essenciais para a eficácia do tratamento. Quando há riscos de descolamento da retina e, consequentemente, a perda da visão, o médico pode adotar uma das medidas a seguir:

  • Ablação a laser: segundo a SBOP, é a técnica mais convencional de tratamento. O procedimento consiste na aplicação de laser na retina do bebê, com o objetivo de frear o crescimento inadequado dos vasos sanguíneos.
  • Injeção de medicamento: mais recente, a aplicação de medicamento antiogiogênico. Apesar dos resultados positivos, ainda não há pesquisas suficientes que analisam os efeitos de longo prazo e o nível de eficácia do fármaco.
  • Faixa ocular: inserida de forma cirúrgica, também é indicada para bebês com a retina em início de descolamento. Assim, o dispositivo é posicionado ao redor do globo ocular, a fim de conter a movimentação do pequeno órgão.
  • Vitrectomia: menos comum, esse tipo de cirurgia remove uma parte ou todo o humor vítreo (conteúdo líquido que preenche o globo ocular) e repõe com uma substância salina ou bolha feita de óleo ou gás. Durante a retirada, o oftalmologista consegue reposicionar a retina.

Cuidados pós-cirúrgicos da retinopatia da prematuridade

O tipo de tratamento irá depender do estágio da ROP. Afinal, se for realizado algum procedimento cirúrgico, são necessárias anestesia e internação da criança por, pelo menos, 24 horas. O uso do curativo também é importante para proteger a visão do bebê. Ainda na primeira semana, deve-se instilar o colírio receitado pelo médico e seguir as recomendações de higienização. Por fim, é fundamental comparecer aos retornos ao oftalmologista para acompanhar a recuperação e se há necessidade de outras intervenções para o tratamento.

Como prevenir a doença

A futura mãe precisa comparecer a todas as consultas pré-natal e ter hábitos saudáveis para evitar que o bebê nasça antes do esperado. Portanto, realizar todos os exames e tomar todos os cuidados prescritos pelo seu obstetra previnem a maior causa da retinopatia, que é o parto prematuro. Depois do nascimento do bebê, vem a etapa de inserir a rotina com o pediatra, profissional focado em cuidados infantis e capacitado a indicar outras especialidades médicas, se houver necessidade.

Links úteis

Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica

National Eyes Institute

Cartilha sobre retinopatia da prematuridade do Ministério da Saúde, da IFF e da Fiocruz

American Academy of Ophtalmology