Queratose pilar: o que é, como identificar, causas e tratamento

16 de agosto, 2021

Também conhecida como ceratose folicular, a queratose pilar é um problema de pele muito comum, identificado especialmente por conta das pequenas bolinhas que surgem normalmente nos braços, nas coxas, nos glúteos e, às vezes, até mesmo nas bochechas.

Apesar de render muitas queixas por ser um quadro que incomoda pela aparência, a doença pode ser tratada com acompanhamento profissional, chegando até mesmo à cura em alguns casos.

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O que é queratose pilar?

A queratose pilar é um problema de pele benigno e não contagioso, causado por uma alteração na queratinização, ou seja, pelo aumento na produção de queratina nos folículos pilosos.

De acordo com a dermatologista Ana Paula Mantoan, o quadro se manifesta especialmente em mulheres e crianças, através de pequenas bolinhas ásperas e endurecidas chamadas pápulas, que podem surgir em tons avermelhados, esbranquiçadas ou amarronzados.

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“Elas costumam incomodar pela aparência de pele de galinha ou pele arrepiada de frio”, afirma a médica.

Segundo a profissional, os locais do corpo mais propícios a sofrer com a queratose pilar são:

  • Parte superior dos braços;
  • Coxas;
  • Glúteos;
  • Bochechas (com menor frequência).

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Causas da queratose pilar

A principal causa da queratose é a hiperqueratose, ou seja, o acúmulo de queratina causado pelo excesso de produção dessa proteína na pele.

Além do fator genético, outros motivos também levam ao surgimento deste problema.

“Pessoas com pele seca ou outras condições de pele, como dermatite atópica e processos alérgicos como rinite, bronquite e asma, têm maior tendência a manifestar esse quadro”, aponta Ana Paula.

Além disso, o aumento da produção de queratina na pele ainda pode ser causado pelo uso rotineiro de roupas apertadas ou, então, pela deficiência de vitamina A no organismo.

Sintomas e diagnóstico

O único sintoma da queratose pilar é o aparecimento das bolinhas na pele que, em geral, não doem nem coçam, podendo facilmente ser confundidas com espinhas ou foliculite.

Geralmente, as pápulas costumam surgir no final da infância e início da adolescência, e normalmente desaparecem espontaneamente entre os 20 e 30 anos.

“O quadro tende a melhorar com a idade, mas pode persistir na fase adulta. Além disso, ele acontece mais no frio e, às vezes, melhora no verão”, diz a médica.

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Vale ressaltar que a queratose não causa nenhum problema de saúde mais grave, porém pode gerar um desconforto estético. Por este motivo, é importante procurar um dermatologista para ter um diagnóstico correto e o tratamento adequado.

Na consulta, o profissional deverá fazer uma avaliação física das características da pele e da localização e aparência das bolinhas, além de checar o histórico de saúde do paciente, já que este problema pode ser genético e comum em pessoas com dermatite atópica.

Como amenizar os sintomas

Ana Paula afirma que tomar alguns cuidados no dia a dia pode ajudar a amenizar os sintomas da queratose pilar, diminuindo, assim, o desconforto estético.

São eles:

  • Evitar o uso de roupas apertadas, diminuindo o atrito com a pele;
  • Não tomar banhos muito quentes, demorados e com muito sabonete;
  • Evitar o sol entre 10h e 16h e usar sempre proteção solar;
  • Não fazer depilação com lâmina de barbear ou cera;
  • Evitar esfregar a toalha na pele;
  • Não usar buchas;
  • Não apertar ou coçar lesões na pele;
  • Evitar usar esfoliante nas regiões afetadas;
  • Diminuir o consumo de leite e derivados e açúcares, pois são alimentos inflamatórios.

Afinal, queratose pilar tem cura?

Assim como os motivos que levam ao aparecimento da queratose na pele, o tratamento também varia de pessoa para pessoa.

Isso porque, enquanto alguns pacientes se curam através dos tratamentos indicados por profissionais, outros só conseguem minimizar os sintomas.

Isso acontece principalmente com as pessoas que têm predisposição genética.

“Quem não tem casos de queratose pilar na família tem mais chances de eliminar a doença. Já os pacientes que possuem parentes com o problema têm suas chances reduzidas.”

Tratamentos

De acordo com Ana Paula, existem diversas formas de tratar a queratose pilar.

“Depilação a laser é o método mais indicado, pois diminui o risco de inflamação e, consequentemente, melhora o quadro. Lembrando que é sempre necessário hidratar bem a região após o método”, ela aponta

Já para os casos mais extensos, a dermatologista alerta que é possível usar cremes à base de ácidos como glicólico, salicílico, retinóico, lático, além de peelings e outros tratamentos estéticos.

Veja a seguir os tratamentos mais usados para a queratose:

Hidratar a pele

A hidratação pode ser indicada pelos profissionais para diminuir o ressecamento da pele, evitando o surgimento das bolinhas.

O ideal para este quadro é apostar em produtos em perfume, neutros e com óleo em suas fórmulas.

Usar cremes e pomadas

Como apontado pela profissional, o uso de cremes e pomadas à base de alguns ácidos também contribui para reduzir o quadro.

Alguns deles são:

  • Cremes com ácido salicílico a 6% ou ureia a 20%: ajudam a remover as células mortas da pele, promovendo uma hidratação mais profunda da pele;
  • Cremes com ácido retinóico ou Vitamina A: promovem uma hidratação adequada das camadas da pele, reduzindo o surgimento de bolinhas na pele.

Vale ressaltar, porém, que os cremes podem ter efeitos colaterais como vermelhidão, irritação, ressecamento ou sensação de queimação no local da aplicação. Por isso, eles só devem ser usados com indicação médica.

Laser com luz pulsada

Este procedimento pode ajudar a tratar a queratose pilar porque ajuda a reduzir a vermelhidão da pele e a melhorar o aspecto e a textura da pele.

Peeling químico

O peeling deve ser feito por um profissional e consiste na aplicação de ácidos na pele, promovendo uma esfoliação química que ajuda a remover as camadas superficiais danificadas.  

Microdermoabrasão

Este tratamento também faz uma esfoliação intensa da pele, ajudando a remover as bolinhas da queratose e deixando a pele com aspecto mais liso. Para isso, é usado um cristal especial, que remove a camada mais superficial da pele e, portanto, também deve ser feito em consultório por um dermatologista.

Fonte: Ana Paula Mantoan, dermatologista da Clínica Healphy, de São Paulo.

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