Pesquisa indica mudança no ciclo menstrual após vacinação da Covid-19

12 de janeiro, 2022

A vacinação é uma das principais formas de prevenir casos graves de Covid-19, ainda mais com o avanço da variante ômicron. No entanto, os imunizantes podem causar reações, como dor no braço e febre. Porém, uma pesquisa indicou ainda uma possível mudança no ciclo menstrual de algumas mulheres.

O National Institutes of Health, dos Estados Unidos, lançou recentemente um estudo para investigar se há uma conexão entre a vacinação contra a Covid-19 e alterações nos ciclos menstruais. A pesquisa foi motivada por milhares de mulheres que começaram a relatar que esse pode ser um possível efeito colateral da vacina.

De acordo com os pesquisadores, o aumento médio na duração do ciclo menstrual “parece ser impulsionado em grande parte” por mulheres que receberam as doses de uma vacina de RNA mensageiro (mRNA), como da Pfizer ou Moderna. Confira abaixo outras pesquisas que também seguem o mesmo caminho.

Leia mais: Mudanças no ciclo menstrual indicam riscos à saúde do coração

Mulheres relatam mudança no ciclo menstrual

A especialista em Antropologia Médica Kate Clancy também decidiu investigar a mudança no ciclo menstrual. Ela compartilhou no Twitter um relato de alteração no ciclo menstrual após ter se vacinado contra a Covid-19. Segundo a médica, sua menstruação ficou mais intensa que o usual após tomar o imunizante da Moderna. Na sequência, Katharine Lee, da Universidade de Washington, disse que também passou pela experiência. “Acabei tendo cólicas muito fortes e um pouco de sangramento após as duas vacinas”, disse. 

Então, a dupla decidiu criar uma pesquisa para coletar outros relatos semelhantes. Como resultado, surgiram mais de 150 mil depoimentos descrevendo sangramento excessivo ou mais frequente, além de cólicas e atrasos no ciclo menstrual.

Leia mais: Assintomáticos: testou positivo, mas está sem sintomas? Saiba o que fazer

Outra pesquisa dda Oregon Health & Science University mostrou que algumas mulheres também tiveram uma duração média do ciclo menstrual de cerca de um dia a mais do que o normal. No entanto, a mudança não é clinicamente significativa e os especialistas dizem que não deve causar preocupação.

Por enquanto, os pesquisadores enfatizam que as mudanças menstruais são temporárias e que todos os estudos sobre fertilidade descobriram que as vacinas contra a covid-19 não diminuem as chances de ter um bebê. Além disso, os autores consideram necessária investigação adicional para analisar os potenciais efeitos da vacinação no ciclo menstrual, como sintomas associados e características da hemorragia.

Brasileiras também relatam alterações no ciclo

No Brasil muitas mulheres também tiveram (ou ainda estão apresentando) irregularidades no ciclo menstrual. Um estudo desenvolvido por um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (UFLA), por exemplo, identificou que 77% delas relataram alterações na menstruação desde o início do período de distanciamento social. No entanto, neste caso, segundo especialistas, o psicológico é o fator que mais tem influenciado as mudanças.

A boa notícia é que apenas cerca de 5% das mulheres vacinadas tiveram uma mudança clinicamente significativa em seu ciclo de mais de oito dias. O dado tranquiliza, por exemplo, mulheres que paticiparam de uma pesquisa da Kaiser Family Foundation, que revelou que quase 60% das que estão grávidas ou tentando engravidar não estão confiantes de que as vacinas contra a Covid-19 são seguras. De fato, o que já aprendemos com as lições da pandemia, é que as vacinas são sim, seguras. Por isso, é importante tomar as doses disponíveis, incluindo a terceira, além de continuar mantendo as medidas de prevenção contra o coronavírus.

Leia mais: Quase 80% das mulheres tiveram alterações na menstruação durante a pandemia

Sobre o autor

Fernanda Lima
Fernanda Lima
Jornalista e Subeditora da Vitat. Especialista em saúde