Mitos e verdades sobre a menopausa

7 de outubro, 2021

A menopausa é um processo natural do corpo feminino que ainda é cercado de mitos e verdades. Nele, ocorre uma queda dos hormônios responsáveis pela menstruação e gravidez (estrogênio e progesterona). 

De acordo com a pesquisa publicada no periódico médico Menopause Review Przeglad Menopauzalny, 80 a 90% das mulheres na menopausa sofrem com um ou vários sintomas da condição. E com o aumento da expectativa de vida, estima-se que as mulheres terão que conviver com eles por cerca de 1/3 de suas vidas.

A pesquisa aponta que ondas de calor, acompanhadas de disfunções sexuais, estão entre as consequências mais comuns da menopausa em toda a América Latina. No caso das ondas de calor, também conhecidas como fogachos, cerca de 75% das mulheres são acometidas nos primeiros três anos e meio.

“Por ser uma fase fisiológica, toda mulher passará por esse período de transformações e desafios. Daí a importância de ter acesso a informações corretas”, pondera a Dra. Claudia Chang, pós-doutora em endocrinologia e metabologia pela USP e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

Assim, para ajudar a conhecer melhor os fatos sobre a menopausa, a endocrinologista selecionou os principais mitos e verdades:

Mitos e verdades sobre a menopausa

Há dietas específicas para a menopausa

MITO. A alimentação nesse período precisa apenas ser saudável e equilibrada — assim como em todas as fases da vida. No entanto, há determinados alimentos que podem minimizar os sintomas: a soja, por exemplo, que atua no mesmo receptor do hormônio feminino.  

Já o consumo de leite e derivados (nas mulheres que não têm intolerância), por outro lado, é essencial para obter maior aporte de cálcio e minimizar a perda de massa óssea, muito comum na menopausa. Além disso, uma dica é aumentar o consumo de proteína, evitando a diminuição da massa muscular (massa magra).

Menopausa só ocorre após os 50 anos

MITO. Realmente, a faixa etária mais acometida pelo início menopausa na população brasileira é a de 51,2 anos. No entanto, algumas mulheres podem chegar à menopausa antes dos 40 anos, a chamada menopausa precoce. Isso pode ocorrer por diversos fatores, como hereditariedade, consumo contínuo de alguns medicamentos, depressão, intervenções médicas (cirurgias, quimioterapias e radioterapias, por exemplo), ou insuficiência ovariana primária.

A mulher não pode mais engravidar

VERDADE. No climatério, ainda é possível engravidar, já que o corpo está em fase de transição do período reprodutivo para o não reprodutivo. Com a menopausa já instalada e passado um ano de amenorreia (ausência da menstruação), a diminuição dos tamanhos dos ovários e a queda da produção hormonal ovariana inviabilizam uma gestação.

“Uma das formas da mulher engravidar nessa fase seria por meio da reprodução assistida, conhecida como fertilização in vitro, ressalta Claudia Chang.

Mitos e verdades sobre a menopausa: A mulher fica mais suscetível a algumas doenças

VERDADE. Como a menopausa é marcada pela queda na produção do estrogênio, hormônio responsável pela distribuição da gordura corporal, pela fixação do cálcio nos ossos e pelo equilíbrio das gorduras no sangue, há alterações no corpo. Por exemplo, um maior acúmulo de gordura visceral/abdominal e riscos aumentados de diabetes, osteoporose e doenças cardiovasculares (AVC, infarto e hipertensão).

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Há alterações de humor, sono, libido e aumento de ansiedade

VERDADE. Os fatores psicológicos e fisiológicos mais relacionados à menopausa envolvem nervosismo, depressão, insônia, irritabilidade, alteração de humor, labilidade emocional, problemas de memória, diminuição da libido e predisposição ao estresse.

“A queda da produção estrogênica gera uma sobrecarga fisiológica, podendo resultar, desse modo, em fadiga física ou estafa mental, alterando o sono e favorecendo problemas psicológicos”, completa a especialista.

Mitos e verdades sobre a menopausa: Pode haver ganho de peso

VERDADE. Com a redução de massa magra, ocorre a diminuição da taxa metabólica basal e, consequentemente, a energia necessária para manter as funções do organismo em repouso. Além disso, pela queda do estrogênio, há maior acúmulo de gordura na região abdominal, elevando a resistência ao hormônio insulina, o que resulta no aumento de açúcar no sangue.

Reposição hormonal é a melhor forma de tratar a menopausa

VERDADE. Embora a reposição hormonal seja a melhor estratégia do ponto de vista farmacológico, nem todas as mulheres têm indicação ou podem fazer uso da reposição. Isso porque alguns aspectos precisam ser observados, como a via de administração hormonal, as doses e os tipos dos hormônios. Tudo isso tem influência nos riscos e na resposta ao tratamento.

Para as mulheres que possuem alguma contraindicação, há outras terapias que podem ser indicadas para tratamento dos sintomas climatéricos, como antidepressivos, acupuntura e homeopatia.

“Vale lembrar que a prática de atividade física regular, associada à alimentação saudável, é importante para minimizar sintomas climatéricos, favorecer o ganho de massa óssea e aumentar a taxa metabólica basal. Além disso, ao notar sinal de diminuição ou ausência da menstruação, o indicado é consultar um especialista. Ele fará avaliações, solicitação de exames e um tratamento adequado. Afinal, por mais que, cedo ou tarde, a menopausa chegue para todas as mulheres, cada uma tem suas particularidades e necessidades”, finaliza Claudia Chang.

Fonte: Dra. Claudia Chang, pós-doutora em endocrinologia e metabologia pela USP e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

Sobre o autor

Julia Moraes
Julia Moraes
Jornalista e repórter da Vitat. Especialista em fitness, saúde mental e emocional.