Luxação de patela: causas, tratamento e prevenção

23 de junho, 2022

Luxação de patela ocorre quando o osso da frente do joelho (antigamente chamado de rótula) desencaixa, perdendo a conformidade com o fêmur, maior osso do corpo humano que fica localizado na coxa.

De acordo com o ortopedista Riccardo Gobbi, especialista do HCor, o termo luxação é mal utilizado pelo público em geral. Isso porque muitas vezes é aplicado como sinônimo de lesões leves e sem importância. Mas, na verdade, é uma lesão grave em que dois ou mais ossos que se articulam desencaixam, perdendo a congruência. “Como os ossos fora do lugar causam muita dor, edema e perda da função, a luxação precisa ser ‘reduzida’, ou seja, colocada no lugar”, ressalta.

Fatores de risco

A presença de fatores predisponentes permite que a patela luxe com certa facilidade em muitas situações. Como com movimentos banais de rotação do joelho em atividades do dia a dia. O que é diferente da articulação do quadril, por exemplo, que só luxa se houver um trauma muito intenso, como um acidente de carro.

De acordo com o ortopedista, os principais fatores anatômicos que predispõem o surgimento de luxação de patela estão relacionados a alterações no formato do encaixe da patela com o fêmur. Por exemplo: patela alta, displasia de tróclea (alteração do formato do trilho da patela no fêmur que normalmente é côncavo e pode ser plano ou até mesmo convexo) e o alinhamento estático ou dinâmico do joelho desfavorável (que pode ocorrer pelo alinhamento ósseo constitucional ou por fraquezas musculares).

Vale destacar, no entanto, que todos esses fatores ocorrem mais frequentemente em mulheres jovens do que em homens.

Tipos de luxação de patela

De forma geral, descrevemos a luxação patelar como:

  • Traumática, em geral a primeira vez que ocorre a luxação;
  • Recidivante, quando a patela já luxou 2 ou mais vezes;
  • Habitual, se a patela luxa em todas as vezes que o joelho dobra e estica;
  • Inveterada, quando a patela permanece fixamente luxada, não sendo possível colocá-la no lugar sem cirurgia.

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Sintomas

Os sintomas de luxação de patela variam dependendo do quadro clínico, podendo ir desde uma leve sensação de deslizamento ou desencaixe até inchaços enormes do joelho nas luxações traumáticas associadas a lesão de cartilagem. Assim, separa-se o problema em duas fases: aguda e crônica.

Na fase aguda, ou seja, nas primeiras semanas após uma luxação traumática, costumam ocorrer dor e inchaço no joelho, além da percepção de que um osso saiu do lugar. “Apenas esticar o joelho em geral é suficiente para que a patela volte para o lugar. Como posicionar o joelho esticado é a primeira coisa que se faz quando ocorre uma lesão, é raro ser necessário um médico para reduzir a patela”, explica Gobbi.

Ainda segundo o ortopedista, na fase crônica costuma ocorrer fraqueza muscular, sensação de instabilidade e a percepção de que a patela vai sair do lugar quando mexe nela.

Diagnóstico de luxação de patela

Para diagnosticar a luxação de patela, o médico ortopedista combina a história clínica com o exame físico e radiografias para o diagnóstico correto, podendo solicitar também tomografia e ressonância para melhor se estudar a lesão e fatores predisponentes.

Como é feito o tratamento de luxação de patela

De forma geral, existem dois tipos de tratamento: o não-cirúrgico e o cirúrgico. “Imobilização, fisioterapia, fortalecimento muscular e adaptação de atividades físicas são a essência do tratamento não-cirúrgico. Em casos de maior risco de recidiva, com mais fatores predisponentes presentes, a cirurgia pode ser indicada até na primeira luxação”, esclarece o ortopedista Riccardo Gobbi.

Assim, o médico fará uma avaliação criteriosa para indicar o melhor tratamento, dependendo de cada caso.

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É possível prevenir a luxação de patela?

Realizar uma avaliação mais ampla de pessoas, principalmente mulheres, envolvidas em atividades físicas é a melhor forma de prevenir lesões ortopédicas. Entre os 10 e os 20 anos é a faixa etária em que mais comumente ocorre a primeira luxação.

“Nesse cenário, poderiam ser instituídos exercícios para se corrigir déficits musculares, ajustes e escolhas das atividades físicas mais favoráveis para minimizar o risco de luxação. Infelizmente, porém, a maioria das lesões ocorrem sem esta prevenção primária, permitindo apenas a realização da prevenção secundária, com objetivo de minimizar risco de uma nova luxação adicional”, completa o médico Riccardo Gobbi.

Fonte: Dr. Riccardo Gobbi, ortopedista do corpo clínico HCor.

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