Fratura de fêmur: tipos, sintomas tratamento e recuperação

Saúde
22 de Junho, 2022
Fratura de fêmur: tipos, sintomas tratamento e recuperação

O fêmur é o osso mais comprido e forte do corpo humano, que se localiza na coxa e exerce um papel fundamental na sustentação do esqueleto. Mas, apesar de resistente, ele merece atenção especial, principalmente na terceira idade, onde pode ocorrer a fratura de fêmur.

A fratura de fêmur em idosos representa um grave risco. De acordo com um estudo realizado pelo Hospital das Clínicas de São Paulo, 20% dos idosos que sofrem esse tipo de fratura não voltam a andar e 30% morrem após um ano. Conforme o levantamento, três em cada quatro pessoas da terceira idade que fraturam o fêmur têm osteoporose e não sabem. A pesquisa aponta ainda que 75% dos idosos apresentam a doença, que consiste na perda da massa óssea decorrente do processo de envelhecimento. Dessa forma, leva a fraturas em caso de quedas.  

Segundo a Fundação Internacional de Osteoporose, cerca de 9 milhões de fraturas acontecem todo ano em decorrência da perda de massa óssea. Isso representa uma fratura a cada três segundos. Só no Brasil, conforme dados da fundação, 10 milhões de pessoas apresentam osteoporose.

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Tipos de fratura de fêmur

De acordo com o ortopedista Bruno Rudelli, especialista em cirurgia do quadril na Care Club Health Centerm, há diversos tipos de fraturas que acometem o fêmur, sendo que as mais encontradas geralmente são:

Fraturas do fêmur proximal: também chamadas popularmente de fraturas do quadril, incluem as fraturas do colo femoral e transtrocanterianas. Elas ocorrem entre o trocanter menor e o maior – regiões que ficam abaixo da cabeça do fêmur e da articulação do quadril. São mais frequentes em mulheres idosas com algum grau de osteoporose e ocorrem após traumas de baixa energia, como quedas da própria altura.

Fratura da diáfise femoral: ocorrem na região tubular do osso do fêmur, normalmente decorrentes de traumas de alta energia, como quedas de grandes alturas e acidentes automobilísticos, por exemplo. 

Fratura por estresse do colo femoral: de forma diferente das fraturas convencionais que ocorrem após um evento traumático isolado. As fraturas por estresse ocorrem por uma sobrecarga mecânica no osso, que acontece de forma cíclica. Dessa forma, excede a capacidade do osso de se regenerar.

“As fraturas do fêmur proximal acometem mais mulheres idosas com osteoporose, enquanto as fraturas por estresse do colo femoral normalmente afetam pacientes mais jovens que praticam atividades físicas de impacto”, esclarece o especialista. 

Sintomas

Segundo Rudelli, nas fraturas traumáticas, o paciente evolui com dificuldade ou impossibilidade de apoiar o membro fraturado no chão. Sente dor de alta intensidade ao mobilizar o membro e, nos casos em que ocorre desvio da fratura, o membro inferior normalmente se encontra encurtado e rodado externo. 

Em relação às fraturas por estresse do colo femoral, geralmente o paciente se queixa de dor na região inguinal (virilha), principalmente ao realizar extremos de movimento do quadril, que pioram após a realização de atividades físicas. “Caso a lesão não seja diagnosticada e tratada, os sintomas vão progredindo, podendo evoluir para uma fratura completa”, alerta o ortopedista.

“Atletas que realizam atividades físicas de impacto, principalmente durante aumento do volume ou intensidade do treino devem se atentar para dores na região do quadril. Principalmente se os sintomas pioram com o exercício e aliviam com o repouso. Na dúvida, é sempre importante procurar um especialista”, recomenda o profissional.  

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Tratamento recomendado para fratura de fêmur

Nas fraturas traumáticas da região proximal e diafisária do fêmur, o tratamento recomendado é quase sempre cirúrgico. Nas fraturas por estresse do colo femoral, na maioria das vezes, é possível realizar um tratamento não cirúrgico, retirando parcialmente a carga do membro e realizando repouso relativo de forma a permitir que o osso sobrecarregado se regenere. 

“A epidemiologia das fraturas varia de forma substancial conforme o sexo e a idade, porém a decisão entre o tratamento cirúrgico e não cirúrgico depende muito mais do tipo e do padrão da fratura apresentada pelo paciente”, esclarece o Dr. Bruno Rudelli.

Para o especialista em cirurgia do quadril, nos casos de fraturas do fêmur proximal, o tratamento cirúrgico pode variar entre a fixação da fratura ou substituição da articulação do quadril por uma prótese. “A conduta é baseada principalmente no padrão da fratura e idade do paciente. Nos casos de fraturas da diáfise femoral, o tratamento recomendado baseia-se na fixação da fratura, que mais frequentemente é realizada com uma haste intramedular”, explica. 

Já nas fraturas por estresse do colo femoral, segundo o ortopedista, normalmente o tratamento não precisa ser cirúrgico. “Porém, é importante ressaltar que em casos que progridam para fratura completa ou que acometam a região de tensão do osso (mais incomum de ocorrer) o tratamento cirúrgico para fixação da lesão pode ser necessário”, afirma. 

Como prevenir fratura de fêmur

Para evitar a fratura do fêmur, o mais importante é fortalecer os ossos. Segundo a Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro, os idosos, especialmente, devem praticar atividades físicas regularmente para reduzir o risco de perda óssea e de osteoporose. 

Além disso, devem fazer uso de tapetes anti-derrapantes em casa e usar calçados adequados para evitar quedas. 

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Recuperação

Se a intervenção cirúrgica for necessária para tratar a fratura de fêmur, a recuperação pode variar, dependendo da região acometida, do padrão da fratura, da qualidade óssea do paciente e técnica utilizada no tratamento cirúrgico. 

Segundo Rudelli, os pontos são retirados entre 2 e 3 semanas. Na maioria das vezes, a carga no membro operado aumenta de forma parcial com auxílio de andador ou par de muletas. Então, vai sendo liberada conforme a evolução do paciente. “Vale ressaltar que é sempre importante seguir a orientação médica, pois cada caso deve ser tratado de forma específica”, indica o ortopedista.

Para retornar às atividades do cotidiano, é preciso aguardar de 3 a 5 meses. “É importante saber que, seja qual for o tratamento para a fratura de fêmur, com ou sem intervenção cirúrgica, o tempo de consolidação dela ocorre por volta de 3 meses. Neste período, o paciente ficará mais limitado mesmo e só deve retornar às atividades físicas após a liberação médica”, alerta o profissional.

Fontes:  Bruno Rudelli, ortopedista e especialista em cirurgia do quadril na Care Club Health Center. Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia e da Sociedade Brasileira de Quadril. 

Referências:

Hospital das Clínicas de São Paulo;

Fundação Internacional da Osteoporose; 

Secretaria da Saúde do Rio de Janeiro.

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