Espremer espinha: conheça os malefícios da prática para a pele

Beleza Bem-estar
20 de Outubro, 2022
Espremer espinha: conheça os malefícios da prática para a pele

Ficar incomodado com as acnes é praticamente senso comum entre quem sofre com as inflamações, especialmente entre os adolescentes. Isso porque as borbulhas acabam mexendo não somente com a autoestima, mas também com a saúde da pele. Por isso, espremer espinha, mesmo que seja tentador, não é uma alternativa recomendada por especialistas. 

De acordo com a dermatologista Fabiana Seidl, a indicação é de sempre procurar tratamento médico e não mexer por conta própria nas lesões inflamadas. “Espremer a espinha pode levar a um quadro de celulite na face e necessitar de internação para antibioticoterapia venosa”, alerta.

O ato de espremer as espinhas, independente se for com a ponta dos dedos ou unhas, gera um traumatismo a mais na pele que já está inflamada, conforme explica o dermatologista Felipe Chediek. Ou seja, aumenta as chances de hipercromia pós-inflamatória (pigmentações e manchas) e cicatrizes. 

“Fora o risco de aumentar a chance de infecções secundárias na região, uma vez que as unhas (mesmo tendo lavado as mãos antes) carregam microrganismos que no local onde a barreira cutânea está ruim essa bactéria entra e acaba jogando ‘álcool’ na fogueira já instalada”, ressalta o médico.

Espremer espinha: afinal, como deve ser feito o tratamento? 

O tratamento tópico e/ou oral é a solução indicada quando o assunto são as espinhas. No entanto, precisa ser receitada por um médico. Seidl conta que a luz intensa pulsada é bastante eficaz como tratamento coadjuvante. O método auxilia na redução das lesões inflamatórias e de bactérias. 

“Laser fracionados não ablativos (atinge frações da derme) também auxiliam no tratamento de acne mais resistente, inclusive aqueles quadros resistentes ao tratamento com a isotretinoína (o famoso Roacutan). Os peelings específicos para acne, como o peeling de ácido salicílico e retinoico, também ajudam a controlar as lesões. Já o microagulhamento só deve ser realizado para o tratamento das cicatrizes, assim como os lasers fracionados ablativos. Essas duas tecnologias não são indicadas para o tratamento de lesões inflamatórias espinhas”, conta.

Leia também: Acne: conheça alimentos que ajudam a evitar

O que piora o estado da espinha?

A dermatologista Fabiana Seidl conta algumas causas que pioram ou incitam o surgimento das acnes, sendo elas: 

  • Traumas repetitivos na pele;
  • Consumo excessivo de leite e derivados, dietas com alto índice glicêmico levando ao aumento da produção de sebo e acnes;
  • Alterações hormonais, principalmente aumento dos hormônios andrógenos circulantes (como testosterona);
  • Estresse, pois aumenta os hormônios andrógenos; 
  • Período menstrual;
  • Tabagismo;
  • Alguns produtos cosméticos, que podem piorar a acne por obstrução dos poros;
  • Por fim, medicações que possam induzir uma erupção acneiforme. Por exemplo: corticoides, anticonvulsivantes, lítio, anticoncepcionais a base de progesterona e isoniazida. 

Espremer espinha: o que acontece com as manchas?

Engana-se quem pensa que espremer espinhas não deixa a pele marcada. Tamires Cesar, esteticista e professora da Estácio, explica que as manchas causadas pela acne podem, sim, ficar de forma permanente na pele. 

“A acne deixa marcas na pele, pois é uma lesão inflamatória e, no seu processo de cicatrização, pode deixar uma mancha escura por ativação da melanina, uma cicatriz deprimida que chamamos de cicatriz atrófica, ou também uma cicatriz mais elevada que chamamos de cicatriz hipertrófica. Para todas elas existem formas de melhorar o aspecto da pele e das manchas.”, conta Cesar.

Como prevenir as espinhas?

O melhor jeito de lidar com as espinhas é prevenindo que elas surjam. Assim, Tamires Cesar, esteticista, conta que a melhor forma de prevenção é lavar o rosto com um sabão específico para a área, sempre ao acordar e antes de dormir. 

“Para as mulheres, sempre retirar a maquiagem com demaquilante ou água micelar. Nunca dormir com maquiagem, pois os produtos obstruem os poros, facilitando a produção de sebo e consequentemente o aparecimento de cravos e espinhas”, sugere a especialista. 

Além disso, aplicar um hidratante específico para seu tipo de pele, não esquecer o uso do protetor solar e realizar uma limpeza profunda de pele uma vez por mês mantêm a pele saudável e sem acne, segundo Cesar. 

“Prevenir o aparecimento delas depende de uma boa alimentação (evitar os agravantes), controle, na medida do possível, dos níveis de estresse, e estar atento o que está usando (remédios ou mesmo suplementos como vitamina B12)”, completa o dermatologista Felipe Chediek.

Fontes: Dra. Fabiana Seidl, dermatologista (CRM/RJ 87852-9). Dr. Felipe Chediek, dermatologista (CRM 26050). Tamires Cesar, esteticista e professora da Estácio.

Sobre o autor

Gabriela Ferreira
Jornalista e Repórter da Vitat.

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