Como acabar com o chulé? Confira as causas e o tratamento

17 de março, 2022

No Big Brother Brasil, a convivência é, se não o maior, um dos grandes desafios do programa. Saber lidar com as manias e os hábitos de pessoas diferentes, com as quais não existia nenhuma relação pré-estabelecida, é complicado. Linn da Quebrada, atriz e cantora que faz parte do camarote da atual edição do reality, pontuou o mau odor do calçado de Lucas Bissoli, colega de confinamento. A sister brincou que o estudante de medicina deveria “tacar fogo” no tênis. De acordo com uma pesquisa do Pés sem Odor, 68% dos brasileiros que participaram do estudo afirmaram ter odor nos pés. Comumente associado à falta de higiene, será que o chulé pode revelar algum problema maior — e mais, como acabar com ele?

Em dias mais quentes, a transpiração se torna excessiva, e os pés podem sofrer com uma produção maior de suor. Entretanto, por ser composto apenas de água e sais minerais, na maioria das vezes, ele não é o causador do mau cheiro. “A transpiração nos pés ajuda a manter a temperatura corporal, assim como em outras partes do corpo. Na verdade, fungos e bactérias são os responsáveis pelo odor”, explica Laís Leonor, dermatologista da clínica Dr. André Braz.

Além disso, algumas pessoas sofrem com a hiperidrose, condição na qual partes do corpo produzem quantidades abundantes de suor. Ela pode ser classificada em primária focal ou secundária generalizada. 

Hiperidrose

“A primária focal possui fator genético envolvido. Ela acomete cerca de 5% da população e caracteriza-se pelo início dos sintomas na infância ou na adolescência, com queixa de suor excessivo em áreas como axila, palmas das mãos, plantas dos pés, couro cabeludo, face e virilha”, pontua a dermatologista Fabiana Seidl.

Já no caso da secundária, que inicia-se na fase adulta, a especialista esclarece que o suor é excessivo em todo o corpo, inclusive durante o sono. “A secundária generalizada está associada a alguma doença ou é efeito colateral de medicação”, diz.

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Cuidados

Apesar de o cheiro natural do suor não ser forte, Fabiana reforça a questão da profliferação das bactérias e aponta outros motivos que podem alterar o odor:  “Existe uma condição chamada de bromidrose, na qual o suor possui um cheiro característico pela proliferação de bactérias no local. Outras condições também podem influenciar o odor do suor, como: alimentação, medicações, doenças metabólicas e sistêmicas”.

O mau odor pode causar muito constrangimento. Por isso, quando a situação se torna recorrente e desconfortável, adotar alguns hábitos pode ajudar a acabar com o chulé.

Alguns sapatos fechados e apertados, por exemplo, podem piorar o problema do suor. Além disso, meias de material sintético devem ser evitadas. Para aqueles que sofrem com a transpiração e, consequentemente, com um odor não tão agradável nos pés, é interessante investir em sandálias abertas e chinelos.

Além disso, lembrar-se de lavar bem os pés durante o banho e, depois, secá-los de maneira adequada, é essencial.

Existe tratamento para acabar com o chulé?

No caso das pessoas que sofrem com a hiperidrose, tais mudanças podem não surtir tantos efeitos. “A hiperidrose não tem cura, mas tem tratamento. Para tratar a hiperidrose, primeiramente precisamos determinar se existe alguma doença ou algum medicamento que esteja precipitando essa condição, já que o tratamento será direcionado para a causa”, explica Fabiana.

Apesar de ser difícil acabar com o chulé, assim como para as axilas, existem desodorantes para os pés disponíveis no mercado. A dermatologista indica o produto, já que ele ajuda a diminuir a proliferação de bactérias, evitando o mau cheiro associado ao suor e regulando a sua secreção excessiva.

Ao desconfiar de um possível quadro de hiperidrose, o recomendado pelas dermatologistas Laís e Fabiana é consultar um médico. Dessa forma, será possível descobrir o motivo pelo qual o suor está sendo produzido em grandes quantidades e como tratar o caso.

Fontes: Laís Leonor, dermatologista da clínica Dr. André Braz e Fabiana Seidl, dermatologista e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.