Câncer de laringe: conheça as causas, diagnóstico e tratamento

Saúde
09 de Abril, 2022
Câncer de laringe: conheça as causas, diagnóstico e tratamento

Mais comum entre homens acima de 40 anos, o câncer de laringe atinge a região da cabeça e pescoço. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), cerca de 25% dos casos são malignos. “O câncer de laringe é uma doença insidiosa, e o tumor vai crescendo sem dar grandes sinais de alerta, e os sintomas muitas vezes são negligenciados pelos pacientes. Porém, quando diagnosticado logo no início, há 95% de chance de cura”, ressalta Adriana Hachiya, médica otorrinolaringologista e diretora da Academia Brasileira de Laringologia e Voz.

Veja também: Sedentarismo e risco de câncer: entenda a relação

O que é o câncer de laringe?

A princípio, esse tipo de câncer se manifesta em uma das três áreas que correspondem à laringe: supraglote, glote e subglote. Outro dado do Instituto Nacional do Câncer mostra que cerca de 60% dos casos de câncer de laringe se iniciam na glote, a área que contém as cordas vocais, enquanto 35% se desenvolvem na região da supraglote. Já o restante começa na subglote ou em mais de uma área.

Sintomas

Os sinais do câncer de laringe dependem da localização da lesão. Por exemplo, sentir dor de garganta, principalmente ao engolir, pode indicar tumor supraglótico; e rouquidão persistente está normalmente relacionada a tumores glótico ou subglótico.

Por outro lado, o câncer supraglótico apresenta alteração na qualidade da voz e sensação de “caroço” na garganta. “Cansaço vocal, tosse seca, dor na garganta, dor no pescoço, sensação de corpo estranho na garganta, dificuldade para engolir e para respirar, ou rouquidão por mais de 15 dias devem ser avaliados imediatamente pelo especialista”, resume o médico otorrinolaringologista Hugo Ramos, presidente da Academia Brasileira de Laringologia e Voz.

Causas e fatores de risco

A principal causa do câncer de laringe está associada ao estilo de vida da pessoa. Por exemplo:

  • Tabagismo e alcoolismo: são os principais fatores de risco, sendo que o fumo aumenta em 10 vezes a chance de desenvolver o câncer de laringe.
  • Estresse e mau uso da voz.
  • Excesso de gordura corporal.
  • Exposição a óleo de corte, amianto, poeira de madeira, de couro, de cimento, de cereais, têxtil, formaldeído, sílica, fuligem de carvão, solventes orgânicos e agrotóxicos. Os trabalhadores da agricultura e criação de animais, indústria têxtil, de couro, metalúrgica, borracha, construção civil, oficina mecânica, fundição, mineração de carvão, assim como cabeleireiros, carpinteiros, encanadores, instaladores de carpete, moldadores e modeladores de vidro, oleiros, açougueiros, barbeiros, mineiros, pintores e mecânicos de automóveis podem ser mais suscetíveis à doença. 

Diagnóstico do câncer de laringe

Um dos especialistas que pode identificar a doença é o médico otorrinolaringologista, por meio da laringoscopia, que pode ser feita no próprio consultório. Ao longo do do exame, o médico poderá fazer a biópsia do tumor para análise e descobrir se a condição é benigna ou maligna. Nesse meio tempo, é aplicada anestesia local para a retirada do tecido. Às vezes pode ser necessária a laringoscopia direta, quando a pessoa possui alguma restrição ou lesões mais complexas para a biópsia com anestesia local.

Tratamento

Atualmente existem diversos tratamentos que podem ser aplicados ao câncer de laringe, que dependem de sua gravidade, localização e extensão. Assim, quanto mais rápida for a descoberta, maior a probabilidade do indivíduo ter sucesso no combate ao câncer — as chances de cura são de 95% quando há diagnóstico precoce. Normalmente o tratamento pode incluir radioterapia, quimioterapia ou ambas e, em último caso, cirurgia de remoção da laringe (laringectomia total), quando as terapias não forem o suficiente para conter a doença.

Efeitos colaterais do tratamento

As terapias comumente utilizadas — radioterapia e quimioterapia — podem provocar efeitos agressivos, como náusea, vômitos, fraqueza, perda de apetite, inchaço corporal, falta de ar, perda de cabelos (no caso da quimioterapia), fadiga crônica e queda do sistema imunológico. Além disso, há efeitos na saúde mental, com riscos de desenvolver depressão, ansiedade e oscilações de humor. Em contrapartida, as terapias ainda causam menos impacto na vida da pessoa, quando comparadas à cirurgia de laringectomia.

Como resultado do procedimento ocorre a perda da voz, sendo necessária a traqueostomia definitiva, que consiste na abertura de um orifício na traqueia. Embora a pessoa não recupere todo o potencial de sua antiga voz, é possível se comunicar, retomar a qualidade de vida e a autonomia com o uso de próteses fonatórias tráqueo-esofageanas. Mesmo assim, os médicos recorrem primeiro à radioterapia ou quimioterapia para evitar que o paciente percorra um longo caminho para recuperar sua voz.

É possível prevenir o câncer de laringe?

Em síntese, não há nenhum meio de se blindar completamente contra uma enfermidade desse tipo. Mas alguns hábitos podem reduzir as chances de desenvolver esse tipo de problema:

  • Hidrate-se: consuma de 6 a 8 copos de água por dia.
  • Cuide de sua voz: evite falar alto com frequência e, caso você seja cantor(a), tenha acompanhamento profissional para manter a saúde das cordas vocais.
  • Siga uma alimentação equilibrada e faça exercícios regularmente. Afinal, o excesso de peso é um fator de risco para o câncer.
  • Se tiver em crise alérgica, com gripe ou no período pré-menstrual, procure poupar a voz.
  • Evite contato com substâncias nocivas, citadas no tópico “causas e fatores de risco”.
  • Faça check-ups regulares e consulte anualmente um médico otorrinolaringologista.
  • Reduza ou abdique de hábitos como fumar e beber.

Instituto Nacional do Câncer – INCA.

Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina.

FCECON – Fundação Centro de Controle de Oncoguia do Estado do Amazonas.

Fontes: Adriana Hachiya, médica otorrinolaringologista e diretora da Academia Brasileira de Laringologia e Voz; e Hugo Ramos, médico otorrinolaringologista e presidente da Academia Brasileira de Laringologia e Voz.

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