Álcool no frio não é boa estratégia para aquecer o corpo: dos rins à pele, saiba 7 danos do consumo

Alimentação Bem-estar Saúde
19 de Agosto, 2022
Álcool no frio não é boa estratégia para aquecer o corpo: dos rins à pele, saiba 7 danos do consumo

O inverno trouxe o frio intenso, mas muita gente tenta se aquecer com o consumo de bebidas alcoólicas. Beber no frio não é, definitivamente, uma opção sadia. O álcool é uma substância tóxica para o organismo humano e pode provocar doenças mentais, cânceres, problemas hepáticos como a cirrose, alterações cardiovasculares e mais, de acordo com a nutróloga Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). Mas, se você ainda não está convencido sobre os perigos do álcool, veja alguns motivos pelos quais você deve evitar o consumo de bebidas alcoólicas. Confira:

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Beber no frio: Redução do metabolismo

O fígado é o responsável por digerir as bebidas alcóolicas. Porém, esse mesmo órgão é o responsável pelo metabolismo de gordura. “O fígado trabalha diariamente quebrando as gorduras da sua alimentação e eliminando as toxinas. Quando você bebe álcool, acaba adicionando mais uma tarefa na função do órgão. Dessa forma, seu fígado não consegue processar a gordura de maneira tão rápida e eficientemente, pois estará, também, trabalhando para expelir o álcool. Como consequência, ocorre a desaceleração do metabolismo, levando, inclusive, ao acúmulo de gordura”, explica a Garcez.

Logo, como o fígado já estará sobrecarregado na tentativa de metabolizar o álcool, o recomendado é que, depois de consumir bebidas alcóolicas, você evite alimentos pesados. Por exemplo: carnes vermelhas, dando preferência a carnes brancas cozidas e grelhadas, além de muita salada e fruta.

Desidratação e inflamação da pele

A perda d’água causada pelo álcool afeta a saúde da pele. “No caso das bebidas, elas são um dos piores e mais agressivos compostos para destruir a pele. O álcool em excesso pode causar não só a desidratação, mas também a inflamação sistêmica, que colabora para a vermelhidão e envelhecimento da pele. O primeiro efeito é a desidratação, uma vez que, na verdade, o álcool retira todo o fluido da pele. Se você olhar para uma mulher que está bebendo há 20 ou 30 anos e uma mulher da mesma idade que não tem esse hábito, veremos uma enorme diferença na pele”, conta Mônica Aribi, dermatologista.

Ela explica que esse tipo de desidratação causa mais rugas, o que pode fazer você parecer até 10 anos mais velho. Segundo ela, o álcool também inflama a pele e está ligado à piora de condições como dermatites, rosácea e acne. “O ideal é não beber ou não tornar isso um hábito”, afirma Aribi.

Beber no frio: Danos ao couro cabeludo e fios

As bebidas alcoólicas, se consumidas com frequência e em quantidade excessiva, também podem impactar na saúde dos cabelos. “Em curto prazo, o álcool prejudica a hidratação de todo o organismo, inclusive dos cabelos, que se tornam mais ressecados, frágeis e quebradiços. Já a longo prazo, as bebidas alcóolicas podem prejudicar o aporte de nutrientes para os fios e aumentar a inflamação do couro cabeludo, favorecendo, consequentemente, a queda de cabelo, além de contribuir para piora da dermatite seborreica, por exemplo”, diz a Jaqueline Zmijevski, dermatologista.

Diminuição das chances de gravidez

Mesmo o consumo moderado de álcool pode ter diversos efeitos maléficos no organismo, incluindo prejuízos à fertilidade. Segundo o ginecologista obstetra Fernando Prado, especialista em Reprodução Humana e diretor clínico da Neo Vita, um estudo do ano passado mostrou que as mulheres que desejam engravidar devem evitar o consumo excessivo de álcool.

“Na segunda metade do ciclo menstrual, mesmo o consumo moderado de álcool está relacionado a chances reduzidas de gravidez, segundo o trabalho”, explica o especialista. Segundo o médico, os possíveis mecanismos biológicos que podem explicar a associação entre o consumo de bebida e a redução das chances de engravidar podem ser que a ingestão de álcool afeta os processos envolvidos na ovulação, de modo que nenhum óvulo é liberado durante a parte ovulatória do ciclo, e que o álcool pode afetar a capacidade de um óvulo fertilizado se implantar no útero.

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Beber no frio: Cálculos renais

O álcool em grandes quantidades e os produtos de sua metabolização (como acetaldeído, NADH e radicais livres) podem causar alterações na função renal, de acordo com a médica nefrologista Caroline Reigada.

“Eles fazem com que os rins se tornem menos capazes de filtrar o sangue, além de afetar sua capacidade de manter a quantidade certa de água no corpo. Estudos de base populacional sugerem que o consumo de álcool acima dos limites de moderação pode aumentar o risco de doença renal crônica (DRC) na população em geral. Estudos recentes também mostraram um aumento de cálculos renais em mulheres, o qual está associado ao tabagismo e à ingestão de álcool pelas pessoas do sexo feminino, o que não ocorria nas décadas anteriores”, explica a médica.

“Outro fator importante causado pelo álcool é a sobrecarga do rim. O etanol atrapalha a função do hormônio diurético, que garante que o corpo não perca muita água. Então, faz com que o rim deixe de concentrar a urina, perdendo mais água que o habitual. Como a bebida leva o corpo a fazer um esforço muito grande para colocar a substância para fora, é preciso diluir em água e eliminar na forma de urina, causando a desidratação. Além disso, se o fígado for comprometido, pode haver o acometimento renal, chamada síndrome hepatorrenal”, destaca Reigada.

Problemas circulatórios

Por favorecer a desidratação, o álcool, além de aumentar a incidência de câimbras e dores musculares, também pode fazer com que o organismo retenha mais líquidos. “Como resultado, ficamos mais inchados e a pressão sobre as veias e artérias aumenta, o que pode contribuir para o surgimento de problemas vasculares como varizes e trombose”, destaca a cirurgiã vascular Aline Lamaita.

Surgimento de doenças orais

Outra estrutura afetada pela perda d’água causada pelo álcool é a boca e os dentes. “O processo de desidratação causado pelo álcool provoca a diminuição na produção de saliva. Como resultado, ficamos mais suscetíveis ao desenvolvimento de doenças como cáries, gengivites e erosão dental, visto que uma das principais funções da saliva é justamente proteger os dentes e as mucosas orais”, diz Hugo Lewgoy, cirurgião-dentista. Por isso, além de ingerir bastante água, é interessante que você carregue consigo um kit portátil de higiene oral.

Então, além de todos esses problemas, o consumo de álcool também é especialmente prejudicial para pessoas que acabaram de passar por procedimentos que demandam tempo de recuperação, como as cirurgias invasivas. “Isso porque o processo inflamatório provocado pelo álcool dificulta o processo de cicatrização e favorece o surgimento de cicatrizes inestéticas. Além disso, a substância afina o sangue. Assim, aumentando o risco de o paciente sofrer com sangramento e prolongando a tempo de recuperação”, explica a cirurgiã plástica Beatriz Lassance

Dica para beber no frio

Por fim, a melhor dica é apostar na moderação e não tornar o ato esporádico de beber em um hábito rotineiro. Dessa forma, recomenda-se limitar o consumo diário a, no máximo, uma taça de até 150ml e optar sempre pelas variedades que apresentam funcionalidades, como o vinho tinto e seco, que contam com o resveratrol, um polifenol antioxidante. Mas ele também pode ser encontrado no suco de uva integral, então priorize não ingerir a bebida álcoolica.

“Bebidas como cachaça, vodca, whisky e tequila tendem a ser absorvidas mais rapidamente e, no geral, são mais agressivas para o fígado. Ou seja, devem ser evitadas ou limitadas a quantidades menores que uma dose diária”, finaliza a médica nutróloga.

Fontes: Jaqueline Zmijevski, dermatologista; Mônica Aribi, dermatologista; Beatriz Lassance, cirurgiã plástica; Caroline Reigada, médica nefrologista; Marcella Garcez, médica nutróloga; Fernando Prado, médico ginecologista; Aline Lamaita, cirurgiã vascular; Hugo Roberto Lewgoy, especialista, mestre e doutor pela faculdade de Odontologia da Universidade Anhanguera.

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