Artrose (osteoartrite): entenda a condição do Papa Francisco

Saúde
14 de Junho, 2022
Artrose (osteoartrite): entenda a condição do Papa Francisco

Também conhecida por osteoartrite ou osteoartrose, a artrose é uma doença degenerativa que provoca o desgaste da cartilagem, responsável por suavizar o impacto e atrito entre os ossos. Como consequência, também pode comprometer a estrutura óssea e os ligamentos do indivíduo. De acordo com o Ministério da Saúde, a artrose atinge 15 milhões de pessoas no Brasil. Com maior incidência entre mulheres, pode se manifestar em diversas articulações do corpo, que variam de acordo com o gênero do indivíduo. A princípio, é mais comum entre pessoas com mais de 60 anos, embora existam casos abaixo dessa faixa etária.

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Papa tem osteoartrite no joelho direito

Não é de hoje que o Papa Francisco sofre de dores no joelho, um dos locais atingidos pela artrose. Entretanto, nos últimos meses, seu quadro piorou. Mais recentemente, por exemplo, ele cancelou compromissos, incluindo uma viagem à África e sua participação na missa e na procissão de Corpus Christi. Além disso, passou a usar cadeira de rodas em suas aparições públicas. A saúde do pontífice, de 85 anos, preocupou fiéis ao redor do mundo.

O Papa sofre de osteoartrie no joelho direito. A idade avançada certamente contribuiu para essa situação, mas, segundo informações da imprensa italiano, a doença estaria associada causada sobre pela postura errada. O problema postural o levou a descarregar mais peso na articulação do joelho direito, o que levou ao seu enfraquecimento ao longo do tempo e provocou um desgaste severo do ligamento.

Por essa razão, ele usa sapatos ortopédicos para facilitar a caminhada e corrigir a postura do quadril. Além disso, o tratamento do Papa inclui anti-inflamatórios, corticosteróides, infiltrações locais e fisioterapia. Os médicos recomendaram uma cirurgia para colocar uma “prótese de joelho”, mas o pontífice não aceitou essa opção. Em reunião privada com os bispos, Francisco teria dito que prefere renunciar ao invés de passar por uma cirurgia.

Causas da artrose

O fator envelhecimento é um dos principais motivos da condição. Afinal, é natural que o desgaste da cartilagem ocorra acompanhado de outros problemas no aparelho locomotor, como a osteoporose. Porém, a enfermidade pode afetar outros tipos de indivíduos que não são, necessariamente, idosos:

  • Atletas amadores e profissionais: esportes e exercícios físicos de alto impacto, como futebol e corrida, podem aumentar as chances de degeneração da cartilagem. Entretanto, é importante ressaltar que o exercício torna-se um fator de risco quando é feito em excesso e sem orientação profissional.
  • Pessoas sedentárias ou portadoras de obesidade: a falta de movimento associada ao excesso de peso contribuem para o quadro precoce de artrose. “Durante a pandemia, as pessoas comeram mais, engordaram e enfraqueceram sem a prática de atividade física”, destaca Márcia Uchôa, professora do departamento de Ortopedia e Traumatologia do HCFMUSP.
  • Alterações congênitas na anatomia da pessoa, como desvio nos joelhos (valgo ou varo) ou deformidades na coluna.
  • Profissionais com determinadas funções que demandam esforço repetitivo.

Sintomas

Nos estágios iniciais da doença, o indivíduo sente dor e inchaço nas articulações atingidas, mas que aparecem vez ou outra. Conforme avança do desgaste da cartilagem, a dor torna-se mais intensa e piora no final do dia. Além desse incômodo, é possível sentir rigidez articular ao passar muito tempo em uma posição (sentado por longos períodos, por exemplo) ou ao acordar. Durante um exercício simples, como uma caminhada, é normal que as articulações façam barulhos de rangido com restrição de movimentos.

Afinal, o que acontece se a artrose não for tratada?

Muitas pessoas negligenciam os desconfortos causados pela doença por acreditarem que não se trata de algo grave. Contudo, a ausência de tratamento só piora o quadro e limita a autonomia do indivíduo. Principalmente se o problema se instalar em articulações maiores, como a coxofemoral, que desempenha um papel importante na mobilidade. Além disso, a dor dificulta a capacidade da pessoa em executar atividades simples, como segurar um objeto ou sentar-se de pernas cruzadas.

Locais mais afetados por gênero

Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, a degeneração pode atingir quaisquer articulações, mas existem algumas áreas mais vulneráveis ao desgaste da cartilagem que variam entre homens e mulheres. Por exemplo:

Homens: o desgaste articular é mais comum na articulação coxofemoral, que conecta o fêmur com a bacia.

Mulheres: mãos, dedos (condição chamada rizartrose) e joelhos.

Exames de diagnóstico

A fim de descobrir o foco da artrose, são solicitados exames de imagem, como o raio-X e a ressonância magnética. Também podem ser feitas análises laboratoriais do líquido sinovial e de sangue, que ajudam a verificar outras possíveis complicações.

Tratamento

Embora não exista uma cura, é possível melhorar a qualidade de vida com diversas medidas de acordo com o estágio de degeneração da cartilagem. À primeira vista, vários ortopedistas e reumatologistas indicam a viscossuplementação (VS), que nada mais é que uma injeção de ácido hialurônico (AH) nas articulações. “A utilização dessa substância sintética contribui no alívio da dor e na preservação do tecido articular por um maior período. Em casos de osteoartrite leve a moderada, o paciente pode permanecer sem dor por um período que varia de seis meses a um ano”, informa Márcia Uchoa.

“A viscossuplementação é pouco praticada no Brasil em relação a países da Europa e Estados Unidos, o que leva a um alto gasto público com cirurgias de prótese. A infiltração de ácido hialurônico é segura e funciona como um lubrificante no local em que houver o desgaste da cartilagem”, reforça Hélio Osmo, diretor médico da Zambon e presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Farmacêutica.

Procedimentos cirúrgicos

Quando o tratamento menos invasivo não é eficaz contra casos mais avançados, a cirurgia torna-se a principal ou única alternativa. Atualmente, há dois tipos de procedimentos que dependem da orientação e avaliação médica:

  • Artoplastia: é a substituição da articulação por uma prótese, que pode ser de metal ou plástico. Normalmente, esse tipo de método é aplicado em articulações do joelho e do quadril, que restaura a capacidade de se movimentar sem dor. Por outro lado, existe o risco de soltura ou desgaste da prótese que pode exigir um novo procedimento.
  • Osteotomia: é feito um corte no osso com o objetivo de realinhá-lo, cuja principal vantagem é a redução das dores, já que esse realinhamento consegue mexer no deslocamento que afeta a parte desgastada.

Medicamentos para artrose

Juntamente com os procedimentos invasivos ou não, o médico pode prescrever remédios com corticoides em sua composição e com propriedades anti-inflamatórias. Por isso, converse com o profissional sobre a posologia e prováveis efeitos colaterais.

Exercícios para artrose

Após identificar as medidas terapêuticas para diminuir a dor e ampliar a capacidade de realizar as atividades, os médicos ressaltam a importância de mudar a rotina, que inclui perda de peso e prática de exercícios físicos para fortalecimento da musculatura que envolve a articulação comprometida. “Os ossos e os músculos precisam de estímulo para se fortalecer e potencializar o equilíbrio muscular, articular e postural. Portanto, é importante escolher atividades de baixo impacto, como caminhar ou nadar, sempre com a orientação de um profissional”, ressalta Osmo.

Alimentação para artrose

Para quem é portador de obesidade ou que possui excesso de peso, a recomendação é seguir uma dieta de emagrecimento. Como primeira medida, é importante reduzir alimentos ultraprocessados ricos em gorduras e açúcares, e apostar em refeições com mais frutas, legumes e grãos. Ou seja, priorizar ingredientes in natura são uma estratégia para a reeducação alimentar e emagrecimento.

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Especialistas que diagnosticam e tratam a artrose

Médicos ortopedistas e reumatologistas são profissionais que identificam e acompanham o caso do paciente com artrose. Controlados os sintomas, um fisioterapeuta pode participar do programa de reabilitação aplicando sessões de fisioterapia. Em paralelo, um nutricionista é capaz de auxiliar na criação de um plano alimentar personalizado, e um profissional de educação física atua no acompanhamento e prescrição de exercícios no dia a dia do indivíduo.

Centers for Disease Control and Prevention

Arthritis Foundation

Sociedade Brasileira de Reumatologia

BRASOS

Sobre o autor

Amanda Preto
Jornalista especializada em saúde, bem-estar, movimento e professora de yoga há 10 anos.

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