Como a ansiedade pode afetar o seu intestino

14 de janeiro, 2022

Quando o assunto é ansiedade, é comum que as pessoas associem o transtorno a sintomas como coração acelerado, crises de pânico e dificuldade para respirar, mas nunca ao intestino. Contudo, além desses sinais, a condição pode afetar diretamente o funcionamento do sistema digestivo. E, desse modo, gerar dores abdominais, estufamento, queimação, má digestão e alterações do hábito intestinal (diarreia e constipação). Casos mais graves podem, ainda, resultar em perda de peso e sangramento.

De acordo com Larissa Berbert, cirurgiã e coloproctologista, é preciso prestar atenção em diversos aspectos que podem desencadear o problema. “O estresse e a ansiedade são respostas exacerbadas a mudanças. Como a época de provas de vestibular, o final de semestre, o fechamento do ano ou o pagamento de um maior número de contas.”

A especialista explica que existe um complexo esquema de comunicação entre o intestino e o cérebro que é chamado de eixo intestino-cerébro. Ele é ligado pelos sistemas endócrino, imune e nervoso.

“Também vale ressaltar o fato dessa comunicação ser bidirecional, ou seja, situações de estresse interferem no intestino por meio de alterações na mobilidade gastrointestinal, enquanto a microbiota alterada (em consequência de hábitos de vida não saudáveis como sedentarismo, dieta ruim, privação de sono, tabagismo e uso de antibióticos) aumenta o risco de desenvolver ansiedade e depressão”, diz Larissa Berbert.

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Ansiedade e intestino

Caso não seja tratado de maneira adequada, um quadro de ansiedade pode ter consequências a curto e a longo prazo no trato gastrointestinal, com o desenvolvimento ou a piora dos sintomas de outras doenças. É o caso da síndrome do intestino irritável, de doenças inflamatórias intestinais (Crohn ou retocolite ulcerativa), da gastrite, da doença do refluxo gastrointestinal e até mesmo de alergias alimentares.

​“Entre as formas mais eficientes de evitar que esses quadros aconteçam, estão as mudanças comportamentais. Isso porque elas diminuem os níveis de estresse e mudam o padrão da microbiota para melhor. Prática de exercícios físicos regulares, manter o sono em dia, não fumar, melhorar a dieta alimentar e até mesmo procurar ajuda de psicólogos ou psiquiatras são bons exemplos”, orienta a médica.

​Vale lembrar que o estresse é apenas um dos fatores associados ao desenvolvimento dessas condições. Portanto, é imprescindível procurar ajuda médica ao aparecimento de quaisquer sintomas que sinalizem crises de ansiedade ou alterações gastrointestinais. “De maneira que o tratamento seja administrado de acordo com as reais necessidades de cada paciente, desde mudanças alimentares até uso de medicamentos.”

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Fonte: Larissa Berbert, cirurgiã geral e especialista em coloproctologia.

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