Vida depois da bariátrica: quais hábitos e mudanças devo ter?

Saúde
26 de Agosto, 2022
Vida depois da bariátrica: quais hábitos e mudanças devo ter?

Para muitas pessoas com obesidade, a cirurgia bariátrica é uma solução para chegar ao peso saudável de forma mais rápida. Apesar de auxiliar na melhoria da saúde, a vida depois da bariátrica desperta uma série de dúvidas.

O que muda na minha vida depois da bariátrica?

Provavelmente esta é a principal pergunta sobre o pós-operatório. À primeira vista, a grande mudança é o emagrecimento. A seguir, com a ajuda da endocrinologista Sylka Carvalho, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo, elencamos o que esperar da “nova” vida depois da bariátrica.

Veja também: Cientistas afirmam que comer demais não é a principal causa da obesidade

A queda de cabelos é normal

Este efeito colateral é esperado depois da cirurgia bariátrica. “Aproximadamente 57% dos pacientes apresentam queda de cabelo após cirurgia. Idade mais jovem, sexo feminino, baixos níveis de ácido fólico, zinco e ferritina favorecem o quadro”, explica Sylka. Além disso, perder os fios pode estar associado ao estresse de todo o processo. “O trauma cirúrgico, o estado catabólico pós-operatório e a pressão psicológica da jornada podem inibir o crescimento capilar pela liberação de cortisol. Este hormônio acelera a degradação de componentes importantes da pele”, pontua a especialista. Em contrapartida, a queda capilar é apenas uma fase, que pode se estender por alguns meses até que o metabolismo se reequilibre e seja feita a suplementação correta.

A reeducação e quantidades de alimentos será essencial

Não só pelo fato da necessidade de manter o peso e continuar emagrecendo. Mas a cirurgia bariátrica é, literalmente, um procedimento que reduz o estômago. A princípio, um órgão não operado possui capacidade para comportar entre 1 e 1,5 litro de alimentos. Após a bariátrica, você terá, no máximo 200 mL dessa capacidade. No início, a alimentação deverá ser líquida ou pastosa para o corpo se adaptar à nova condição. Por isso, é normal passar mal ao tentar fazer uma refeição até encontrar a quantidade ideal. Além da redução do estômago, o hormônio responsável pela saciedade — o GLP-1 — aumenta, e permite que você se satisfaça com porções menores. A ingestão de água permanece igual: é importante consumir de 2 a 3 L por dia em pequenos goles para não ter nenhum desconforto.

Suplementação para a vida depois da bariátrica

Até mesmo antes da cirurgia, Sylka alega que pacientes com obesidade grau III normalmente têm deficiências nutricionais. “Principalmente vitaminas solúveis em gordura, ácido fólico e zinco. Após a cirurgia bariátrica, essas carências podem aumentar e outras podem aparecer por causa da restrição alimentar e da má absorção em procedimentos de by-pass. Estes últimos resultam em perda de peso mais importante; porém, aumentam o risco de deficiências mais graves”, alerta.

Não raro, a pessoa pode ter anemia, pois a ingestão e absorção de ferro torna-se deficiente. Portanto, alguns casos podem precisar de nutrição parenteral ou enteral por determinados períodos até que o aporte nutricional se restabeleça. Todavia, a suplementação depois desses possíveis problemas será necessária por toda a vida para prevenir complicações mais graves. Afinal, lembre-se de que a bariátrica é apenas uma etapa do controle da obesidade — a mudança do estilo de vida, incluindo a suplementação, é essencial para permanecer saudável.

Você precisará de apoio psicológico

A obesidade é uma enfermidade causada por diversos motivos. Um deles é o relacionamento com a comida: na maioria das vezes, as pessoas que enfrentam a obesidade também batalham contra um transtorno alimentar. A compulsão é a mais comum, e precisa de apoio psicológico para virar esse jogo.

Entretanto, Sylka alerta que o pós-operatório pode mexer com as emoções em outros aspectos. “Vários estudos mostram o risco maior de suicídios concluídos e altas taxas de abuso de álcool e substâncias entre os pacientes bariátricos. Isso indica a importância de uma avaliação psicológica pré e pós-operatória e, em casos específicos, o acompanhamento dever ser feito a longo prazo”, recomenda. Por fim, para quem convive com um corpo com obesidade há muito tempo e, em alguns meses, muda essa imagem, também pode ficar perdido com a nova silhueta. Então, se possível, procure apoio de um psicólogo antes de fazer a cirurgia. Dessa forma, a jornada será mais tranquila.

É comum sentir mais frio depois da cirurgia

Se você já conversou com pessoas que fizeram a cirurgia bariátrica, talvez já tenha ouvido que elas tiveram mais frio depois da intervenção. Isso acontece por causa da própria gordura: um paciente com obesidade tem excesso de gordura, que possui poder de isolar contra o frio. Ao emagrecer, é comum ficar mais intolerante ao frio.

Mulheres devem redobrar os cuidados para a vida depois da bariátrica

A razão é que o público feminino é mais vulnerável a alterações hormonais, que impactam na deficiência dos nutrientes. Dependendo da faixa etária, o uso de mais suplementos para evitar a degradação óssea e muscular são imprescindíveis. Sem falar que a cirurgia pode provocar o aumento do fluxo menstrual, elevando o risco de anemia. Assim, o médico ginecologista deve ajustar o método contraceptivo. O DIU de cobre, por exemplo, costuma estimular a perda de sangue, o que requer outra opção. Por fim, quem deseja engravidar precisa aguardar 15 meses para tentar uma gestação e deverá seguir rigorosamente todas as orientações para não ganhar mais peso do que o recomendado durante o período.

O paladar pode mudar

Boa parte dos pacientes que estão prestes a operar se perguntam se poderão comer seus alimentos favoritos depois da cirurgia. A resposta é sim, mas levará alguns meses para isso acontecer. O corpo precisa se adequar à nova realidade — diminuir o estômago causa um conjunto de alterações no metabolismo, como você viu. A produção de saliva também muda e fica menor, e isso reflete no paladar. Como resultado, muitas pessoas ficam enjoadas com sabores muito doces ou alimentos gordurosos.

A atividade física será aliada de seu novo estilo de vida

Se você tem dificuldades para realizar um exercício na academia ou em outro lugar, seja por limitações físicas ou vergonha do julgamento alheio, essa realidade ficará para trás. Após a recuperação cirúrgica, os médicos aconselham a retomada ou o início de uma atividade para fortalecer o corpo e minimizar a flacidez da perda de peso. Treinar também irá melhorar sua disposição e elevar a produção de hormônios do bem-estar. Portanto, o exercício servirá de “terapia” auxiliar nesse sentido, potencializando os resultados do tratamento.

Fonte: Sylka Rodovalho, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo; referência: Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica.

Sobre o autor

Amanda Preto
Jornalista especializada em saúde, bem-estar, movimento e professora de yoga há 10 anos.

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