Tomar café logo após acordar faz mal?

4 de julho, 2022

Quente, gelado, com leite ou sem, adoçado ou puro: é fato que o café é uma das bebidas mais queridas pelos brasileiros. Um estudo do Cupom Válido, realizado a partir de dados fornecidos pela Organização Internacional do Café (OIC), descobriu que o café é a segunda bebida mais consumida no Brasil — perdendo apenas para a água. Ingeri-lo pela manhã é um comportamento bastante comum, uma vez que, por conter cafeína, o café é considerado uma bebida estimulante. Algumas pessoas, inclusive, o consomem como desjejum. Entretanto, tomar café logo após acordar pode não ser uma boa ideia.

De acordo com a nutricionista funcional Maria Fernanda, especializada em Nutrigenética e Microbiota Intestinal, a prática não gera benefícios para o corpo. Na verdade, ela causa desregulações em questões hormonais. “Mais ou menos duas horas antes de despertar, o corpo produz o hormônio cortisol. Ele vai diminuindo ao longo do dia. E o ideal é que ele diminua bastante no final do dia para termos um relaxamento mental e entrarmos no estado de sono”, explica.

No entanto, ao tomar café logo após acordar, cria-se um novo pico de cortisol. Assim, a profissional explica que, em vez de começar a diminuir a produção e a liberação do hormônio, a bebida estimula ainda mais o processo. “Quando a cafeína dá esse pico de cortisol, esse hormônio pode se transformar em uma outra substância que se chama cortisona, ela é mais inflamatória, uma substância que vai gerar mais estresse no corpo”.

Além disso, ela pontua que a cortisona também gera uma menor sensibilidade à insulina, o que pode causar problemas relacionados a possíveis quadros de diabetes. Assim, por conta do processo inflamatório, da geração de um pico de cortisol e pelas questões digestivas, não é interessante tomar café logo após acordar.

Tomar café logo após acordar e diabetes: existe relação?

Pesquisadores da Universidade de Bath realizaram um estudo que revelou que tomar café logo após acordar traz prejuízos para o metabolismo e o controle de açúcar no sangue. Maria Fernanda explica que isso se deve à produção da cortisona, substância que atrapalha a sensibilidade de insulina. 

“Se a pessoa tiver tendência genética e outros fatores que contribuem, como falta de exercício, má alimentação e excesso de carboidratos, a alta de cortisona se soma a essas questões e aumenta os riscos de desenvolver diabetes e piorar o nível de glicose na corrente sanguínea”, explica.

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Tomar café todos os dias? Entenda a melhor estratégia

Segundo a nutricionista, o ideal é não consumir café todos os dias. No entanto, o hábito já está bastante incorporado na vida das pessoas. Por isso, existem formas de colocá-lo na rotina sem causar tantos prejuízos. 

Caso exista uma preferência de tomá-lo pela manhã, não há grandes problemas. Desde que ele não seja o primeiro alimento do seu dia. “O ideal é, ao acordar, repor a água que você perdeu durante a noite. Então, vale tomar de 500 a 600 ml de água e fazer um shot anti-inflamatório com gengibre, própolis, cúrcuma ou outros compostos antes de jogar a cafeína para dentro”, indica.

Além disso, é mais interessante consumi-lo durante uma refeição, como o café da manhã. Dessa forma, ele é ingerido juntamente com o alimento e, assim, a liberação da cafeína se torna mais lenta. 

De acordo com o estudo do Cupom Válido, os brasileiros tomam cerca de 3 a 4 xícaras de café por dia. Maria Fernanda explica que a quantidade recomendada varia conforme questões individuais. “Existe um gene específico para a cafeína. E tem pessoas que herdam essas enzimas muito lentas, enquanto outras que herdam ela de forma mais rápida”, esclarece.

Por isso, pessoas que têm sensibilidade à cafeína, ou seja, aquelas que apresentam sintomas como ansiedade, taquicardia, pensamento acelerado, sensação de angústia e dor de barriga ao tomarem café não devem ingerir quantidades muito altas. “Elas deveriam tomar no máximo 100, 150mg de cafeína, que não chega a ser nem uma xícara de café”, declara.

Por outro lado, pessoas com esse processo de metabolizar mais rápido conseguem consumir volumes maiores da bebida. De acordo com a especialista, elas podem tomar até duas xícaras de café por dia. Entretanto, “não aconselhamos, de jeito nenhum, a tomar mais de 400mg de cafeína”, ressalta.

Como diminuir

Não é preciso cortar o café do cardápio alimentar. A bebida traz benefícios para o funcionamento do organismo e ajuda a prevenir doenças como depressão e alguns tipos de câncer. Entretanto, extrapolar nas quantidades pode causar problemas gastrointestinais e pressão alta. Assim, vale tentar diminuir a quantidade de xícaras consumidas por dia e abrir a mente para alternativas.

Maria Fernanda recomenda o consumo de café descafeinado pelo método suiço. Além disso, é possível incluir alguns chás energéticos, como alecrim, hortelã, gengibre e casca de cacau. A profissional ainda indica a preparação de um shot com guaraná cipó. Segundo ela, o ingrediente possui cafeína, mas a liberação é lenta. Por isso, é possível combiná-lo com limão e gengibre e consumi-lo na forma de um shot.

Outra opção é um “capuccino saudável”. “Eu gosto muito de indicar os lattes, que são as bebidas quentes feitas com cacau, leite vegetal, canela, maca peruana e colágeno. Como se fosse uma versão saudável de capuccino, mas sem café”. Ela explica que, caso você queira, é possível adicionar um pouco do café, mas destaca que a resposta do corpo será bem diferente de quando consumido puro logo após acordar.

Fonte: Maria Fernanda, nutricionista Funcional especializada em Nutrigenetica e Microbiota Intestinal.

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