Teste da orelhinha: o que é, para que serve e quando deve ser feito

A audição é um dos sentidos mais importantes para o desenvolvimento dos bebês, já que, por meio dela, eles ouvem a voz da mãe e os sons emitidos ao seu redor. Para detectar possíveis problemas auditivos em recém-nascidos, realiza-se o exame de omissões otoacústica, nome científico para o “teste da orelhinha”.

Trata-se de uma triagem neonatal auditiva que, obrigatoriamente, é feita na maternidade ou no primeiro mês de vida do pequeno. Este segundo caso acontece com bebês que não nascem em um ambiente hospitalar, por exemplo. Sua execução é importante para que, caso haja alguma suspeita de deficiência auditiva, o especialista possa diagnosticá-la e iniciar o tratamento o mais precocemente possível.

De acordo com a fonoaudióloga Silvia Roberta Monteiro, do Hospital Paulista, a integridade do sistema auditivo é fundamental para que a aquisição de linguagem falada ocorra sem intercorrências e atrasos. Além disso, ela alerta sobre os prejuízos que podem ocorrer, caso o recém-nascido não passe pela triagem.

“Crianças que não passam pelo teste da orelhinha, e são portadoras de perda auditiva, podem ter seu desenvolvimento comprometido. Sem o tratamento precoce, elas podem ter dificuldades de aprendizagem e compreensão, além de prejuízo na fala e interação social”, detalha a especialista.

Além disso, de acordo com a médica, os primeiros anos de vida são críticos para o desenvolvimento da audição e da linguagem das crianças. “O recém-nascido já apresenta estruturas nervosas especializadas no cérebro, prontas para experiências auditivas, sendo necessário apenas estimulação. Logo, um bebê que não recebe o incentivo adequado nos dois ou três primeiros anos de vida nunca terá seu potencial de linguagem completamente desenvolvido”, alerta.

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Os benefícios do diagnóstico precoce

A fonoaudióloga destaca a importância da identificação precoce do problema, bem como os benefícios do tratamento antes dos seis meses de vida na criança com deficiência auditiva.

“Juntos, esses cuidados permitem o desenvolvimento da linguagem receptiva e expressiva, com surgimento de habilidades sociais e de fala comparável aos das crianças da mesma faixa etária com boa audição”, explica a especialista.

Ainda de acordo com a médica, o programa de triagem auditiva neonatal é extremamente necessário. Ele é o primeiro passo para avaliar a audição de todos os bebês recém-nascidos, com ou sem risco para perdas auditivas.

“Com as medidas de detecção, diagnóstico e reabilitação precoces, seria possível evitar cerca de 50% das perdas auditivas bem como sequelas. No entanto, o fracasso na detecção precoce da perda auditiva na criança resulta em diagnósticos e intervenções em idades muito tardias e prejuízo no desenvolvimento global da criança”, enfatiza Silvia.

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Como funciona o teste da orelhinha?

Simples e indolor, realiza-se o teste da orelhinha enquanto o bebê dorme. Em suma, o exame é feito por meio da inserção de uma minúscula sonda dentro do canal auditivo. Ela é capaz de emitir estímulos sonoros e captar a resposta das células ciliadas externas da cóclea. Essas células, por sua vez, participam da captação e da amplificação do som.

Caso o exame detecte a existência de alguma alteração, encaminha-se o bebê para um serviço de diagnóstico. No local, o pequeno passará por avaliações otorrinolaringológica e exames complementares.

Logo após o nascimento, a criança pode apresentar vérnix – líquido residual do parto – no conduto auditivo externo, o canal da orelha, prejudicando a execução do exame. Nessa situação, o bebê deve realizar um novo teste após 30 dias de vida. Isso porque, nesse período, espera-se que o líquido já tenha saído e as respostas então serão mais fidedignas.

Crianças com risco conhecido de surdez ou que apresentem uma nova falha nas emissões otoacústicas devem ser encaminhadas para a realização de outro teste, o BERA. Ele também é conhecido como Potencial Evocado Auditivo do Tronco Encefálico (PEATE) e avalia de forma mais completa todo o sistema auditivo. Assim como o teste da orelhinha, ele não é invasivo e deve ser realizado enquanto a criança dorme.

Fonte: Silvia Roberta Monteiro, fonoaudióloga do Hospital Paulista

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