Síndrome de Rokitansky: o que é, sintomas, causas e tratamento

Gravidez e maternidade Saúde
04 de Julho, 2022
Síndrome de Rokitansky: o que é, sintomas, causas e tratamento

Apesar de ser rara, a síndrome de Rokitansky necessita de acolhimento às mulheres portadoras. Também chamada síndrome de Mayer-Rokitansky KusterHauser ou síndrome MRKH, a condição afeta apenas pessoas do sexo feminino e provoca malformação no sistema reprodutor.

Veja também: Sinéquia uterina: o que é e como o problema pode comprometer a fertilidade

O que é a síndrome de Rokitansky?

De origem congênita, a síndrome prejudica o desenvolvimento do sistema reprodutor feminino. Ou seja, a mulher nasce com a condição. A aparência da genitália externa é normal, com a presença de todas as estruturas: vulva, uretra, hímen, clitóris e ânus. Além disso, ovários e trompas se desenvolvem sem problemas. No entanto, o útero e o canal vaginal sofrem a malformação. Logo, a mulher pode apresentar o útero pequeno ou não possuí-lo; já o canal vaginal é curto e estreito ou, ainda, inexistente.

Causas

De acordo com o Instituto Roki, que se dedica à conscientização sobre a síndrome de Rokitansky, não há uma causa que justifique a malformação. Mas a condição se instala durante os primeiros meses de vida intrauterina, quando os órgãos femininos se formam. Vale relembrar que a síndrome MRKH é rara — 1 cada 5 mil mulheres nascem com as alterações típicas no útero e no canal vaginal.

Sintomas da síndrome de Rokitansky

Durante os primeiros anos de vida, a síndrome não demonstra sinais. Contudo, ao ingressar na puberdade, a menina e os familiares podem suspeitar de algo anormal, pois a menstruação não começa e há possíveis dores ao ter relações sexuais. Outros sintomas são escape urinário e dores no baixo ventre, que podem se manifestar até mesmo antes da adolescência.

Diagnóstico

Ocorre na primeira consulta com o médico ginecologista, que consegue identificar a formação incompleta com o exame clínico. A princípio, o profissional analisa as possíveis alterações do canal vaginal no próprio consultório. O diagnóstico se confirma com exames de imagem, como o ultrassom transvaginal e pélvico e a ressonância magnética para observar a cavidade vaginal e o tamanho ou ausência do útero.

Tratamento da síndrome de Rokitansky

Após o diagnóstico, a maioria das mulheres se abala e surgem muitas dúvidas sobre a possibilidade de reverter. Antes de mais nada, o tratamento da síndrome exige paciência, mas felizmente há alternativas que melhoram a qualidade de vida. Quanto ao canal vaginal estreito, o tratamento mais comum é a utilização de dilatadores para a região, a fim de aumentar o espaço dessa cavidade.

Apesar de ser um pouco dolorido no início, a mulher deve ficar com o aparato por um curto período — cerca de 1h por dia, dependendo da recomendação profissional. Geralmente, a fim de amenizar o desconforto, o médico pode prescrever o uso de lubrificantes na região íntima. Com o passar do tempo, é necessário trocar o dilatador por outro com maior diâmetro até que o tratamento termine. Em média, o processo de dilatação dura entre 1 e 2 anos, de acordo com o nível de estreitamento do canal.

Outra forma de tratamento é a cirurgia, indicada quando os dilatadores não obtêm o resultado esperado. A princípio, existem 4 procedimentos:

  • Williams: a pele dos grandes lábios se transforma em uma espécie de bolsa vaginal.
  • Davydove: necessita de uma parte do peritônio para construir o interior da vagina.
  • McIndoe-Bannister: utiliza enxerto de materiais variados e exige o uso de dilatadores após a intervenção.
  • Vecchieti: com o método da laparoscopia, a cirurgia insere fios na tração do abdômen. Porém, é mais complexo em relação aos demais procedimentos, pois precisa de uma nova intervenção invasiva para retirar os fios.

Perguntas frequentes sobre a síndrome de Rokitansky

Quem tem a condição pode engravidar?

Se a mulher tiver um útero normal e somente o canal vaginal alterado, a princípio a gravidez é viável. Entretanto, se o útero for pequeno ou ausente, não será possível gestar um bebê. Por isso, é importante conversar com um médico sobre as limitações da síndrome e as alternativas para aumentar a família.

As relações sexuais são normais?

Antes de concluir o tratamento com os dilatadores, o sexo com penetração pode ser muito doloroso e até causar lesões e sangramentos nas mulheres. Para evitar esse transtorno, é fundamental dialogar com o parceiro sobre a condição e explorar novas formas de prazer além da penetração.

Quem pode diagnosticar e ajudar a mulher nesse processo?

A síndrome de Rokitansky precisa de cuidado, suporte e sensibilidade não apenas dos profissionais, mas da família e da pessoa parceira sexual. Do ponto de vista médico, ginecologistas, obstetras e pediatras experientes com a síndrome podem acompanhar a mulher desde a descoberta da condição e por toda a vida. Também é válido recorrer a um psicólogo, pois muitas mulheres se sentem desamparadas ou deslocadas com o diagnóstico. Já os pais, responsáveis e pessoas próximas devem ser receptivos e proativos para acolher a mulher e apoiá-la durante o tratamento e as possíveis dificuldades impostas pela síndrome.

Referências: Instituto Roki; National Library of Medicine; e Colégio Brasileiro de Radiologia.

Sobre o autor

Amanda Preto
Jornalista especializada em saúde, bem-estar, movimento e professora de yoga há 10 anos.

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