A puberdade é uma fase de desenvolvimento físico, mental e social extremamente sensível para meninas e meninos. Ocorre, então, antes dos oito anos de idade para as meninas e nove anos para os meninos. Entre as transformações típicas da puberdade, observa-se aceleração do crescimento, redistribuição de gordura e aumento da massa muscular. Além disso, há o surgimento de pelos de forma mais intensa e o desenvolvimento genital. Mas uma patologia do desenvolvimento puberal pode interferir no ciclo normal de transição entre a infância e a adolescência: a puberdade precoce.
Também chamada de mini puberdade, é definida como o desenvolvimento de características sexuais secundárias antes dos oito anos na menina, ou antes dos nove anos de idade no menino. Se o processo ocorre antes, pode trazer consequências, principalmente se não houver um acompanhamento adequado.
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Logo após o nascimento, ocorre um aumento dos hormônios do eixo hipotálamo-hipofisários-gonadais (HHG), a chamada “mini puberdade”, que se inicia em média com uma semana de vida e termina por volta dos seis meses de idade nos meninos e dois anos nas meninas. Nas meninas, esse período de ativação do eixo HHG é importante para maturação dos folículos ovarianos. Após o término desse período, há inibição do eixo HHG durante toda a infância, até que ocorra sua reativação na puberdade.
A puberdade precoce é o início do desenvolvimento de caracteres secundários (telarca, pubarca, aumento peniano e testicular) antes do limite inferior de idade considerado para cada gênero, ou seja, antes dos oito anos de idade para as meninas e nove anos para os meninos. Aqui, vale destacar que há uma forte predominância de meninas com puberdade precoce: em um estudo com 104 crianças sobre puberdade precoce, 87% eram do sexo feminino.
A puberdade precoce divide-se em dois grandes grupos: puberdade precoce central (dependente de GnRH) ou periférica (independente de GnRH).
Existem, ainda, duas variantes benignas que merecem atenção: a telarca precoce e a pubarca precoce. Apesar de serem condições benignas, devem ser diferenciadas de puberdade precoce em consulta, exames específicos e acompanhamento da evolução dos caracteres sexuais e do crescimento.
Na telarca precoce, por exemplo, ocorre o desenvolvimento isolado do tecido mamário. Normalmente, não há outros achados pubertários, como crescimento linear acelerado, progressão rápida do desenvolvimento mamário ou maturação esquelética avançada. É uma situação benigna que deve ser somente observada, geralmente não progride e regride após alguns meses. É mais frequente em meninas nos primeiros anos de vida, mas pode surgir em meninas mais velhas com desenvolvimento mamário isolado.
O início da puberdade, quando acontece precocemente, aumenta o risco de doenças como câncer de mama, câncer de endométrio, obesidade, diabetes tipo 2, doença cardiovascular, além de alterações da saúde óssea, baixa estatura final e distúrbios comportamentais.
Um dos efeitos mais observados é a baixa estatura. O indivíduo até cresce antes dos colegas, mas pode não chegar ao seu potencial máximo. Além disso, a puberdade precoce prolonga o tempo de exposição das mulheres ao estrogênio, um hormônio feminino. “E isso aumentaria o risco de câncer de mama e de endométrio”, afirma Lorena Lima Amato, especialista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). “As mudanças psicológicas típicas da puberdade ocorrem antes do período em que a criança estaria preparada para isso”, completa.
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Uma avaliação laboratorial é fundamental para auxílio diagnóstico. Em alguns casos, é necessário o teste de estímulo com GnRH para confirmação de PPC. USG pélvica, USG região adrenal, abdominal e/ou testicular, além de Rx de punho para avaliação da idade óssea, podem auxiliar no diagnóstico e acompanhamento da evolução.
Nos casos de PPC, todas as meninas com menos de seis anos de idade e todos os meninos que apresentarem puberdade precoce precisam realizar uma ressonância magnética, bem como crianças que apresentarem sintomas neurológicos.
No Consenso da Sociedade Europeia de Endocrinologia Pediátrica e da Sociedade Endócrino Pediátrica Americana (Lawson Wilkins), as razões para o tratamento incluem a preservação do potencial de altura do adulto e dificuldades psicossociais com a puberdade precoce e menarca. Assim, alguns pacientes com rápido avanço da puberdade (puberdade rapidamente progressiva) podem se beneficiar com o tratamento. Cabe à equipe médica, em conjunto com a família, estabelecer a melhor abordagem de tratamento, dependendo da etiologia e evolução de cada caso.
Dessa forma, o acompanhamento médico periódico é essencial para avaliar o desenvolvimento das crianças e dos jovens. Se for necessário, o profissional indicará testes de sangue para dosar hormônios sexuais e exames como a ultrassonografia, que permitem averiguar a evolução de útero, ovários e testículos, além da idade óssea. Já a intervenção terapêutica, por outro lado, depende do diagnóstico.
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Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria de São Paulo, Revista da Pediatria SOPERJ e Agência Eisten.