Seletividade alimentar: Você sabe o que é?

3 de agosto, 2021

Durante a infância, é comum que as crianças não queiram comer determinados alimentos. Ou, então, expressem desejo por apenas alguns tipos de produtos. Quem nunca viu um pequeno recusar legumes, verduras ou frutas, por exemplo? Entretanto, com o passar do tempo, o repertório alimentar aumenta naturalmente para a grande maioria das pessoas. Mas, em alguns casos, o comportamento persiste na vida adulta. Esse processo recebe o nome de seletividade alimentar (ou TARE – Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo).

Isto é, a seletividade alimentar é a dificuldade em variar a alimentação, situação que pode causar uma série de problemas e até gerar sofrimento.

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O transtorno em adultos

De acordo com a nutricionista Eliana Campos, o TARE é uma doença psiquiátrica em que há um padrão alimentar limitado em variedade e/ou quantidade de alimentos em razão das alterações biológicas que provocam sensibilidade sensorial, comportamento aversivo e/ou desinteresse pela comida. “Não é um transtorno exclusivo da infância. Os adultos também podem ser acometidos, especialmente quando não há intervenção precoce”, explica.

Alguns sinais são comuns em quem sofre com o transtorno da seletividade alimentar. Entre eles:

  • Comer somente alimentos que são vistos como seguros ou aceitáveis, evitando ingredientes com sabor, textura ou cor particular;
  • Escolher sempre os mesmos alimentos;
  • Sentir aversão a grupos alimentares inteiros: frutas, vegetais ou legumes, por exemplo;
  • Ficar angustiado quando é encorajado a experimentar alimentos diferentes, seja por causa de uma fobia ou medo de engasgar ou vomitar;
  • Sentir náusea ou vomitar ao se deparar com a necessidade de comer novos alimentos;
  • No caso das crianças, fechar a boca para evitar de qualquer maneira a ingestão de um alimento diferente.

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Consequências da seletividade alimentar

A nutricionista esclarece que a seletividade alimentar compromete todo o organismo, deixando, portanto, o sistema imunológico fragilizado e causando diversos malefícios como: fraqueza, dores musculares, falta de energia, baixa produtividade, queda de cabelo, sonolência, irritabilidades, problemas na pele e no intestino, entre outros.

“Também há comprometimento em nível biopsicossocial. As pessoas com esse distúrbio costumam apresentar um sofrimento intenso. Isso porque sentem-se julgadas pela família e amigos por não conseguirem ter hábitos alimentares regulares e mais saudáveis, são taxadas de ‘frescas’. Com o tempo, passam a ter vergonha de comer com outras pessoas, causando um grande impacto na vida social. Dessa forma, ao evitar a interação social, surge um impacto no campo emocional, deixando a pessoa vulnerável a quadros de depressão e ansiedade.”

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Como tratar a seletividade alimentar

O tratamento do TARE precisa envolver diferentes profissionais. Entre eles, médico psiquiatra, psicólogo, nutricionista e, em alguns casos, fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional. “O objetivo do tratamento é fornecer ao paciente uma melhora nos aspectos nutricionais e sociais e possibilitar o restabelecimento da saúde física e mental”, diz Eliana.

O tratamento conta com algumas ações que se complementam:

  • Construção de um bom ambiente para as refeições, descartando o uso de eletrônicos à mesa e evitando discussões ou cobranças no momento da alimentação;
  • Introdução pontual de novos alimentos ou formas de preparo, ressaltando as semelhanças com alimentos aceitos e sua importância para a saúde. A dieta do paciente deve ser a mesma dos outros moradores da casa;
  • Administração da ansiedade por resultados por parte do paciente e de seus pais ou companheiros, evitando que a cobrança por avanços venha a prejudicar o engajamento e a própria continuidade do tratamento;
  • Monitoramento da carência de micronutrientes e, quando houver necessidade, uso de suplementos alimentares para suprir essas necessidades.

Fonte: Eliana Campos, nutricionista.

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