Pessoas que não têm Covid mesmo após contato com infectado: por que isso acontece?

31 de janeiro, 2022

Depois de quase dois anos de pandemia, muitas dúvidas sobre o coronavírus ainda permanecem. Uma delas é: por que algumas pessoas não se infectam com o vírus mesmo tendo contato com quem testou positivo para a covid-19?

Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) pode ajudar a responder essa pergunta. De acordo com pesquisa divulgada recentemente, algumas pessoas são naturalmente mais resistentes ao vírus por causa do material genético. 

“A gente quer entender por que algumas pessoas se infectam com o novo coronavírus e desencadeiam um quadro mais grave, enquanto outros convivem de perto com pessoas infectadas e não desenvolvem nenhum sintoma. Nós acreditamos que isso é devido à genética”, afirmou Mayana Zatz, diretora do Centro de Pesquisas do Genoma Humano e professora da USP.

Leia mais: Assintomáticos: testou positivo, mas está sem sintomas? Saiba o que fazer

Estudo investiga o porquê algumas pessoas não se infectam

Primeiramente, os pesquisadores fizeram um estudo genômico de cerca de 80 casais que possuíam exames positivos para a doença em apenas um dos parceiros. “Estudamos o genoma desses casais, comparando os infectados que tiveram sintomas e os assintomáticos”, diz Mayana.

De acordo com a geneticista, a resistência pode ser uma resposta rápida do organismo, mais especificamente das células de defesa denominadas “natural killers” (NK).

“Essas células seriam os nossos defensores naturais. E qual a explicação? É que nas pessoas que são sintomáticas, que desenvolveram sintomas, haveria uma demora para acionar essas células. Já nas pessoas resistentes, por outro lado, essa resposta seria mais rápida. Não é um mecanismo simples, sabemos que tem outros genes e outros mecanismos envolvidos”, disse em entrevista à Globonews.

Leia mais: 5 lições que aprendemos com a pandemia de Covid-19

Genes de proteção não anula vacinação

Ainda de acordo com Mayana, não é raro as pessoas terem genes de proteção. No entanto, isso não exclui a importância da vacina. “Todo mundo tem que tomar a vacina, a dose de reforço é extremamente importante. Crianças também devem tomar a vacina, pois as vacinas melhoram o nosso sistema imune, mesmo em pessoas geneticamente predispostas a ter mais resistência”, alerta.

Os pesquisadores estão colhendo amostras biológicas, por meio de coletas de sangue, de voluntários tanto no Centro de Pesquisas do Genoma Humano, na USP, quanto na casa das pessoas. Os interessados deverão entrar em contato com a instituição através do site ou se inscrever por meio do e-mail: estudocovid@gmail.com. 

Leia mais: Atividade física regular aumenta a imunidade e a eficácia de vacinas

Sobre o autor

Fernanda Lima
Jornalista e Subeditora da Vitat. Especialista em saúde