Leptospirose: o que é, causas, sintomas e como tratar

Saúde
05 de Abril, 2022
Leptospirose: o que é, causas, sintomas e como tratar

O aumento de casos de leptospirose após as enchentes em Petrópolis, no Rio de Janeiro, dispararam entre janeiro e março. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, foram 99 casos na cidade registrados no primeiro trimestre do ano contra apenas 3 em 2021, fato que disparou o alerta para a saúde pública da região. Infelizmente, segundo o órgão, a tendência é que as ocorrências aumentem devido aos temporais não apenas em Petrópolis, mas em diversos pontos do estado.

Veja também: Doenças que podem ser transmitidas por água de enchentes e como preveni-las

O que é a leptospirose?

A leptospirose é uma doença transmitida pela bactéria Leptospira interrogans, cujo ambiente de proliferação são a urina de animais contaminados — os ratos são os principais transmissores da patologia. Geralmente, esse tipo de bactéria vive nos rins dos animais, que podem ser porcos, cães, bovinos etc. Dessa forma, crianças e adultos que entram em contato com a urina, geralmente o fazem por meio da água infectada, como a de enchentes e alagamentos. Como resultado, a leptospirose causa reações variadas, que podem ser desde assintomáticas (ou seja, a pessoa não percebe nenhum sinal da doença) até casos graves que levam à morte.

Causas

A princípio, a mais relevante e comum é a exposição à água contaminada pela urina. Portanto, enchentes e temporais exigem atenção redobrada para evitar a contaminação, pois basta que o indivíduo permaneça imerso por longos períodos ou, se a pele tiver algum tipo de lesão exposta, como uma ferida aberta, pouco tempo de contato com a água já é o suficiente (por exemplo, pisar em uma poça e permanecer com os pés molhados por essa água). Outros motivos que viabilizam a leptospirose são ingerir água contaminada e viver em locais insalubres onde há falta de saneamento básico e higiene.

Sintomas da leptospirose

Após a infecção, há um período de incubação que pode variar bastante, e pode demorar até cerca de 4 semanas para a manifestação dos sintomas; situações de alta contaminação levam menos tempo — de 1 a 2 semanas. Quando há sinais da doença, são eles:

  • Febre alta.
  • Dor de cabeça.
  • Diarreia.
  • Dor nas articulações.
  • Dor e cãibras musculares, sobretudo nas panturrilhas.
  • Inapetência (falta de apetite).
  • Náuseas e vômitos.

Porém, nem sempre a pessoa apresentará todos os sintomas, e alguns deles são facilmente confundidos com os de outras doenças, como dengue ou gripe. No entanto, é preciso buscar ajuda médica, principalmente se houve contato com água contaminada. Além dos sintomas listados, o indivíduo pode sentir alterações nos olhos, como vermelhidão, sensibilidade à luz e dor.

Complicações da leptospirose

Por sua vez, casos mais graves provocam alterações na pele e no funcionamento dos rins. Esse quadro mais delicado é chamado síndrome de Weil e, apesar de ser menos comum, pode ser fatal. Os três principais sintomas que caracterizam a síndrome são icterícia rubínica, cuja pele fica com o tom fortemente alaranjado; insuficiência renal; e hemorragia, que exige rápido controle para evitar a morte do indivíduo. Além da síndrome de Weil, existem outras complicações igualmente letais que geralmente surgem logo na primeira semana de contaminação e atingem o sistema respiratório:

  • Hemorragia pulmonar: lesão pulmonar aguda e sangramento maciço.
  • Enfraquecimento dos pulmões: os principais sintomas são tosse seca, dispneia e expectoração hemoptoica.
  • Síndrome da Angústia Respiratória Aguda – SARA: dificuldade em respirar acompanhada de inflamação nas vias respiratórias, tosse e pulmões carregados de muco são indícios da síndrome, que pode exigir intubação.
  • Hemorragia generalizada: atinge, sobretudo, os órgãos e o sistema nervoso central e vascular.
  • Pancreatite: a inflamação do pâncreas é outra condição que desencadeia complicações graves.
  • Meningite: a doença causa inflamação das meninges, membranas que envolvem o cérebro. A do tipo bacteriana, causada pela leptospirose e outros micro-organismos, é a mais séria, pois pode ocasionar sequelas graves no sistema nervoso.

Tratamento

Tanto casos leves quanto graves exigem diagnóstico e prescrição médica. Para identificar a doença, são realizados exames laboratoriais para mapear a bactéria da leptospirose. Se a pessoa estiver muito debilitada e com indícios de hemorragia, precisa ser hospitalizada para gerenciar o quadro. Já condições leves não exigem internação, apenas cuidados e repouso em casa. Por se tratar de uma infecção bacteriana, a primeira orientação é a utilização de antibióticos para conter a proliferação da leptospirose.

Contudo, dependendo da gravidade e das complicações causadas pela leptospirose, serão necessários outros tipos de medicamento para tratar a doença. Em hipótese alguma é recomendada a automedicação, pois determinadas substâncias podem agravar os sintomas, como o ácido acetilsalicílico.

Dúvidas frequentes

Como posso prevenir a leptospirose?

Evitar o contato com ambientes alagados, água de esgoto e poças podem prevenir a contaminação. Algumas situações podem ser inevitáveis, pois ninguém espera enfrentar uma situação de enchente. Por isso, após a exposição, é importante retirar toda a roupa molhada, tomar banho e secar bem o corpo. Além disso, uma forma de se manter afastado do problema é manter a casa limpa e livre de pragas, como ratos. Além disso, animais domésticos devem permanecer dentro de casa e vacinados. Por fim, sempre que pisar em uma poça na rua, lave imediatamente os pés e calçados, e nunca ande descalço em locais públicos.

A leptospirose é contagiosa?

Não é possível transmitir a doença de uma pessoa para outra. Apenas animais com a urina contaminada são capazes de trazer riscos para os humanos.

O que devo fazer se tiver algum sintoma?

Procurar um médico imediatamente em uma unidade básica de saúde ou hospitais na área de pronto atendimento. Os especialistas irão avaliar o seu caso e direcioná-lo para o tratamento em casa ou para a internação, se for necessária.

Quais são os cuidados principais para o tratamento em casa?

Fazer repouso, evitar esforço físico e manter a alimentação são fundamentais. Faça refeições leve e em porções menores, pois é normal sentir náusea e redução no apetite. Também é essencial beber bastante água, pois a ingestão de líquidos ajuda a manter a hidratação e a eliminar as toxinas.

Afinal, existe vacina para a leptospirose?

Por enquanto, não há um imunizante específico para se proteger contra os riscos da doença. Por outro lado, caso você tenha animais em casa, é possível vaciná-los em clínicas veterinárias particulares.

Para mais informações sobre a leptospirose, acesse as páginas de instituições renomadas:

Ministério da Saúde.

Centers for Disease Control and Prevention (CDC).

Secretaria de Saúde do Paraná.

Sobre o autor

Amanda Preto
Jornalista especializada em saúde, bem-estar, movimento e professora de yoga há 10 anos.

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